terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
pequenos bonecos feitos de pão, escolhi. e então de vez absurdo, isso. lembra de quando eu era criança, e corria até afundar na piscina. a vida. e todas aquelas gravuras do volpi, e todos aqueles cds sem capas, ou seja, tudo riscando jogado nas gavetas, e é como se eu tivesse uma faca e furasse a pele da bateria e depois cortasse os cabos e tomadas de toda aquela gente boa e honesta, e por deus, é como se eu esganasse Ella fitzgerald de pouco em pouco, e desrespeitasse as poucas coisas que acredito e ainda não se perderam na minha mochila, pendurada por uma só alça e toda manchada de tinta, roubada, assim como essa necessidade de, em um país tropical, ter de rebocar uma galáxia de coisas que desimportam pra todas as pessoas que amo e mesmo assim caminhar atrás de água pra fazer a coisa e não usar lágrimas, ou também motivos e não areia, ouve só, essa faixa não pulou nada.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Sábado
Há um ano atrás eu estava melando as tangas de ansiedade para minha viagem à Irlanda.
Porra, passou-se um ano já, voltei e sou outra pessoa totalmente diferente, e todos perguntam se valeu a pena, e eu digo que sim, mas não tem muito a ver com valer ou não. Não sei bem.
Na mesma proporção, cresce de um lado minha maturidade em saber que sou moleque, e do outro lado uma inquietude do caralho. Mas isso me alegra, pois cada vez mais sinto-me mais preparado, ou, ao menos, buscando ferramentas pra saber o que fazer com essa inquietude, fazer disso um inquietração.
E se sou triste e desesperançoso em grande parte do tempo que estou sozinho, desta vez estou feliz. Acordei com uma sensação de fim de ciclo, ou começo. Não sei quanto vai durar essa fase de ser meio cronopio, meio fama, acordar e querer sair logo da cama.
E que essa nota sirva como uma oração, de agradecimento. Porque rezar mesmo eu nunca soube, nem agora com Ritalina.
Encontrarei a maga?
Porra, passou-se um ano já, voltei e sou outra pessoa totalmente diferente, e todos perguntam se valeu a pena, e eu digo que sim, mas não tem muito a ver com valer ou não. Não sei bem.
Na mesma proporção, cresce de um lado minha maturidade em saber que sou moleque, e do outro lado uma inquietude do caralho. Mas isso me alegra, pois cada vez mais sinto-me mais preparado, ou, ao menos, buscando ferramentas pra saber o que fazer com essa inquietude, fazer disso um inquietração.
E se sou triste e desesperançoso em grande parte do tempo que estou sozinho, desta vez estou feliz. Acordei com uma sensação de fim de ciclo, ou começo. Não sei quanto vai durar essa fase de ser meio cronopio, meio fama, acordar e querer sair logo da cama.
E que essa nota sirva como uma oração, de agradecimento. Porque rezar mesmo eu nunca soube, nem agora com Ritalina.
Encontrarei a maga?
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
quarta é quinta
véspera de carnaval, pinhal, êo
Acabei de falar com o Plinião, e agora sinto um sentido depois de uma semana de muito papo com o Italo Calvino, os Concretistas, o Black alien, o Galeano.
É, não dá pra explicar. Até porque to bêbado. Eita porra.
Alias, êta porra, do Amiri. Escuta ae que você vai ver o que é fita cabulosa.
Falando em, também digo que fita cabulosa tá é minha vida.
Acho que é porque ontem eu vi Donnie Darko de novo.
Na primeira vez que eu vi Donnie Darko, há mais ou menos um mês, eu fiquei em choque durante dias. Não só tocou profundamente meu mais profundo medo, como também disse e muito sobre minhas questões de viagens temporais.
(Sério, não dá pra me levar a sério. )
Passou, passou.
Ontem foi mais sussa. O filme apenas reimplantou em minha cabeça aquela idéia de que tudo está conspirando, está construindo um destino, de que cada coisa é essencial e que nosso caminho foi pré-determinado de forma tão forte e firme que até uma tentativa de saída dos eixos já era premeditada.
Foda em.
