domingo, 11 de novembro de 2012

terça-feira, 25 de setembro de 2012

terça-feira, 14 de agosto de 2012




Ontem eu era só um nóia. Tarjas pretas me atraem, em garotas. Hoje já assisto melhor um pouco a chegada das estações: o que é um tédio, disfarçado, mas tédio. Amanhã eu sobreponho um montão de faixas em midi e digo que a culpa não é minha.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O ENFORCADO


Sacrifício, reverter a situação, perspectiva diversa.
Na gravura da carta, ve-se um homem pendurado pela perna esquerda, sob uma forca. Sua expressão é triste e distante, porém seus braços estão cruzados atrás do corpo, em sinal de quem não quer lutar contra sua condição.
O Enforcado, quando aparece em uma consulta, significa culpas e arrependimentos, castigo justo e passivismo. O Enforcado carrega consigo a culpa e está feliz por se martirizar por si e pelos outros, abrindo mão de algo concreto para poder se alcançar um objectivo maior (sacrifício).
Um homem suspenso em um tronco de madeira. Há uma ambiguidade resultante do fato da carta poder ser vista invertida. O homem ou o mundo está de ponta cabeça? Há um halo sobre a cabeça do suposto mártir, que aponta para a crucificação crística. Nota-se que a árvore do sacrifício é de madeira viva, com folhas, e o rosto manifesta entendimento, não sofrimento.

Como um todo, há um sugestão de vida em suspensão, mas vida, não morte. A história natural é mais elevada incorporada neste simbolismo: após o sagrado Mistério da Morte há o glorioso Mistério da Ressurreição. A destruição do egoísmo vivifica a humanidade, e isto envolve o sacrifício que consagra.

segunda-feira, 23 de julho de 2012



Hoje o sol não amanheceu,
e isso não causou grande espanto.
Estrutura sólida interna me faz querer ir a merda,
mas não vou, pois agora sou e
caminho ao lado dos santos
mais puros, encantos obscuros
em cantos obscuros
enquanto, o que? merda.


o mundo em meu ombro me cobra
usando as próprias serras elétricas
que eu o presenteei


domingo, 22 de julho de 2012



Desde que deixei de ser orbitante para ser gravitacional. O que é que posso oferecer, senão mais fundos de poço? Não exalo cor, eu sugo. Horror estampado em meu estômago, como uma foto no verso do paiero. A melhor parte do  mais puro suco da ansiedade fica no fundo do liquidificador, pros insistentes. Duas garrafas de vinho, isso aqui parece a porra de uma lan house, mas eu to numa good. Grafo meu nome em tudo quanto é parede, pra tampar os ouvidos de quem não me entende. Eu não me entendo.


quinta-feira, 19 de julho de 2012



Eu perdi meu nome. Era uma tarde desgraçada regada a conhaque, paieros e outros. Procurei e perguntei pelas ruas mais cabreiras, como se não houvesse amanhã. Desisti de sentir meu próprio cheiro e de tocar um instrumento musical demonstrando virilidade, e não desespero. O nome voltou, mas eu já estava com outra garota, que não a primeira nem a terceira, e isso não me fazia sentir menos nojo de mim mesmo. Descobri uma nova palavra chamada fog. Ela não me fazia sentir repulsa. Adotei um novo nome, que não lama, nem nada assim de morfina. Eu me apresentava dizendo que foda-se o silêncio, quando eu quero o sagrado. O sagrado, ela me ligou de madrugada e disse, é uma expressão de um ser, algo como um nome. Eu é que me perdi dele.


terça-feira, 17 de julho de 2012





Jejum de afetos
minha voz escuto em mono
solitário só se pá, sorrateiro 
por onde anda meu sono

tá que tá de tanto demônio
que maldade é não confiar em simpatias
otário pelo receio em ter receio
redesenho pela manhã
o rei da cocaína
e seu sorriso me acalma
menos que algodões em ruínas

segunda-feira, 9 de julho de 2012


Lemmy kilmister, o cavaleiro inexistente e partido ao meio
beba-me, eu disse para alice.



sexta-feira, 29 de junho de 2012



Paciente, confiro se em meus bolsos existe vida
estou sem calças, não consigo diferenciar-me da cama
todo esse tempo esperando a salvação
o derradeiro momento em que me redimo
do excesso de culpa, que não virá
e os velhos contos suicidas que me aporrinham
nem a mais fria garota que já vi
consegue me fazer mais mau
do que eu mesmo comigo
refluxo existencial

a busca da cura

ó quem voltou doutor, o dono do flow que atormenta.
nocivo

domingo, 24 de junho de 2012



eu falo e falo. as coisas ao redor permanecem as mesmas, nada mudou, mas mesmo assim eu falo e falo, já que sou bom em me enganar bem e metafísicamente toda minha banca segue melando a tanga (pelo menos de um jeito digno) e se eu jamais me jogo embaixo do trem pra tentar capturar alguma cor só pra mim é pq tenho inato o nojo de ser egoísta e não querer mudar isso nem nada de jeito nenhum. Entretenho com gritos.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Todo homem terá talvez sentido essa espécie de pesar, se não terror, ao ver o mundo e sua história se mostrarem enredados num inelutável movimento que se amplia sempre mais e que parece modificar, para fins cada vez mais grosseiros, apenas suas manifestações visíveis. Esse mundo visível é o que é, e nossa ação sobre ele talvez não poderá nunca transformá-lo em outro. Sonhamos então, nostálgicos, com um universo em que o homem, em vez de agir com tanta fúria sobre a aparência visível, se dedicasse a desfazer-se dessa aparência, não somente recusando qualquer ação sobre ela, mas desnudando-se o bastante para descobrir esse lugar secreto, dentro de nós mesmos, a partir do qual seria possível uma aventura humana de todo diferente. Mais precisamente moral, sem dúvida.

