quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O desenho aí de baixo eu fiz pro blog de um irmão, o plinião.
É nóis!!

www.pliselonplinio.blogspot.com

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Terça feira

Acordar de manhã sem que meu corpo me acompanhe virou minha rotina. Cabeça a mil, começo a estudar as paradas tentando ignorar que estou carregando comigo um corpo semi vegetativo. Melhor assim, nos momentos ruins que tive, a cabeça acompanhava-me na sofreguidão.
Quem sabe eu não faço um esporte essas férias, e viro um cara saudável e no fim do ano que vem eu aviso aqui pra vocês irem me assistir na São Silvestre?

Há. Tá. São silvestre sempre vai ser pra mim uma corridinha de merda, principalmente por usar em vão o nome de São Silvestre, que é uma versão tupiniquim de St. Silvester, o santo das batalhas de boxe e guerras quiçá impossíveis, aquele que consegue sintetizar sabedoria pura em pequeninas frases de efeito como ''Ora, Micky dizia que a luta só acabava ao soar do gongo. Ainda não ouvimos o gongo, certo?” Ah, mano, dia após dia eu acredito, tenho fé e oro para Micky, pois sei que ele representa Deus.


Ainda em São Paulo, percebi que não vi muita gente que eu queria ter visto por aqui. Mas que vi muita coisa que não queria ter visto. Briga de garrafas num bar, ratos passando em mendigos que dormem, nóias com seus cachimbos e etc etc.

Puta que merda. Eu queria não ter visto, e o mais foda é isso. Não consigo formular um juízo a respeito da minha vontade de não querer ver. Foda, esse virar de rosto se desdobra em diversas consequências, que condizem as diversas decisões de aceitar ou não minhas responsabilidades como cidadão e as minhas impotências como ser humano.

Esses assuntos e posturas são sempre mais fáceis de serem deixados de lado, e quando são colocados em pauta, são dificílimos de serem domados para que não se pareçam com engajamento vazio, adequação revolucionária a uma fase de firmação de caráter, e, principalmente, discursinho de miss universo.

Apesar de muita gente vir me dizer que o dualismo ''capitalismo versus comunismo'' já não existe mais, que o muro de berlim caiu, o capital venceu e eu estou aqui  de chapéu atolado falando sobre coisas que desimportam no momento, bem, eu acho que essa discussão ainda é atualíssima e válida, principalmente se pensarmos que essa nunca foi uma batalha do ''casos de família com a Márcia Goldshimit''. Existem sim os ataques, mas sempre estruturados por soluções e propostas bem fundadas.

Eu sou um chato. E isso é tudo que sei a priori. Eu sinto muita, MUITA, preguiça de muito papinho engajado que escuto por aí. Mas decidi que vou lutar para deixar de senti-lá. O centro, como disse o Abu, sempre tende a cair para a direita. E a direita, a meu ver, é a que luta para manter a ordem das coisas, ou simplesmente não mexe um dedo para mudá-las.

Sinceramente, eu não concordo com a ordem em que as coisas estão, e isso é uma certeza que tenho, pela definitiva falência de quase todas as capacidades e relações humanas, sejam elas artísticas, interpessoais e trabalhísticas, ou até com o próprio meio em que habitam, sua relação com o tempo, etc etc etc.

Minha predileção e aproximação com a esquerda condiz muito mais com suas vontades de mudança, do que necessáriamente com sua ideologia. Principalmente pois, por enquanto, e espero que seja por enquanto, ainda sou um analfabeto político, que desconhece quaisquer leituras de esquerda, sejam elas marxistas, stalinistas, maoístas, bakuninistas, e etc e etc, assim como por outro lado, também desconheço as leituras da direita.

Percebem como minha posição política é falha, trepidante e apesar de não ser destrutiva, tampouco é construtiva, para ambos os lados? Por isso que decidi me munir de informações válidas e reflexões para que eu possa me posicionar perante o momento histórico que vivo. Mesmo que seja para, em determinado momento, dizer que não concordo, não assino em baixo e estou caindo fora para um mundo só meu. Como, se pá, fez Baudelaire com as drogas, e Bilac com a punheta.



Ah, estive lendo um pouco de Beckett ontem, e o menino conseguiu tocar algumas feridas mais de baixo, impossíveis de serem desconsideradas. Feridas não, ferida. A ferida chamada ser humano e sua essência podre. A visão dele, ou a visão que tenho da visão dele, é a de pessimista pra caralho. E não pensando o pessimismo como negação de esperança, mas sim como constatação reflexiva de incapacidade de mudança.

Nos meus tempos na Irlanda, descobri e li muito mais ele do que o Joyce, que é o sujeito que eu saí do Brasil achando que ia desvendar. Haha, moleque imbecil.

