terça-feira, 22 de novembro de 2011

Meu amor por você chegou ao fim é tudo que tenho a dizer também não precisa sair assim espere o dia amanhecer

Itamar

domingo, 20 de novembro de 2011

Domingo

Tantas coisas acontecendo nesta vida curirinesca, que as vezes eu acho que nem é verdade. Mentira, invenção, calúnia, como diria o quércia. Cabeça, será, que vida? Ou será que não vida, de cabeça pra fora é cabelo duro e só, imaginação. Semanas que passadas, aí sim, vários momentos de bads trips, picos negativos na montanha russa de humor. Mas agora, bem, agora, é só essa sensação de será que tudo isso passou mesmo, ou ta passando pra depois passar. É sei lá.

No ápice das coisas ruins acontecendo, sei lá, uns 3, 4 dias seguidos há duas semanas atrás, coincidiram os momentos ruins com eu dormindo em sofás menores do que minha envergadura, pra madrugadas de rancores desproporcionalmente maiores do que minha candura. É, e num desses sofás, o pensamento que me deu mais medo, foi o pensamento que pensava que eu podia estar virando o Júnior, da Arte de Produzir Efeito sem Causa.

Mas passou, pelo menos por hora. Pensar que estamos virando o Júnior, já é um bom sinal de que não estamos virando o Júnior.  E por fim, no encontro com o gato que some e dessome da árvore listrado ele falou de um caminho errado, que por fim deve de ter sido bom, porque findou-se com eu ganhando uma bolsa pra um curso do Mutarelli.

Agora pouco cheguei numa das casas que me abriga o sono, e gastei metros de conversa com a Dara, contando coisas que o Mutarelli me fez flagrar, não só do sentido quadrinistico, mas do sentido de sentido de vida mesmo. E o que é foda, é que ele é um cara demente, de humor insólito e pretensões confusas, valores que não são nada bem quistos. E sem dar conselho nenhum, pelo jeito que ele caminhava com as palavras e decisões, encontrei coisas que eu nem sabia que eu procurava.

Pessoalmente, nossa conversa foi bem surreal. Um dia antes, num pós palestra de Augusto de Campos e Caetano, fui trocar uma idéia com o rapaz, que queimava um cigarro sozinho na calçada. Eu disse que tinha um presente, mas que não tinha, um tarot que vi em Dublin que o tema eram donas de casa Pin up girls, que lembrei na hora, pelo insolitez, mas que não comprei pela pobridez. Não lembro bem qual foi o gancho, mas a partir deste momento eu o ouvi falar bastante sobre palitos de dente sabor bacon.

E isso é foda, porque depois ele estava lá dentro, debulhando conceitos, fazendo piadas de humor negro, desenhando o traço que mais admiro no mundo, e encaixando tudo o que ele é e faz, com uma breve opinião sobre um trecho do Schopenhauer.

Não tou com muito saco para todas as outras premissas, inclusive, se é que elas foram ditas, não as lembro, mas a grande coisa que me valeu foi aprender o quão interessante é a esfera da significação, e como isso é decisivo na existência de algumas pessoas, no caso a minha, e mais ainda, neste momento, no caso. Casamento, de idéias, é raro.
Del carajo.

Bem, como não consegui explicar nada, falei, falei e não falei nada, agora vamos cada um pra sua própria
solidão dessa insustentável bobeira de ser.














Nada me faltará.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

curibad

Por fim foi isso. Passo a passo, os passos descolando do chão. Terra, pessoas, e principalmente, gravidade deixada para trás. Não lembra se foi sua e quando foi a decisão de desrespeito contratual de sujeito com as leis físicas mundo. Aceita o peso da cruz de não ser afim mas ser anjo, voa logo de uma vez voo de asa irrevogável. Agora preso em solitária atmosfera, banho de sol diário, sorriso falso tatuado no rosto que vai contra a vontade pra cima da eterna lembrança dolorosa do toque de pés que não mais concretizar-se-á em concreto. Em concreto. Isso, e por fim foi.


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Progressistas uni-vos

Progresso. É a palavra da vez, ou melhor, sempre foi. Econômico, isso, progresso econômico. Essa quase que absoluta noção de que o progresso econômico, doravante, gerará um progresso social, de saúde, educação e cultura. Essa idéia, muitas vezes impensada e só sentida, de que  progresso econômico não é um fim, mas um meio.

E até que ele chegue nesse hipotético fim, as outras instâncias da vida vão tendo suas pontas acertadas só nas pontas, varridas pra baixo do tapete.

É foda.

Num momento subsequente a revolução industrial, quando as pessoas começaram a ver que máquinas podiam fabricar máquinas, que pesquisas podiam descrever e resolver quase tudo, e que a ciência era a maior aliada que o homem talvez já tivesse trombado, bom, nesse momento, eu acho que era digno que existisse uma esperança no progresso.