domingo, 3 de junho de 2012


pouco a pouco
essa garota relembrou-me de que viver nem é tão insuportável,
eu, de troco,
acabei dizendo a ela que desenhar é sair correndo atrás de uma parte de mim
resolvendo os prováveis problemas de trajetória que eu, em fragmentada instância, estaria causando
com meus inúteis gritos de independência rotineiros
irreprimíveis vontades de causar dor
com marcas permanentes de ignorância e preguiça
boçais batuques no peito e perna
o custume em forçar pra disfarçar minha timidez
que por sua vez, uso para disfarçar meu medo
talvez viver seja mesmo insuportável
foi o que ela disse
tão baixo
tão baixo
tão chata

sexta-feira, 25 de maio de 2012



um samurai toca a campainha de minha casa,
reverencia-me e se mata.
em prol de sua honra eu admito seu carma agora como sendo o meu
já que não sou pacato,
violência também me excita,
primitivismo preso por essa sua forma de ver a vida
eu sempre sei que a repressão virá de forma desumana
nossa mão esquerda trepida na harmonia do piano
tenho meus traumas subsequentes
por ininterruptas gerações
bem quando supostamente estaríamos livres
surge uma luta diária para não diluírem nossas canções
ao meu lado questionamentos
eu olho meus próprios olhos olharem
eu penso tanto e não penso nada,
meu primeiro poema que escrevi falava sobre privadas
me sento nela e leio um quadrinho qualquer
em mim promove o bem
na minha poesia,
machado de assis só entra sozinho
se o sabota não vem.
reverencio-me para os ausentes
e sigo o compromisso de correr e olhar o céu
já que boas notícias são raras



sábado, 19 de maio de 2012


digo que amanhã não vou mais estar neste quarto abafado
e isso não quer dizer nada
por isso digo também que as garotas
me confundem e me amam e me odeiam
mesmo sabendo que eu não quero dizer nada
e que isso não é nada para um mundo
em perigo por ouvir de menos o mundo
e demais as palavras da sintonia privada
que diz que essa besteira toda aqui é tudo,
e um excesso de vícios
explodindo em desgraça
com mais uns tiros de ciúmes
e olhos fechados de inocentes pais ausentes
isso, exato, isso
isso não dizem que é nada

domingo, 13 de maio de 2012



somos nós a justiça é o que mais escuto e que sou ansioso pra caralho pois construo outro mundo
sem humanos nem autônomos só de cães famintos e febre oca e terra oca e zeitgeist qieu não vou ver e os mutantes quieu não vou ouvir só tom de preguiça e se é verdade que jamais se avista uma outra boca daquelas eu já não troco por aquele par de olhos tristes lado a lado lá no chão, e que nem sabem que você está descalça no quinto verso e só você


quarta-feira, 25 de abril de 2012


o foda é que
entre minhas costelas sinto fome
e nem um pouco de vontade de comer
Dela,  tomei tudo o que fui capaz
saqueei seus mais bobos sonhos
eu sempre trabalho pesado pra isso
e para que o centro do palco e das atenções seja eu
sabendo que nada disso nutre nem acalma
em verdade só leva de mim o que pensei ter conquistado
toda uma grande coleção de coisas roubadas
meus tesouros introspectivos
minha violência em forma de amor inconsequente
e minha rara sinceridade, pura e intacta,
coletada num cinzeiro e armazenada com todo o resto
nos meus documentos e nos meus não intentos
eles e os olhos nunca mais abro
nem nunca mando para a lixeira.
meu medo ainda é maior que eu,
mas é só


domingo, 22 de abril de 2012

a professora lígia é uma existencialista

amor é a transformaçao de um curto espaço de tempo
situado entre fumar um banza e ler um quadrinho do Crumb
o exato momento em que te vejo
deliciosamente pelada em minha cama
com uma das calmas mais conscientes possíveis
lendo mais um quadrinho sobre as experiências alucinógenas
que deram origem a esse próprio quadrinho
e as minhas próprias experiências
que te animam te excitam e me deixam
colocar mais tempo dentro do tempo lá dentro
logo depois, não nos matamos
as conversas se dão a partir do momento em que eu acendo um cigarro
e seguimos olhando pro teto e não para os olhos
não tenho cachorros para alimentar
a vida tá longe de estar fácil
não que esteja difícil
agradeço ao meu redor as pessoas que só falam merda
se meu desenho vai clareando quanto aos detalhes
na real escurece quanto ao significado
uma escolha
as vezes te deixo pelada no quarto escuro meu lá
jogo um futebol no video game com os brothers e umas cervejas
um ponto
habitualmente volto e tento agradar com um copo de água e uma massagem
mesmo sabendo que você já fez questão de colocar seu vestido novamente
logo menos entre seus lábios de morder
seus dentes brancos entre uma cara e outra de séria
minha confusão sobre suas vontades
eu já disse que não tenho cachorro
sou só eu mesmo e caixas dentro de caixas
definições de amor por escrito
jamais teríamos escutado Nina Simone
eu não falaria de rap
ficaríamos em um segredo
uma partícula pontual na história da humanidade
eu, você e a Nina Simone sabendo exatamente a mesma coisa
e pensando-a com as mesmas palavras
deixando alegorias para fracos padres e literatos:
não aguentam 2 minutos num ringue
não bebem o bastante, nem se bastam para poderem beber dignamente
não podem ser alimentados com espectativas depois da meia noite
fundações e impérios não são como uivos na estrada,
sozinhos a pé num planeta em moebius
na hora da fome, o amor também pode ser um jeito de querer 
saturno por suposto tem a obrigação de existir
eu não
sou verbo inconsequente e direto
cão faminto de ruas mal iluminadas
eu nem sou mais aquele moleque
sou sono