Tão foda que é melhor deixarmos pra lá.
Acabei de falar com o Plinião, e agora sinto um sentido depois de uma semana de muito papo com o Italo Calvino, os Concretistas, o Black alien, o Galeano.
É, não dá pra explicar. Até porque to bêbado. Eita porra.
Alias, êta porra, do Amiri. Escuta ae que você vai ver o que é fita cabulosa.
Falando em, também digo que fita cabulosa tá é minha vida.
Acho que é porque ontem eu vi Donnie Darko de novo.
Na primeira vez que eu vi Donnie Darko, há mais ou menos um mês, eu fiquei em choque durante dias. Não só tocou profundamente meu mais profundo medo, como também disse e muito sobre minhas questões de viagens temporais.
(Sério, não dá pra me levar a sério. )
Passou, passou.
Ontem foi mais sussa. O filme apenas reimplantou em minha cabeça aquela idéia de que tudo está conspirando, está construindo um destino, de que cada coisa é essencial e que nosso caminho foi pré-determinado de forma tão forte e firme que até uma tentativa de saída dos eixos já era premeditada.
Foda em.
Tão foda que é melhor deixarmos pra lá.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Um documentário que curto é o Palavra (en)cantada. É sobre muitas coisas, mas principalmente sobre o casamento da música com essa outra besteira, a palavra, e de como essa união se dá na música popular brasileira, nossa herança dos trovadores hibéricos, poesia etc etc.
Neste momento, a poesia pra mim é uma linguagem, ou seja, um jeito específico para se dizer as coisas que se quer dizer.
É, a primeira vista, uma linguagem que parece ser infinita, mas que tem limites muito sutis, que quando percebidos, revelam um grande poeta que, sem saber, os buscava há décadas.
João Cabral, Augusto de Campos, Paulo Mendes Campos e Manoel de Barros, a meu ver, cada um de seu jeito, encontrou com as limitações da linguagem e resolveu este problema foi na forma gráfica da coisa. Mestres do desenho mental, eu gosto pra caralho de sempre me perder em suas poesias, não sei se por não conseguir distinguir os contornos do que é palavra do que é imagem, ou se é por ainda querer pensar tudo de forma racional e de forma lógica.
Por um outro caminho eu vejo o Vinícius, Baden, Luis Gonzaga, Chico, Itamar Assumpção, Lenine e todo um movimento do rap, usando a música como estrutura interna da poesia.
Sei que essa discussão é velha, poesia e letra de música e bla bla bla.
Não sei se essa divisão que fiz em minha cabeça é justa, principalmente, pois, todos eles, hora ou outra, transitam pelos chãos que não são os seus, já que aquela infinitude poética que anima qualquer poeta amador, nunca é de fato superada.
Sem falar que meus preferidos encontraram de cada lado um limite diferente, e acabaram encontrando um outro caminho, sei lá, se pá pra cima. Cortázar, Leminski, Guimarães, Mutarelli, Oswald, etc.
Até.
Logo em breve vocês descobrem porque to falando tanta coisa desconexa e usando esse título.
Neste momento, a poesia pra mim é uma linguagem, ou seja, um jeito específico para se dizer as coisas que se quer dizer.
É, a primeira vista, uma linguagem que parece ser infinita, mas que tem limites muito sutis, que quando percebidos, revelam um grande poeta que, sem saber, os buscava há décadas.
João Cabral, Augusto de Campos, Paulo Mendes Campos e Manoel de Barros, a meu ver, cada um de seu jeito, encontrou com as limitações da linguagem e resolveu este problema foi na forma gráfica da coisa. Mestres do desenho mental, eu gosto pra caralho de sempre me perder em suas poesias, não sei se por não conseguir distinguir os contornos do que é palavra do que é imagem, ou se é por ainda querer pensar tudo de forma racional e de forma lógica.
Por um outro caminho eu vejo o Vinícius, Baden, Luis Gonzaga, Chico, Itamar Assumpção, Lenine e todo um movimento do rap, usando a música como estrutura interna da poesia.
Sei que essa discussão é velha, poesia e letra de música e bla bla bla.
