sábado, 11 de fevereiro de 2012

sábado

um código
disserto com convicção sobre coisas que não sei, bebo um de virada para não acordar de vez

nos ombros
converso ao pé da orelha para encobrir o resto de sons e olhares, dizem todos que o que era pra ser não foi e não sabem do futuro um passo

chegarei a te conhecer
assim como os discos não escolhidos pela vitrola, com seus ainda bens, que assim descansam. Numa caixa.

se deixar de me conhecer
saberei dos carinhos que chegam, e dos que também se amargam

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

segunda

cê liga cedo, que a madrugada é clichê, cê pensa e penso, que o que suficiente era e dançava rumo ao centro da terra, agora é isto, tensa, agora é isto; pornochanchada tensa existencialista isso é um parto de emergência, recordo-me apenas dos planos da nossa vida, quando entre os dedos meus eu via sós os dedos dela, vontades abatidas no ritmo da banda, e o trompete não casava com a guitarra, e a bateria era tão limpa, cada nota ocupando o seu momento, de forma ímpar, mas erámos nós que os colocávamos em nosso próprio ritmo, pura precisão, minhas preces são assim, em forma de vida vivida cavalos correndo sem pastos, menos os meus te amos que já não são os mesmos depois de tantos anos, mas ainda assim um desses eu faço questão de responder, já que figuram tão cedo e sem medo, já que depois se transfiguram em passos,  passos que a nação diz mas não diz, aquele passo que a ciência não entende sem os chicos, fiz o que fiz só pra dizer que ter te conhecido é ter me reconhecido, você chora, e eu desligo sem saber também.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Domingo

Não gosto de pensar que existam livros de ouro da humanidade, as ditas ''grandes obras do espírito'', livros perfeitos a espera da necessidade da raça humana.
Dizem que tudo, ou quase, está em Homero. Eu não sei, pois nunca li. Mas incomoda-me pensar isso, que li em Pound, pois essa história de descobrir os clássicos para saber os diluidores, me parece bem fascista, elitista e nem um pouco incentivadora.
Sei lá, eu gostaria de saber melhor conciliar as coisas, pelo menos em meu entendimento, em relação a essas brechas imensas entre ações poéticas e políticas, eruditas e populares.
Acho que atitudes intelectuais restritivas, como essa de Pound, talvez sejam boas para um desenvolvimento de idéias, uma das características intrinsicas da arte. Porém, como acho que a comunicação é tão importante quanto a evolução, vou pegando birrinha de coisas extremamente conceituais, obras de arte que comunicam-se apenas com uma meia dúzia disposta, e com tempo, para estudar e entender o que se passa.
Mais um dilema, anotem aí.
Sei lá, tudo isso ainda é muito confuso para mim. Pois essas problemáticas só surgem mesmo quando penso nelas, ou quando penso a obra de alguém com esse pensamento.
Já quando eu produzo algo, um desenho, um texto, um poema, geralmente as questões são outras. Primeiro, pois, acredito que nada meu é complexo ao nível de se pensar que as pessoas não entenderão. Segundo, minhas necessidades ainda são de inquietação e divulgação, e como encontrar maneiras que me agradem e que consigam exprimir uma coisa que as pessoas não precisam de fato em suas vidas.
Gosto de pensar, leminskianamente, que a poesia está dentro da vida, e não o contrário. E se em horas eu hesito, e trepido para o lado negro da força, colcando a vida dentro da poesia, depois eu escuto um Itamar, ou um Raimundos, um Chico Science, e volta meu pensamento sóbrio, ou pelo menos o que eu julgo sóbrio e lúcido, de que não vai valer a pena. A vida é uma só, enquanto as poesias são várias.
Depois quero falar de um conto do Borges que trata exatamente disto: vida, poesia, eternidade e Homero. Mas não agora.
Enfim, a princípio, quando me sentei aqui, o mote principal do texto seria dizer que não acredito em livros fundamentais, para depois me contradizer e abrir uma exceção para as veias abertas da America Latina. Me perdi no meio e falei as mesmas coisas de sempre.
Então: As veias abertas da America Latina. Na boa, é essencial, e principalmente para nós, Latino Americanos.
Pensando-o seriamente como um livro que desenvolve idéias, estrutura conteúdos, aponta desgraças e caminhos, e principalmente mostra que não aprendemos nada.
(Blackalien: _Quando a situação é grave se organizar concentração é a palavra chave.)
Na boa, e o Galeano comunica. Conversa como se estivesse aqui, tomando essa bosta de café que estou requentando já faz dois dias, olho no olho, sinceramente dizendo que esse silêncio que temos guardado é bastante parecido com a estupidez.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

direito ao contorno do eterno retorno
o andar de terno e de coice
rostos marcado por inexpressão
a distração do atirador de facas
revolições de casa copiadas em sala
súbito trote interrompe sequestro
um poço de fundo falso
um som pra ginga das gangas
na solidão
o revólver que resolve funcionar
na solidão
o mundo que resolve não colaborar
nasce mais um dia
para quem tem mais um dia

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Quando se tem que ver sentido
em algo que foi perdido
e a própria necessidade
tem a face de um convívio
que do próprio aniversário
se esqueceu
da sensação de ter perdido
os melhores anos da idade
do velho cachorro
envenenado pelo vizinho
e que nem por isso
foi que morreu

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

quarta feiga 2

ainda a respeito daquilo.
acho bom estar neste meio do caminho, principalmente,
pois agora aceitei estar neste meio do caminho,
e sendo assim,
não estando em lugar nenhum
tenho suficiente distância
para não estar em nenhum lugar
e isso me agrada
já que lido melhor com problemas que não são meus
por não os considerar problemas
mas sim poesia