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Perdido na mais pura indisciplina, a partir deste momento, no que restou do mundo possível, as poucas pessoas não fazem sentido pois, a priori ,são intocáveis. Assisto pornôs repetidos, mas não leio a literatura de agora. Catarros implantados em patrimônio público, a mais pura raiva se transforma no mais pesado sono. A primavera no extremo oposto, o velho gosto de um amor não correspondido por uma dificuldade no paralelismo de ambos os olhares. O noticiário tornou-se nosso teatro, e de pouco em pouco percebemos que inclusive a lama com todos os seus satélites, que era o que chamávamos de norte, agora perdeu-se e só está lá em cima, num ponto que já quase nem mais cogitamos alcançar, a não ser que consigamos nos perder ainda mais.

terça-feira, 17 de abril de 2012

tretas pedagógicas

Liberalismo é a Doutrina que tomou para si a defesa e a realização da liberdade no campo político. Nasceu e afirmou-se na modernidade e pode ser dividida em duas fases: primeira, a do séc. XVII, caracterizada pelo individualismo; segunda do séc. XIX, caracterizada pelo estatismo.
 A primeira fase é caracterizada pelas seguintes linhas doutrinárias, que constituem os instrumentos das primeiras afirmações políticas do liberalismo. : a) jusnaturalismo, que consiste em atribuir ao indivíduo direitos originários e inalienáveis; b) contratualismo, que consiste em considerar a sociedade humana e o Estado como fruto de convenção entre indivíduos; c) Liberalismo econômico, próprio da escola fisiocrática, que combate a intervenção do Estado nos assuntos econômicos e quer que estes sigam exclusivamente seu curso natural. d) como consequência global das doutrinas precedentes, negação do absolutismo estatal e redução da ação do Estado a limites definidos, mediante a divisão de poderes. O postulado fundamental dessa fase do Liberalismo é a coincidência entre interesse privado e público. Jusnaturalistas e moralistas, como Bentham, acreditavam que bastava ao indivíduo buscar inteligentemente sua própria felicidade para estar buscando, simultaneamente, a felicidade dos demais. A doutrina econômica de Adam Smith baseia-se no pressuposto análogo da coincidência entre o interesse econômico do indivíduo e o interesse econômico da sociedade.
 A segunda fase do Liberalismo começa quando esse postulado entra numa crise cujos precedentes se econtram nas doutrinas políticas de Rousseau, Burke e Hegel, bem como no fato de que, no terreno político e econômico, o Liberalismo individualista parecia defender uma classe determinada de cidadãos (a burguesia), e não a totalidade dos cidadãos. O contrato social (1762) de Rousseau já constitui uma guinada no individualismo. Para Rousseau, os direitos que o jusnaturalismo atribuíra aos indivíduos pertencem apenas ao cidadão. '' O que o homem perde com o contrato social é sua liberdade e o direito ilimitado a tudo o que o tenta e que ele pode obter; o que ganha é a liberdade civil e a propriedade de tudo o que possui. ''. Mas, na realidade, só ''a obediência à lei que ele mesmo prescreveu é liberdade'', de tal forma que só no estado o homem é livre. (Contrato social,I, 8). A afirmada infabilidade da ''vontade geral'', resultante da ''alienação total de cada associado com todos os seus direitos a toda a comunidade'', transforma aquilo que para o individualismo é a coincidência do interesse individual com o interesse comum na coincidência -preliminar e garantida - do interesse estatal com o interesse individual. Dessa forma, ia-se afirmando a superioridade do Estado sobre o indivíduo, contra a qual o Liberalismo se insurgira em sua primeira fase. Tal superioridade também é reconfirmada por Burke: '' A sociedade é um contrato, mas ,embora os contratos sobre objetos de interesse ocasional possam ser desfeitos a bel-prazer, não se pode considerar que o Estado tenha o mesmo valor de um acordo entre as partes num comércio de especiarias e café''. [...] Deve ser considerado com reverência porque não é a participação em coisas que servem somente a existência animal [...]: é uma sociedade em todas as ciências, em todas as artes, em todas as virtudes e em toda a perfeição''. (Reflection on the Revolution in France, 1790; Works, II, p.368). Mas o ponto alto desta doutrina encontra-se em Hegel, para quem ele é ''o ingresso de Deus no mundo'', razão pela qual seu fundamento é a potência da razão que se realiza como vontade'' (Fil. do dir., s 258, Zusatz). Com essa exaltação do Estado concordava outro ramo do romantismo do século XIX, o positivismo:
Comte preconizava um estatismo tão absolutista quanto o Hegeliano (Système de politique positive, 1851-54;IV, p65), e Stuart Mill, mesmo sem fazer concessões às concepções absolutistas, deixava grande margem à ação do Estado, mesmo no domínio que, para o liberalismo clássico, deveria ficar reservado exclusivamente para a iniciativa individual: O econômico. O ensaio Sobre a liberdade (1859) de Stuart Mill, tendia, ao mesmo tempo, a retirar a liberdade do rol de condições indispensáveis para o exercício da atividade moral, jurídica, econômica etc. ( segundo a concepção do Liberalismo clássico), e a transformá-la num ideal ou valor em si (independente das possibilidades que oferece). Isso não impede que essa obra seja uma das mais nobres e apaixonadas defesas da liberdade.
Nas primeiras décadas do século XX assistiu-se à continuação desse Liberalismo estatista. Tanto o idealismo inglês quanto o italiano insistiram no caráter divino do Estado. Foi o que fizeram Bosanquet (The Philosophical Theory of the State, 1899) e Gentile, que identificou o Estado com o Eu Absoluto ( Genesi e struttura della societá, póstuma, 1946) A inspiração Hegeliana prevalecia também na doutrina de Croce, que no entanto permaneceria fiel ao ideal clássico de liberdade, demonstrando-o na prática, durante o fascismo. Para Croce, Liberalismo é a doutrina do desenvolvimento dialético da história, que tudo absolve e justifica, mesmo o absolutismo e a negação da liberdade. O socialismo marxista pode ser considerado uma das manifestações dessa mesma forma de liberalismo (ao qual se liga diretamente através de Hegel).
Os partidos políticos que, a partir do início do século XIX, desfraldaram a bandeira liberal inspiraram-se em uma e em outra das diretrizes fundamentais ora expressas: individualismo ou estatismo.  Portanto, um grande número de correntes políticas díspares e por vezes opostas puderam falar em nome do Liberalismo: partidos que negaram o valor do Estado (como o radicalismo inglês do século passado), partidos que exaltaram o valor do estado ( como a chamada direita histórica da Itália após o risorgimento), partidos que recusaram qualquer ingerência do estado em assuntos econômicos (como fazem ainda hoje alguns partidos liberais europeus.), partidos que defendem a intervenção do estado na iniciativa e na direção dos negócios econômicos, partidos que consideram a liberdade como condição para a prática de qualquer atividade humana e partidos que a relegaram para o empíreo dos ''valores'' puros. Esses contrastes são a manifestação evidente do caráter compósito da doutrina liberal, caráter este que decorre do modo aproximativo e confuso como foi tratada a noção que deveria ser fundamental para o Liberalismo : a de liberdade. O recurso casual ou sub-reptício a um ou outro dos conceitos de liberdade elaborados na história do pensamento filosófico tornou a idéia liberal em política confusa e oscilante, conduzindo-a por vezes à defesa e à aceitação da não liberdade.


