domingo, 11 de novembro de 2012

terça-feira, 25 de setembro de 2012

terça-feira, 14 de agosto de 2012




Ontem eu era só um nóia. Tarjas pretas me atraem, em garotas. Hoje já assisto melhor um pouco a chegada das estações: o que é um tédio, disfarçado, mas tédio. Amanhã eu sobreponho um montão de faixas em midi e digo que a culpa não é minha.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O ENFORCADO


Sacrifício, reverter a situação, perspectiva diversa.
Na gravura da carta, ve-se um homem pendurado pela perna esquerda, sob uma forca. Sua expressão é triste e distante, porém seus braços estão cruzados atrás do corpo, em sinal de quem não quer lutar contra sua condição.
O Enforcado, quando aparece em uma consulta, significa culpas e arrependimentos, castigo justo e passivismo. O Enforcado carrega consigo a culpa e está feliz por se martirizar por si e pelos outros, abrindo mão de algo concreto para poder se alcançar um objectivo maior (sacrifício).
Um homem suspenso em um tronco de madeira. Há uma ambiguidade resultante do fato da carta poder ser vista invertida. O homem ou o mundo está de ponta cabeça? Há um halo sobre a cabeça do suposto mártir, que aponta para a crucificação crística. Nota-se que a árvore do sacrifício é de madeira viva, com folhas, e o rosto manifesta entendimento, não sofrimento.

Como um todo, há um sugestão de vida em suspensão, mas vida, não morte. A história natural é mais elevada incorporada neste simbolismo: após o sagrado Mistério da Morte há o glorioso Mistério da Ressurreição. A destruição do egoísmo vivifica a humanidade, e isto envolve o sacrifício que consagra.

segunda-feira, 23 de julho de 2012



Hoje o sol não amanheceu,
e isso não causou grande espanto.
Estrutura sólida interna me faz querer ir a merda,
mas não vou, pois agora sou e
caminho ao lado dos santos
mais puros, encantos obscuros
em cantos obscuros
enquanto, o que? merda.


o mundo em meu ombro me cobra
usando as próprias serras elétricas
que eu o presenteei


domingo, 22 de julho de 2012



Desde que deixei de ser orbitante para ser gravitacional. O que é que posso oferecer, senão mais fundos de poço? Não exalo cor, eu sugo. Horror estampado em meu estômago, como uma foto no verso do paiero. A melhor parte do  mais puro suco da ansiedade fica no fundo do liquidificador, pros insistentes. Duas garrafas de vinho, isso aqui parece a porra de uma lan house, mas eu to numa good. Grafo meu nome em tudo quanto é parede, pra tampar os ouvidos de quem não me entende. Eu não me entendo.


quinta-feira, 19 de julho de 2012



Eu perdi meu nome. Era uma tarde desgraçada regada a conhaque, paieros e outros. Procurei e perguntei pelas ruas mais cabreiras, como se não houvesse amanhã. Desisti de sentir meu próprio cheiro e de tocar um instrumento musical demonstrando virilidade, e não desespero. O nome voltou, mas eu já estava com outra garota, que não a primeira nem a terceira, e isso não me fazia sentir menos nojo de mim mesmo. Descobri uma nova palavra chamada fog. Ela não me fazia sentir repulsa. Adotei um novo nome, que não lama, nem nada assim de morfina. Eu me apresentava dizendo que foda-se o silêncio, quando eu quero o sagrado. O sagrado, ela me ligou de madrugada e disse, é uma expressão de um ser, algo como um nome. Eu é que me perdi dele.


terça-feira, 17 de julho de 2012





Jejum de afetos
minha voz escuto em mono
solitário só se pá, sorrateiro 
por onde anda meu sono

tá que tá de tanto demônio
que maldade é não confiar em simpatias
otário pelo receio em ter receio
redesenho pela manhã
o rei da cocaína
e seu sorriso me acalma
menos que algodões em ruínas

segunda-feira, 9 de julho de 2012


Lemmy kilmister, o cavaleiro inexistente e partido ao meio
beba-me, eu disse para alice.