A linguagem usada pelo Beckett em seus livros, era, para o meu inglês, uma linguagem que pelo menos eu acreditava estar entendendo. O Joyce, com excepção dos dublinenses, eu tinha a cruel impressão de estar lendo outra língua, que não as minhas, não os meus chãos. Não rolou.

Só que aí é que está. O Beckett apesar de parecer mais simples, é um labirinto metafísico do desespero. Não sei a de vocês, mas a minha imagem de um labirinto metafísico do desespero é bem ruim. E é exatamente neste espaço que Beckett coloca seus personagens, a meu ver, asqueirosos, decrépitos, precários e carentes.

Pelo que compreendi, esse desespero de uma condição humana essencialmente podre , para Beckett, não pode ser resolvida com soluções sociais, ou políticas. No que li dele, não encontrei traço algum de qualquer ideologia social, principalmente marxista, o que seria bem provável de ser encontrada, visto que tanto ele quanto sua obra figuram na Europa do séc XX.

Essa crítica pode parecer estar direcionada ao contéudo da sociedade, o Homem, e não a sua forma, o sistema político.

Mas eu, Léo, enxergo essa crítica como uma constatação de um ser humano vazio por consequencia do viver em um universo sem sentido, logo, uma crítica a uma forma muito mais abrangente, se não for a forma mais abrangente de todas. O universo, essa besteira.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Segundona


Coincidências ou confluências, o mundo é feito de. Só sei que foi assim, e agora estou aqui, com a cabeça cheia de idéias centradas num objetivo só. Objetivo que se desdobra em muitos, e que me obriga a pensar nele mais do que viver, por uns dias. Refletir em algo tão insólito, que só poderia ser tão insólito. Não consigo ser claro com vocês hoje.



E ae amigos.

Tomei um café e voltei mais calmo. To com alguns desenhos que quero colocar aqui, só que como estou em são paulo e minha câmera está em campinas e o scanner em Pinhal, bem, bem. Depois vou tentar usar o do escritório do meu irmão e pai, mas vou esperar o fim do expediente deles, quando já são bem poucas pessoas lá. Sinto que quando vou lá minha presença atrapalha o bom andamento da construção civil paulista. É só um sentimento.

Comecei a usar umas cores. É doido, eu nunca gostei, nunca tentei. Desde criança eu tenho uma certa aversão a lápis de cor. Esses dias encontrei alguns desenhos de quando eu era um pequeno bambino, e mesmo quando eu usava os lápis de cor, ou giz de cera, eu usava para desenhar, digo, sempre só de contornos.

Analiso que desde de criança eu já pressentia um vazio existencial no ser humano. Ou melhor, analiso que desde criança eu sabia que a revolução não se daria nos conteúdos, mas sim nas formas. Quer dizer, desde criança eu era um obcecado pelos limites das relações humanas, independentes de sentimentos internos e inconscietes.

Esse é o bom do passado. É possível significá-lo como bem quisermos. Claro que talvez não seja tão simples. Mas agora é tarde e já são duas as classes que me odeiam. Jornalistas e psicólogos.

E agora vou lá desenhar. Vou ouvir um Valete brow, que nunca quis ser regicida....
_Olá valete, HÃ, meu nome é Vanessa..

domingo, 27 de novembro de 2011

fim de fim de semana

quando estou aqui,


 essa não sai da orelha

doMINGo














Ainda é cedo. Não tão cedo, já que a legião da boa vontade não se incomodou de ligar para pedir uma doação. Clarice Lispector escrevia de manhã, penso quando desligo o telefone. Escrevia de manhã, mas vivia o resto do dia submersa em instrospectivos pensamentos que ainda nem tenho as moral, nem nunca vou ter. O telefone me desliga.

Acordo novamente, e ainda é cedo. Via mensagem, o celular me chama de puto e diz que minha amiga bebeu esta noite sozinha e escreveu uma carta. Me sinto mesmo um puto, e um puto inexpressivo. Tento lembrar a última carta que escrevi, e só o que consigo é lembrar de uma franja, de um cabelo encaracolado, e depois de um bem curto. Não curto o que sinto, mas já é tarde, porque ainda é cedo e o dia ainda é longo daqui pra frente. Bem longo.

Procurar coisas na casa do meu Irmão e do meu Pai, inclui sempre encontrar muita poeira, as velhas alergias e o olhar sanguinário do vigia no espelho. Mas as vezes gratifica e vale a pena. Como ontem, quando procurei a toalha mas achei uma caixa cheia de livros. Desde que voltei da Irlanda, ainda não encontrei nem metade dos meus livros, e, principalmente, pois não encontrei nem metade das pessoas que pegaram meus livros.