logo menos mais

segunda-feira, 16 de abril de 2012

fitas pedagógicas tensas

O conceito de positivismo, segundo o dicionário do Abbagnano:

O termo positivismo foi empregado pela primeira vez por Saint-Simon, para designar o método exato das ciências e sua extensão para a filosofia (De la religion Saint-Simonienne, 1830, p.3).Foi adotado por Augusto Comte para sua filosofia e , graças a ele, passou a designar uma grande corrente filosófica que, na segunda metade do séc. XIX, teve numerosíssimas e variadas manifestações em todos os países do mundo ocidental. A característica do Positivismo é a romantização da ciência, sua devoção como único guia da vida individual e social do homem, único conhecimento, única moral, única religião possível. Como romantismo em ciência, o Positivismo acompanha e estimula o nascimento e a afirmação da organização técnico-industrial da sociedade moderna e expressa a exaltação otimista que acompanhou a origem do industrialismo. É possível distinguir duas formas históricas fundamentais do Positivismo: O Positivismo social de Saint-Simon, Comte, John Stuart Mill, nascido da exigência de constituir a ciência como fundamento de uma nova ordenação social e religiosa unitária; e o Positivismo evolucionista de Spencer, que estende a todo o universo o conceito de progresso e procura impô-lo a todos os ramos da ciência.
As teses fundamentais do Positivismo são as seguintes:
1- A ciência é o único conhecimento possível, e o método da ciência é o único válido: portanto, o recurso a causas ou princípios não acessíveis ao método da ciência não dá origem a conhecimentos; a metafísica, que recorre a tal método, não tem nenhum valor.
2-O método da ciência é puramente descritivo, no sentido de descrever os fatos e mostrar as relações constantes entre os fatos expressos pelas leis, que permitem a previsão dos próprios fatos (Comte);  ou no sentido de mostrar a gênese evolutiva dos fatos mais complexos a partir dos mais simples (Spencer).
3- O método da ciência, por ser o único válido, deve ser estendido a todos os campos de indagação e da atividade humana; toda a vida humana, individual ou social, deve ser guiada por ele.
O Positivismo presidiu à primeira participação ativa da ciência moderna na organização social e constitui até hoje uma das alternativas fundamentais em termos de conceito filosófico, mesmo depois de abandonadas as ilusões totalitárias do Positivismo romântico, expressas na pretensão de absorver na ciência qualquer manifestação humana.