Em meio ao século 19, pela primeira vez, pelo menos na literatura, digo, na ridícula parte que conheço dela, os escritores, como boas antenas de épocas que sempre são, começaram a perceber e mostrar que o progresso não era lá esse messias que veio pra nos salvar.  Dá pra ver num Aloísio, num Machado, num Augusto dos Anjos o nível que as coisas iam, e como, em geral, o progresso estava criando mais problemas do que estava resolvendo, com o contrapeso de que estava trazendo facilidades e confortos inimagináveis.

E claro, até esse contrapeso tem suas controvérsias, já que pouquíssimos são os que realmente usufluem destes benefícios.

Eu não sei se a culpa desse caos é da associação ciência-capital. Ou de valores egoístas gananciosos. Ou são maldições divinas, sobre a prole de uma eva que nunca teria imaginado que aquela maçã transmutaria-se anos depois num wi-fi, num bluetooth, em fibras óticas e o caralho.

Só sei que a história se repete, e mesmo após grandes guerras e grandes depressões econômicas e pessoais, as pessoas ainda apostam as fichas no progresso. Em breve, muito breve, aposto minhas fichas de que outras grandes guerras virão com suas grande depressões. Só que agora existem armas muito mais pesadas do que os rifles da primeira e os aviões da segunda.

Tô falando isso porque ontem no ônibus um senhor que desceu num dos bairros mais pobres de campinas, me disse com seu jornal que estava otimista do Brasil estar crescendo nos últimos anos e estar recebendo investimento estrangeiro pesado.

É foda.

É foda que eu pensei e escrevi tudo isso aqui, mas daqui a pouco já vou ter esquecido, pra pensar numa garota, pra pensar num quadrinho que quero fazer e pra pensar na necessidade de seguir caminhando quando tudo pede pra gente sentar e deitar com os bolsos na mão.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Feriado


A casa de meus pais agora tem tv a cabo. Quando eu era pequeno, esse era o sonho da minha vida: torrar as retinas com inacabáveis horas de desenhos e documentários sobre animais silvestres. Não deu, tive que me contentar com delimitadas e escassas horas matinais de desenhos de segunda mão, apresentados por alguma gostosa loira, e pela tarde, animais domésticos que aprendiam demasiadamente bem algum esporte. Silvestre só o Stallone que não parava de ajudar aqueles que, num próximo filme da franquia, ele iria matar.

Hoje fico contente de não ter tido televisão a cabo. Stallone Cobra dublado seria algo que eu sequer imaginaria o que é. Falcão, o campeão dos campeões, é outro que não estaria guardado aqui, no fundo do peito, embaixo de sete chaves. Eles eram os meus amigos numa infância esquisita. Eles e uns bonecos que eu tinha do Homem aranha, do Batman e do Wolverine. Não que eu não tivesse amigos, pelo contrário, até tinha muitos. É só que eu sempre gostava de sair antes das brincadeiras coletivas acabarem e vir pra casa ficar sozinho um pouco pra brincar.

Queria conseguir lembrar as histórias que eu inventava pros hominhos e pros meus desenhos. Eu lembro que eu desenhava o cenário em papel sulfite, cheio de armadilhas e passagens secretas, e espalhava pelo chão do quarto. O homem aranha sempre era o herói, o Batman o vilão e o Wolverine um cara que se redmia no último momento pra ajudar. Que besteira, todos sabem que o Wolverine não se redime, ele mata os caras que se redimem.

Só que essa reflexão do Wolverine é de agora. É minha vida de agora dando pitaco e interferindo na minha vida lá de trás. Memória seletiva, deve ser. Provavelmente criando ambientes agradáveis e saudosos nas lembrança, pra que eu possa voltar e me esconder quando preciso for. E sempre é preciso.

Agora quando eu volto pra Pinhal eu saio pras ruas chuventas de madrugada, volto sem nem mais ficar triste por não ter encontrado nada. Aliás, eu até gosto de encontrar nada. Ter sido criado numa cidade culturalmente vazia me fez sair daqui feito um louco atrás de palavras diferentes. Quando volto, me faz um bem sair de casa pra ver nada. É como se fosse um estudo de campo, depois de dois anos cursando filosofia.

sábado, 12 de novembro de 2011

Sabatino

Que o mundo não tem mudança, com isso eu não posso concordar. Nas histórias das cartas de tarot, seguidamente transmutação eu tiro. Transubstanciação, eu lembro. Viro a cabeça do avesso pra lembrouvir da voz que mais admiro que as ilegibilidades de agora gerarão legibilidades superiores de amanhã, o que me da uma paz de corpo, mas não de espiríto. Ando assim meio de lado pois não posso pesar mais do que meu corpo pode aguentar, e não posso concordar em aguentar só o meu peso e achar que é demais, e de quando em raro sentir só essa vontade de se sentir só. Ou posso, quando penso que posso só soltar de vez a mão do volante. Aceitar de vez que tenho um tempo pra acender o cigarro da garota ao meu lado, e assistir sua ansiosa espera do meio do tempocaminho, aquele que vem depois da necessidade da boca e antes da batida, pois sei que lá ela vai se levantar e me dizer como ser feliz. Mesmo sendo feliz.