Lá, muito Jorge Amado. Uns 5. Grande Jorge Amado, como diziam lá em Portugal. No momento o Inspirador do Berro d'agua não caminha comigo. Desafinidades acontecem. Mas ainda não cheguei ao ponto de chamá-lo de Jorge Odiado. Hê. Jorge Indiferenteado, talvez. Indiferença é ruim?

Na caixa há também algum Drummond. Gosto dele. E há também o Braguinha. Ah Rubem, você sabe que eu não te procuro de verdade, nunca te procurei em livraria nenhuma, mas sempre acabamos por nos trombar. E é sempre do caralho trocar prosa contigo mano. Digo, crônicas.

Aliás, esses dias lembrei de você e do Sinezando. É que eu e o Mouro, apesar de estarmos sempre tentando abraçar a porra do mundo, ainda somos os reis do chororô, malditos cotovelos gastos, Lupcinio rodrigues e Reginaldo rossi de Barão Geraldo. E é inevitável não sintonizar as ondas de rádio com as suas e as do Sinezando.

Aê Sinezando, aquele salve em esperanto! A vida ainda é triste meu velho.

Ler Rubem Braga me faz ter vontade de conversar com meus avós. Me sinto mais a par do que aconteceu na época deles. Pra falar a verdade, eu sinto que realmente vivi na época deles. E eu devo ter vivido mesmo. Esses lances de reencarnação e pá. E eu era um cachorro. Sempre gostei de pensar que eu era um cachorro. E não é qualquer cachorro não, desses que ficam por aí latindo. Eu era o Deserto, cachorro da minha avó.

Antes de minha avó adoecer, ela me disse que queria voltar pra escola pra estudar. Semi analfabeta, ela conseguia escrever o próprio nome, e outras bem poucas coisas sabia ler. Foi se esquecendo paulatinamente do mundo, e o último nome que esquecera foi o meu. É o meu maior orgulho nesta vida. Fico pensando as vezes qual vai ser o último nome que vou me esquecer.

Ah, hoje pela tarde eu vejo o Mutarelli e o Rafa Coutinho de novo, desta vez com o Fábio Moon e o Gabriel Bá. Terminei o Daytripper dos meninos, mas depois falo melhor o que achei. O Lourenço vai estar lançando um álbum, depois de anos.

Tinha abandonado os quadrinhos faz uns 10 anos, pois além de estar descontente com um traço já formado, disse que estava incomodado em ditar todas as imagens de uma história. A literatura é um campo mais sugestivo e mais livre, da parte do leitor.

Porra, dez anos atrás eu tava assistindo pokemon.

Não tem nem o que falar. Como quadrinista, ele é de longe, tanto em forma quanto em conteúdo, meu preferido. Como escritor, tornou-se também, disparadamente, meu preferido. Pra mim, aquilo tudo é muito visceral e perigoso, ainda sendo muito sutil, uma espécie de loucura elegante, sei lá.

Só essa semana que percebi o porque de eu curtir tanto os trampos dele. Ao me mostrar possíveis maneira de se confluenciar média erudição literária e músical, literatura de rua, filosofia, humor negro e experimentalismos, ele me mostra caminhos que busco, ou que eu acho que busco.

Mas cansei de ficar puxando o saco desse careca feio. Tenta aparecer lá hoje, no centro cultural o barco. Momentos como esse não se perde. Fica ali na Teodoro e Sampaio, numa daquelas ruas que corta ela por baixo. Rá, Rua Jack Estripador.  E se me ver, me pague um café. E se tiver algum livro meu com você, devolve que agora eu tenho casa.

É porra, tenho uma casa agora. Por isso que eu to feliz. Por isso que até a velha discadora legionária da boa vontade me pareceu ser alguém legal e simpática. Claro, vocês me conhecem e sabem que vai passar. Essa velha, por exemplo, logo logo vai cair minha ficha de que ela é na verdade uma cuzona.

Bom, pelo menos vou conseguir assitir o Senhor Brasil tomando um café e comendo sucrilhos com argamassa quartzolit.





sábado, 26 de novembro de 2011

Um salve sabatino

Comecei este texto quando trombei o Armando e a Ana ontem na goma deles, aqui mesmo, em L.A, Largo do Arouche, região abissal paulista localizada entre a boca do lixo e a cracolândia, espaço prova empírica do refrão que diz que o homem é o lobo do homem.
Desde que eu voltei da Irlanda, ainda não tínhamos os três colocado o papo em dia e a água de nossas privadas mentais ainda estava em descompasso de hemisférios, sentido horário e anti horário, ativamente.

Ativamente, as pessoas que estão no rolê são pessoas que fazem com que tenhamos mais vontade de seguir no rolê.