de pouco em pouco vou desenrolando uma fita pra vocês,
fiquem na paz

terça-feira, 10 de abril de 2012

Eu nunca nem gostei tanto dos artistas plásticos, primeiro porque eu os desconhecia, e depois, porque eu já perdia tempo demais pagando pau para escritores como o Saramago e o Cortázar. Só que agora, talvez por esse ser o meu, sei lá, ofício, então eu estou muito mais envolvido cas paradas visuais. Não que antes eu fosse totalmente alheio. Tinha todo aquele lance de poesia concreta e o jeito como os meninos conseguiram uma comunicação quase plena através de lógicas imagéticas ô coisa linda de deus. Só que manos e minas, vou dizer um segredo e é que numa imagem é possível colocar quantidades incalculáveis  de significados possíveis e imagináveis. O discurso que existe por trás de um desenho é quase infinito. Porra mano, nossos problemas são problemas de comunicação, precisamos nos organizar, já que, penso eu, otimista pra caralho, queremos todos o bem geral da espécie humana e só estamos confusos um pouco, mas essa é a função da babilônia: inverter o valor de tudo.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

foi-se o tempo.
de norte agora
problemas
pessoas que aprenderam
de forma tensa a levar suas próprias vidas
de forma mais tensa
carga a ser passada adiante,
ofício de endurecer cupins alheio
para que a vida deixe de ser interessante
por um momento.

sábado, 31 de março de 2012

A soma do conhecimento humano está para além de um só indivíduo, de mil indivíduos até. Com a destruição da nossa estrutura social a ciência fragmentar-se-á num milhão de pequenas partículas. Saber-se-á muito de pequenas facetas de um conhecimento total. Por si serão inúteis, fragmentos de usos e de costumes não terão significado e não serão ultrapassados. Perder-se-ão através das gerações.

Isaac Azimov, em Fundação, profeta pra porra.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Foi se o tempo da leveza. Abro os olhos, estou numa conversa. Não sei se fui eu quem disse ou ela. Ela é difícil de se conversar. Pra cada uma palavra que diz, sessenta estão subentendidas. Tem a outra, aquela que não diz nem camufla nada. Pra cada uma palavra que diz, a realidade toda converte-se em uma mão pesada, e dá me um tapa dos mais fortes. Os discos de vinil são roubados, ficaram neles os ouvidos dos donos antigos. Escuto todos os sons, mas perco sempre o silêncio. Despertar e desespero. Ela não disse um espero estar presente nos seus desejos quando se encontrar com outra. E isso é preocupante, mulheres tramam para nos prender a elas. Já elas não se prendem a nada que não lhes faça cogitar uma existência ausente de tédio. Diz me que sua vida é mais fácil pois vive de verdade, já que mesmo que a verdade acarrete pesos de consciência,  ainda assim é menos trabalhosa do que a necessidade de construir sobre si mesmo uma existência tão foda como aquela que você pode ter inventado para alguma garota te admirar e dormir pensando noite após o dia se o jeito que de se despedir é um símbolo representando todo o mundo que ela conhece. Todo o mundo ela conhece. E é assim, tão pequena e bonita. Seu sorriso me incentiva mais a viver do que qualquer livro de filosofia ou história em quadrinho de ritmo beatnick. Ela sabe o que eu quero, eu sei que ela finge que sabe.  Agora. São longuinho, são longuito, onde estão meus olhos? Ela me olha e eu passo de música. Ela me morde, diz que gosta de meninas, que está comigo mas que está pensando em outra. Despertar, apenas. Saio do quarto sem acordá-la e também seus planos. Em casa me sinto sempre inquieto. Antes de sair não calculo em quantas horas voltarei. Escuto um tiro. Ou só mais um barulho do bairro, talvez uma encruzilhada distante. Os traços mais falsos são capazes de impressionar a todos. Não é como um hologrâma, que para não ser apreciado precisa primeiro ser entendido. Ou simplesmente ser visto de caneca vazia. O café, solúvel ou não, é só um liquído para preencher o tédio. Seu valor consiste em invocar um cigarro, o último shamãn da civilização ocidental . É um momento. E neste momento, apenas, o relativo não me importa. Uma coisa é isso ou é isso, está certa ou está errada. Todos sabemos que a fumaça entra arregaçando com nossas células tão preciosas, e que o vício é um amor pela auto destruição. Ou deveríamos. Eu falo alto e só por isso já sou mais importante para ela do que o outro. Suas vaidades mais profundas. Responsabilidades compartilhadas por 2 pessoas capazes de distrair o tempo. Na imensidão das representações tenho apenas vontades. Tocar guitarra, pular na piscina e depois ainda dormir com essa garota. Até que você esqueça seu nome, e então finalmente está livre. Deixa de dizer em nome de,que no caso era você, e passa a dizer e só dizer. Aquilo que precisa ser dito. Como o fez Sabotagem. Foda-se Ferreira Gullar, e se o Nobel fosse algo significativo, Mauro Mateus seria sim o primeiro brasileiro a realmente merecê-lo. O que se faz e o que se fez são coisas diferentíssimas. O que eu fiz foi puxar forte e prender a poesia, para cair com ela num ônibus caindo aos pedaços, e então comprarmos juntos algum biscoitos de polvilho e uma boa cerveja em algum canto desprezado pela América latina.