Não sei se essa divisão que fiz em minha cabeça é justa, principalmente, pois, todos eles, hora ou outra, transitam pelos chãos que não são os seus, já que aquela infinitude poética que anima qualquer poeta amador, nunca é de fato superada.
Sem falar que meus preferidos encontraram de cada lado um limite diferente, e acabaram encontrando um outro caminho, sei lá, se pá pra cima. Cortázar, Leminski, Guimarães, Mutarelli, Oswald, etc.
Até.
Logo em breve vocês descobrem porque to falando tanta coisa desconexa e usando esse título.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
domingo
só sujeira nos meus cultos
sou pra ser sujeito oculto
sou tumulto de certezas
pó que n'água vira suco
etc etc
sou pra ser sujeito oculto
sou tumulto de certezas
pó que n'água vira suco
etc etc
Investigações negras 1
Nestas semanas, muitas coisas aconteceram. Desde um retorno meu a faculdade, até uma mudança de foco quanto a levada da vida.
Coisas que pra mim são muito claras, mas que para explicar escrevendo é bem difícil.
Essa própria dificuldade é algo novo pra mim.
Percebi que eu penso principalmente através de imagens. Não sei se posso expandir esse pensamento dizendo que todos nós fazemos isso, raciocinamos através de imagens. Sei só que funciona para mim.
São associações que faço entre pensamento e imagens: idéias ligadas a momentos, momentos que nunca sinto em forma de sentimentos, mas sim relembro através de imagens.
Músicas que escuto, e inevitávelmente relembro de um exato lugar. Idéias que, para relembrá-las, evoco imagens do lugar em que as pensei pela primeira vez.
Como por exemplo estas idéias que estou escrevendo agora: Dei-me conta disso pela primeira vez em dublin, ao ouvir o áudio de uma palestra sobre imagens, enquanto eu desenhava na mesa do quarto que dividia com a Mari.
Não tem a ver memória fotográfica. Eu nem sei o que é memória fotográfica direito.
Acontece é que não me lembro de detalhe algum do momento, apenas de um resumo imagético geral, uma rápida cena em que lembro apenas a posição geral do quarto , na terceira e última arrumação que fizémos, a cama ao lado da janela, a mesa na parte que tinha o carpete e não o azuleijo, e eu sentado nela.
Essa memória, agora já sei, tem a ver com meu interesse por aquele momento. Como o assunto me animou, meu cérebro achou modos de associá-lo a uma imagem para que depois eu pudesse usá-la de chão e então resgatar o raciocínio.
Foi como quando vi o Danilo tocando piano pela primeira vez. Aquele momento esteve tão presente naquele momento, que vez ou outra quando escuto algum pianista no fone de ouvido, imagino por imagens aquele momento, aquele piano preto, o banquinho, a mesa de professor que usei de banco para assistir, e o angulo mais ou menos exato em que eu via.
Acho que nosso intelecto apoia-se muito mais em imagens do que imaginamos. Mais até do que em palavras.
É isso: se pá que a experiência visual prescinde muitas vezes o pensamento.
Profundo?
Não sei. Só sei que eu só consigo pensar o conceito profundo, por já ter visto um poço, ou um penhasco, ou um buraco, sei lá.
E só sei que ando gostando da idéia de tentar fazer poesia com palavras que não remetem a imagens, palavras que não fiquem desenhando coisas em nossa cabeça.
Eu já desenho de lápis e nanquin, se pá que quero usar palavra pra outras coisas. Outras coisas daqui que não consigo desenhar. Sei lá. Usá-las para me referir as coisas que conheço de nome, mas não de imagem.
Como o Zimbábue por exemplo. Não me lembro de ter alguma imagem formada sobre o Zimbábue.
O Zimbabue é uma das coisas do mundo que ainda está livre dos meus preconceitos. Imagísticos que sejam.
Depois continuo. Estou gostando do assunto e já o devo ter registrado nas gavetas ocultas da cabeça: na mesa sentado de costas pra janela, bagunça de ressaca de formatura, vários colchões na sala e vários corpos babando e roncando em sono profundo.
Como um poço.