Rolê. Isso, rolê. O abstrato conceito que engloba as esferas mais diversas, mas que inevitávelmente interseccionam-se em pontos base indefinidos, mas sempre sentidos pelos que nelas atuam.

Mano, depois de um bom tempo, é do caralho encontrar os dois e ver que transubstanciaram um cúbiculo no centro de São Paulo em um lar digníssimo, e ver que andam de long pelas caóticas ruas do centro, que a música boa é o pão de cada dia, e que o assunto sociológico e geográfico, do Cabeça e da Ana, respectivamente, perpassam e transcendem o ralo e fraco limite acadêmico.

Digo isso, pois saí de lá com um livro deles, As veias abertas da América Latina, do Eduardo Galeano. Disse Herman, o monstro, ontem, que esse é um livro que todos mundo tem a obrigação de ler. E agora pela manhã, depois de escovar os dentes com mais café ainda, já tenho essa certeza.

Além de não ter terminado o livro, e com a certeza da incapacidade de uma análise, mesmo que fraca, da obra, digo apenas que senti com o Galeano o sentimento que mais gosto e prezo de sentir nessa minha vida.

O Galeano me fez sentir o mesmo sentimento que senti com os dois ontem, que é o mesmo sentimento que sinto sempre com os meus grandes Mouro e Mari,  e sinto também com minha tríade preferida Dara, Lele e Mi, também com os notáveis Andread e Liniker, o saudoso Moita, também o eixo paulista Primão, Danilo e Plinião, e mais algumas outras poucas pessoas especiais e raras que conheço.

Nesta madrugada, o Galeano me fez sentir o sentimento de que quando eu o escuto, estou escutando coisas que possuem um corpo, certamente insuflado por uma voz de quem vive o que estuda. E é esse corpo (ou essa alma) que faz com que os dados e pesquisas, romances e poesias, letras e mais letras, lidas ou discutidas, não se tornem, como disse Bilac, esplendor e sepultura.

E além de muitos outros problemas, é por isso que, assim como toda a educação, a universidade precisa urgentemente ser repensada.

Essa incomunicabilidade reinante entre a Universidade e a sociedade, talvez não resida nos objetos de estudos, por mais metafísico que eles sejam, mas sim nos que estudam estes objetos.

Uma provável tangibilidade de idéias virá quando as pessoas começarem a se interessar também pelas pessoas, e não só com prazeres pessoais e benefícios vinculados a uma ascenção acadêmica. Os que carregam a vida acadêmica, como quem carrega um serviço num escritório, são pessoas que me fazem ter vontade de vomitar.

Poder-se-á formar um verdadeiro diálogo construtivo, no momento em que a produção de conhecimento deixar de ser uma produção, fugindo do que o que seu próprio nome intrinsicamente define, e desvinculando totalmente a noção de evolução e progresso de uma outra noção distinta, a de prosperidade econômica.

Essa distância de cabeça e coração precisa ser encurtada, estradas precisam urgentemente serem criadas. Estudo sem vida é a coisa mais desnecessária que já existiu no mundo. E não estou falando da incrível desnecessariedade poética de um Manoel de Barros, de um Paulo Leminski. Estou falando sim de uma imensa estúpidez egoísta e cega dos que, num país como sabemos ser o nosso, tem o privilégio de acesso ao estudo, mas insistem em não dar nem um ínfimo retorno a sociedade.

O processo de deixar que as coisas se manifestem por elas mesmas, é um processo que Heidegger define como fenomenologia, e depois complicadamente desenvolve e eu nada entendo. Mas, como aqui é um blog, e eu tenho a liberdade de dizer o que diabos eu quizer, bem, acredito que os sujeitos que não se divertem e não possuem um rolê de prazeres culturais, são exatamente os que não deixam que as coisas com que se ocupam se manifestem por elas mesmas. Ou seja, não deixam que o que estudam tenha vida.

E isso é tristíssimo. E mais triste é pensar que a culpa não é só deles. A culpa é principalmente de uma reitoria imbecil que proíbe festas e eventos culturais nos campus das universidades , que não entende que o diálogo deve perpassar cadeiras, salas de aula, professores e alunos. Reitoria que,não contente com isso, ainda apoia a militarização do campus e a terceirização dos serviços internos.

Claro, isso é reflexo de uma sociedade onde as politicagens apagam a alma das cidades e das pessoas, pensando cultura, arte e educação como meios eleitorais, e não como fins por si só, atividades existenciais.

Essa forma amarga como as coisas estão se dando nas universidades é um reflexo de um mundo cada vez mais chato e sem graça, um mundo que quando joga bola com outros mundos, leva a bola embora quando a mãe chama. Um mundo cuzão, eu diria. Um mundo que, não fosse a busca pelo sentimento que eu disse ter sentido com o Galeano, seria um mundo que cada vez menos eu faria questão.