quarta-feira, 21 de março de 2012

e ontem eu vi saturno. pourra bitcho, saturno. ele existe mesmo e é grande, lento e incalculável, bem do jeito que eu não imaginava, porque eu sempre só o via em alguma revista, em algum desenho animado, e não com um telescópio e um sagaz olhar sedento pelo empírico, enxarcado com seus anéis e luas, estáticos num momento distante e em distâncias tão grandes que nossas palavras já nem fazem sentido, mesmo que alguém resolva uní-las, pensando que com um hífen seja capaz de fixar uma realidade que nunca nos coube inteligir, anos-luz de um entendimento e de uma condição somente agraciada, vez ou outra, com o fantástico que se deixa revelar para que exista ânimo de moleques solitários irremediáveis, mas ainda assim plenamente convictos de que vale a pena um dia após um outro, pra poder fixar depois um momento, e um só, o de saturno, com o seu tempo que não pretende ser capturado em relógios de pulso e compromissos inadiáveis, nem para voltar a sentar com os pés na água e essa garota que conta estrelas cadentes que só aparecem mesmo no interior, onde a luz ainda não impera, pelo menos não ainda nesse ano, e depois me diz que gostaria de ir embora, mas ainda não sabe meu nome de verdade.

segunda-feira, 19 de março de 2012

segundona

É questionável a realidade da minha realidade aqui na universidade. Moro numa república com mais 8 pessoas e somos todos brothers uns dos outros, temos uma piscina um play 3 e dezenas de instrumentos musicais. Nossas conversas sobre idiotices e mulheres são permeadas com sérias discussões de ensino, filosóficas, de arte e de literatura e quadrinhos. Eu lanço a idéia de desenhar na geladeira e todo mundo fica eufórico e abraça. As mesmas pessoas que quase, ou totalmente, varam a noite trocando idéia e indo nas festas por aí, são as que depois acordam cedo, ou nem dormem, e já vão para a aula, com uma seriedade e um respeito pelo que estudam inquestionáveis. Eu tenho aulas teóricas que se tornam aulas práticas, e isso é a melhor coisa que já me aconteceu na vida. E enfim, frente a tudo isso, é impossível que eu não me questione quanto a verdade da minha vida, que, por ser tão contrastante com a realidade geral do espaço em que vivemos, o Brasil, qual sua responsabilidade frente a isso, visto que meus estudos são bancados com verbas públicas. Acho que não existe resposta, mas talvez exista, na pergunta, uma validação da minha busca, quer dizer, desde que eu não me esqueça disso, talvez eu não me perca nos trâmites e arapucas que a babilônia nos prega, diariamente. E seguir curtindo uma vida surreal em que eu tenho um programa na rádio Muda, e entre um rap e outro blues, peço no mic um cigarro e um desconhecido aparece com um maço em plena madrugada, e além do papo, de quebra ainda me ensina a manusear o toca discos dignamente.

quarta-feira, 14 de março de 2012

curinópolis

nos dias que a cabeça funciona no tipo exportação, tudo tende a não funcionar direito, ainda que o cliente mais importante não se importe e até incentive que assim eu continue, como se eu fosse um trem que parte para poder ser trem, ou como um trem que fica para poder não ser. ah o blues, ele também me disse, ah o blues. seria bom se eu tivesse nascido onde nasceu o blues, quero ver um stravinsky fazer o que ele fez nascendo em alguma roça esquecida no mundo. 




 













Em um futuro incerto, a cidade está devastada e você está com estranhos poderes elétricos e habilidades físicas extremamente desenvolvidas, que o faz, a todo tempo, se questionar sobre seus valores, que por um lado o tencionam a seguir sendo bom e ajudando o que sobrou da humanidade contra as milícias que no caos as domina, ou destruir as milícias, mas não necessáriamente protegendo os pacatos cidadões amedrontados, e, sim, muitas vezes agrendindo-os para bem agradar sua vontade, seu prazer e seu sadismo. a população está em choque, dividida entre os que te amam e os que te vêem como uma ameaça, o gasto provérbio, quem vigiará os vigilantes, volta a fazer sentido e você percebe que por mais que tudo saia bem, por fim, sobrará você, que tinha o poder de fazer algo e o fez, mas que jamais saberá como seria não ter feito, num tempo em que só lhe restará o pobre poder supremo da abstração para dia após dia seguir escrevendo na era do video game.