sexta-feira, 29 de junho de 2012



Paciente, confiro se em meus bolsos existe vida
estou sem calças, não consigo diferenciar-me da cama
todo esse tempo esperando a salvação
o derradeiro momento em que me redimo
do excesso de culpa, que não virá
e os velhos contos suicidas que me aporrinham
nem a mais fria garota que já vi
consegue me fazer mais mau
do que eu mesmo comigo
refluxo existencial

a busca da cura

ó quem voltou doutor, o dono do flow que atormenta.
nocivo

domingo, 24 de junho de 2012



eu falo e falo. as coisas ao redor permanecem as mesmas, nada mudou, mas mesmo assim eu falo e falo, já que sou bom em me enganar bem e metafísicamente toda minha banca segue melando a tanga (pelo menos de um jeito digno) e se eu jamais me jogo embaixo do trem pra tentar capturar alguma cor só pra mim é pq tenho inato o nojo de ser egoísta e não querer mudar isso nem nada de jeito nenhum. Entretenho com gritos.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Todo homem terá talvez sentido essa espécie de pesar, se não terror, ao ver o mundo e sua história se mostrarem enredados num inelutável movimento que se amplia sempre mais e que parece modificar, para fins cada vez mais grosseiros, apenas suas manifestações visíveis. Esse mundo visível é o que é, e nossa ação sobre ele talvez não poderá nunca transformá-lo em outro. Sonhamos então, nostálgicos, com um universo em que o homem, em vez de agir com tanta fúria sobre a aparência visível, se dedicasse a desfazer-se dessa aparência, não somente recusando qualquer ação sobre ela, mas desnudando-se o bastante para descobrir esse lugar secreto, dentro de nós mesmos, a partir do qual seria possível uma aventura humana de todo diferente. Mais precisamente moral, sem dúvida.

domingo, 3 de junho de 2012


pouco a pouco
essa garota relembrou-me de que viver nem é tão insuportável,
eu, de troco,
acabei dizendo a ela que desenhar é sair correndo atrás de uma parte de mim
resolvendo os prováveis problemas de trajetória que eu, em fragmentada instância, estaria causando
com meus inúteis gritos de independência rotineiros
irreprimíveis vontades de causar dor
com marcas permanentes de ignorância e preguiça
boçais batuques no peito e perna
o custume em forçar pra disfarçar minha timidez
que por sua vez, uso para disfarçar meu medo
talvez viver seja mesmo insuportável
foi o que ela disse
tão baixo
tão baixo
tão chata

sexta-feira, 25 de maio de 2012



um samurai toca a campainha de minha casa,
reverencia-me e se mata.
em prol de sua honra eu admito seu carma agora como sendo o meu
já que não sou pacato,
violência também me excita,
primitivismo preso por essa sua forma de ver a vida
eu sempre sei que a repressão virá de forma desumana
nossa mão esquerda trepida na harmonia do piano
tenho meus traumas subsequentes
por ininterruptas gerações
bem quando supostamente estaríamos livres
surge uma luta diária para não diluírem nossas canções
ao meu lado questionamentos
eu olho meus próprios olhos olharem
eu penso tanto e não penso nada,
meu primeiro poema que escrevi falava sobre privadas
me sento nela e leio um quadrinho qualquer
em mim promove o bem
na minha poesia,
machado de assis só entra sozinho
se o sabota não vem.
reverencio-me para os ausentes
e sigo o compromisso de correr e olhar o céu
já que boas notícias são raras



sábado, 19 de maio de 2012


digo que amanhã não vou mais estar neste quarto abafado
e isso não quer dizer nada
por isso digo também que as garotas
me confundem e me amam e me odeiam
mesmo sabendo que eu não quero dizer nada
e que isso não é nada para um mundo
em perigo por ouvir de menos o mundo
e demais as palavras da sintonia privada
que diz que essa besteira toda aqui é tudo,
e um excesso de vícios
explodindo em desgraça
com mais uns tiros de ciúmes
e olhos fechados de inocentes pais ausentes
isso, exato, isso
isso não dizem que é nada