Coisas que pra mim são muito claras, mas que para explicar escrevendo é bem difícil.
Essa própria dificuldade é algo novo pra mim.
Percebi que eu penso principalmente através de imagens. Não sei se posso expandir esse pensamento dizendo que todos nós fazemos isso, raciocinamos através de imagens. Sei só que funciona para mim.
São associações que faço entre pensamento e imagens: idéias ligadas a momentos, momentos que nunca sinto em forma de sentimentos, mas sim relembro através de imagens.
Músicas que escuto, e inevitávelmente relembro de um exato lugar. Idéias que, para relembrá-las, evoco imagens do lugar em que as pensei pela primeira vez.
Como por exemplo estas idéias que estou escrevendo agora: Dei-me conta disso pela primeira vez em dublin, ao ouvir o áudio de uma palestra sobre imagens, enquanto eu desenhava na mesa do quarto que dividia com a Mari.
Não tem a ver memória fotográfica. Eu nem sei o que é memória fotográfica direito.
Acontece é que não me lembro de detalhe algum do momento, apenas de um resumo imagético geral, uma rápida cena em que lembro apenas a posição geral do quarto , na terceira e última arrumação que fizémos, a cama ao lado da janela, a mesa na parte que tinha o carpete e não o azuleijo, e eu sentado nela.
Essa memória, agora já sei, tem a ver com meu interesse por aquele momento. Como o assunto me animou, meu cérebro achou modos de associá-lo a uma imagem para que depois eu pudesse usá-la de chão e então resgatar o raciocínio.
Foi como quando vi o Danilo tocando piano pela primeira vez. Aquele momento esteve tão presente naquele momento, que vez ou outra quando escuto algum pianista no fone de ouvido, imagino por imagens aquele momento, aquele piano preto, o banquinho, a mesa de professor que usei de banco para assistir, e o angulo mais ou menos exato em que eu via.
Acho que nosso intelecto apoia-se muito mais em imagens do que imaginamos. Mais até do que em palavras.
É isso: se pá que a experiência visual prescinde muitas vezes o pensamento.
Profundo?
Não sei. Só sei que eu só consigo pensar o conceito profundo, por já ter visto um poço, ou um penhasco, ou um buraco, sei lá.
E só sei que ando gostando da idéia de tentar fazer poesia com palavras que não remetem a imagens, palavras que não fiquem desenhando coisas em nossa cabeça.
Eu já desenho de lápis e nanquin, se pá que quero usar palavra pra outras coisas. Outras coisas daqui que não consigo desenhar. Sei lá. Usá-las para me referir as coisas que conheço de nome, mas não de imagem.
Como o Zimbábue por exemplo. Não me lembro de ter alguma imagem formada sobre o Zimbábue.
O Zimbabue é uma das coisas do mundo que ainda está livre dos meus preconceitos. Imagísticos que sejam.
Depois continuo. Estou gostando do assunto e já o devo ter registrado nas gavetas ocultas da cabeça: na mesa sentado de costas pra janela, bagunça de ressaca de formatura, vários colchões na sala e vários corpos babando e roncando em sono profundo.
Como um poço.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
sábado
um código
disserto com convicção sobre coisas que não sei, bebo um de virada para não acordar de vez
nos ombros
converso ao pé da orelha para encobrir o resto de sons e olhares, dizem todos que o que era pra ser não foi e não sabem do futuro um passo
chegarei a te conhecer
assim como os discos não escolhidos pela vitrola, com seus ainda bens, que assim descansam. Numa caixa.
se deixar de me conhecer
saberei dos carinhos que chegam, e dos que também se amargam
disserto com convicção sobre coisas que não sei, bebo um de virada para não acordar de vez
nos ombros
converso ao pé da orelha para encobrir o resto de sons e olhares, dizem todos que o que era pra ser não foi e não sabem do futuro um passo
chegarei a te conhecer
assim como os discos não escolhidos pela vitrola, com seus ainda bens, que assim descansam. Numa caixa.
se deixar de me conhecer
saberei dos carinhos que chegam, e dos que também se amargam
Assinar:
Postagens (Atom)