quarta

Quanto mais o tempo passa, mais eu percebo que o entendimento lógico é insuficiente, incoerente e, muitas vezes, só se valida na área de conhecimento em que atua. O quão preocupante é isto? Não sei. Só sei que sou a exceção da exceção da exceção, já que dentro da américa latina, existe uma bolha chamada Brasil, que, consequentemente possui sua bolha chamada São Paulo, que também possui suas bolhas internas, como a região de Campinas, polo tecnológico, e dentro dela Barão Geraldo, subdistrito praticamente em função de 3 universidades, uma delas a Unicamp, que, de seus tantos institutos, possui uma grande bolha circundando os intitutos de filosofia e ciências humanas, o instituto de estudos da linguagem, e o instituto de artes, sendo que, cada aluno deste lugar é uma bolha de interesses próprios e frequentemente incríveis.
Por exemplo, ontem eu estava falando sobre o rap, e evidenciando os motivos que me fazem realmente acreditar que ele seja a música dos nossos tempos, como foi o jazz nos anos 50, e como finalmente temos uma música na velocidade, veracidade e peso da nossa geração, uma geração sem nenhuma grande guerra para lutar, uma geração sem nenhuma grande ditadura para combater, pelo menos não explícita, pelo menos não unificada,  mas que ainda é uma geração, e que tem em si a vontade de gerar algo.
Enfim, no fim de tudo o que falei, ela só disse que é incrível o fato de algo ser tão importante para mim e no meu mundo fazer tanto sentido e ela desconhecer totalmente. Deve ser isso mesmo, todos estamos procurando respostas, cada um do seu jeito.
Depois de ter lido os intelectuais e a organização da cultura, do Gramsci, pouco a pouco estou deixando de ser pedante e arrogante, mesmo antes eu fosse, mas, acredito, sem nem um pouco de maldade. É que, mano, existem diversos tipos de conhecimentos, o racional é apenas um deles, e se, por um momento ele é capaz, ou não, de pensar-se a si próprio, já quanto a todo o conjunto ele ainda é fálido, visto que sempre terá uma visão de fora. as pessoas todas tem o seu rolê, cada um na sua própria velocidade. E eu sou a exceção da exceção, o que tira mais ainda qualquer possibilidade de orgulho, já que sou privilegiado por bosta de sempre ter tido oportunidade para estudar e enfim cair no instituto de artes, no curso de artes plásticas, um lugar onde as pessoas ocupam-se em ter uma boa formação prática e teórica para mostrar suas próprias, individualíssimas e fantásticas visões de mundo. E isso sempre encheu a barriga existencial das pessoas, ou os poetas já teriam sido extintos. Encheu a barriga mesmo sem que saibamos ao certo se realmente o que ofereceram foi de fato mastigado, ou, na pior das hipóteses, se o que ofereceram era tragável.
Mais foda ainda é pensar que alimentaram-se, mas não passou de necessidade, como se o pensamento analítico, expositivo, dedutivo, científico, ou até místico, em certas horas precisasse parar, e então confortar-se num mundo alheio, de existência comprovada, ou, no mínimo, de origem localizada, a cabeça do artista e seus não limites.
Não temam, as parabólicas enfiadas na lama acabam de enviar uma mensagem para as autoridades dizendo que há fronteiras nos jardins da razão.
Considerar a educação sensível como prioridade nas escolas, através do contato direto com obras de arte, músicas, literatura, danças, peças e outras manifestações culturais.
Pois desperta, e de olhos abertos será mais fácil de vermos a praia melhor pra ficar.

terça-feira, 13 de março de 2012

Sei bem onde isso vai chegar. sei bem onde vai isso chegar. sei bem onde vai chegar isso. sei bem onde vai. Isso. Premeditações validam recusas, digo obrigado e que eu já sei o que encontraremos, e abstenho-me de seguir um destino que não seja o que eu decidi para mim. Mas ela convida é para voar, e um voo é sempre mais difícil de se interpretar do que se possa imaginar. Lentos, seus olhos refletem sentimentos lentos. a tristeza é um sentimento lento, por exemplo, e o exemplo é um conceito lento. menos  sua risada, que é de quem já sabe o fim da piada, mas consegue esquêce-lo, só para rir com alguém diferente. só para rir de como somos ridículas besteiras, e, principalmente, tempocentristas. foda. como recusar um pensamento tão instigador, de que nosso tempo é que é o tempo, e que devê-mos impô-lo aos que não o utilizam. aqueles que possuirem outros tempos, logicamente, não entenderão nossa força interventiva e revidarão, o que é coerente para seus pensamentos tão ridículamente enclausurados em um só tempo, haha, que idéia, um só tempo, quando vou te dar o presente? quando eu tiver o presente. você é uma contradição. já tenho a idéia de um presente, e sei que quero você junto dela. como se na pressa pegássemos um ônibus pois queremos chegar na hora certa, mas não sabemos que o tempo dos ônibus é um outro tempo, e que quando chegamos nos lugares, para que não haja mais contratempos, as pessoas, inconscientemente, consideram um tempo universal, e não diversos tempos, específicamente, na forma do um por um, de forma a não considerar a mesma coisa o tempo que você passa escrevendo, o tempo em que você percebe o tempo como o tempo, e o tempo que você leva para conseguir esquecer disso e conseguir viver. viver é um verbo e pertence a classe de palavras fracas, que constantemente precisa apoiar-se em um pressuposto para existir, no caso, por exemplo, no tempo, que, assim como o espaço, não precisam de nada mais para se apoiarem, a não ser neles próprios. e existe um nome para isso, uma personificação de infinitas potências em atos.  ela sorri quando eu corro atrás do ônibus e ainda consigo entrar. talvez os sintomas de sua influência sobre mim tenham se mostrado, essa incômoda mas novíssima sensação de não saber exatamente para onde estou indo.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Já é tempo desde que deixamos nosso espaço em comum tornar-se só um espaço comum, e então no lugar de seu rosto, quando tento lembrá-lo, vejo apenas algum instrumento musical, e penso das tantas vezes e lojas que fomos de música, de como saíamos sem vergonha de não comprar nada, com a preocupação em decorar cada nota, e tirar do nosso cômodo noite após noite aquele silêncio incômodo. seria besteira pensar que de mudar já não era mais tempo, que a construção já andava a passos largos, e que tudo estava prestes a terminar mesmo. tanto que encostávamos sim nossos pés de noite, e isso nunca perdemos, mesmo que eles soubessem antes de nós que, logo menos, no momento em que as notas  fossem encobridas pelo alarme de incêncido, eles desceriam descalços e em pontas, sem que nunca a perícia soubesse o que sabíamos, dos adornos usados nas estruturas, tanta preguiça ou fingimento de só saber cifras mas berrar em partituras.

domingo, 11 de março de 2012

De um ponto de vista extraterrestre, tudo seria mais fácil de ser analisado e resolvido. A visão clara de quem vê de fora cada pequeno contorno exato, e vai anotando a relação de cada coisa observada com a outra que se forma e se informa para seguir construindo dali pra frente, visão parcimoniosa de um mundo que tem desde fotossíntese e espionagem, até comissões especiais para análise de situações econômicas de países em risco e suporte técnico para montar seus móveis via telefone. E tudo é tão bonito. E isso faz com que seja tudo uma bosta. De não saber qual planeta é o que se vive, a partir do momento em que você o começa a observá-lo e vai perdendo os fios de ligação, por menor que já fossem. Câmbio, câmbio. Maga, quero entrar no quadro. Sim, o aprendizado, sei. Ninguém aprendeu sabendo.

sábado, 10 de março de 2012

_olá. _oi. _estive olhando seus olhos. _qual deles? _qualquer um dos seus quadros. eles são tristes. _você não ficou sabendo? eu até me matei_não importa. eram olhos de alguém em quem não se pode confiar. sou boa nisso. _e o que mais eu poderia fazer?_mudar. _não me alegrava a idéia de deixar de ser o que eu era, e me sobrava essência. _chegava a se contorcer. _no espaço e _no tempo. _o mundo agora te entende, tem até banco com seu nome._entenderam que não há nada a se fazer. eu sempre soube. _e quando você _morreu? _é. _constatei. _e como é? _como se o espaço fosse merda mole. _e o tempo? _o cagão responsável.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Subi de busão lotado pensando sobre como falar de paciência, uma coisa que prezo agora e mais que tudo. Pensei em falar dos meus desenhos, e pá, mas as antenas captaram um bnegão que vive isso já e faz muito. escuto então, com o máximo respeito.

:

Esse som é sobre a ciência da persistência versus a preguiça e a descrença, paciência é a sapiência do espírito, viver no presente é a base, a chave pra seguir bem na viagem, evite o desgaste desnecessário durante o seu itinerário no planeta, esse som é sobre o processo.

...
!

quarta-feira, 7 de março de 2012

quinta

já não me falta a mínima atenção necessária para não desperdiçar um cigarro, nem rodas de capoeira em câmera lenta, ou também extensos questionamentos filosóficos matinais acerca da força ideogrâmica e imagética de um mexicano profissional em luta livre, e, principalmente, já não me falta tudo aquilo que eu sempre fiz questão de não saber que existia, por exemplo as cores usadas como extensão de vazios, ou os vazios como extensões de silêncios, ou os silêncios como trilhas sonoras pra danças solitárias de essência quase shamânicas, tão fortes quanto um olhar apertado em direção a uma desconhecida, ou tão fracas quanto minhas certezas coerentes, mas de toda forma, nunca contornadas, para que eu me lembre de uma eterna ilusão, a do mundo ser solúvel num universo, que, aliás, eu já deveria já ter começado a construir, só que como já são duas da matina e amanhã já cedo eu já nem vou saber se tenho sono ou se é só um já, dito assim, já, só para marcar um momento, assim como já se foi o beijo de klimt, já não tão inevitável, simples já, um já.

terça-feira, 6 de março de 2012

terça

É inegável a afirmação de que a espécie humana falhou como espécie, e nem precisamos falar das variáveis políticas e sociais- falhamos logo de cara no quesito nominal de espécie, já que, salvo raras exceções, os seres humanos são só contemporâneos em um espaço, mas não necessariamente relacionam-se entre si.
Manja?
Tem o culto ao indivíduo, o inquestionável respeito pela propriedade e a doentia busca por uma felicidade apregoada pelos livros de auto ajuda, que estão gerando indivíduos egoístas e otários, numa corrida desenfreada por, por, pelo que mesmo?
Eu, por exemplo, sou egoísta pra caralho. E se agora tento pensar primeiro no coletivo e nas pessoas ao meu redor, é porque percebi que, como diz o rei roberto, de que adianta tudo isto se você não está aqui? (nunca soube se o você é você, ou sou eu).
Mas é muito difícil. O sistema em que vivemos quer resultados, e, de preferências, resultados a que se possam atribuir valores. Meus pais querem resultados, meus amigos querem ver resultados, eu quero resultados.
Mas, o que são resultados?
Coisas que garantam minha felicidade, penso. Mas em geral isso é coisa que nós não pensamos a respeito, meio que já se internalizou em nós, e tanto, que nem lembramos disso: apenas queremos resultados.
E se resultados individuais demandam esforços, resultados coletivos são milhões de vezes mais complexos, mais trabalhosos e não geram nem fama, nem conforto, nem poder, a santíssima trindade dos dias de hoje.
E a carreira solo é mais vantajosa. Se não vem com fama e poder, no mínimo conforto, dizem, o capitalismo assegurará.
Mas mano, mano, nem para isso temos culhões o suficiente.
Busca-se uma individualização de trajetos e de ganhos, mas repugna-se a solidão.
E nestes momentos é que as pessoas aglomeram-se sobre alguma bandeira, instituição, ou alguma coisa maior, que as façam acreditar que fazem parte de algo.
Transferem a responsabilidade de suas ações para além delas mesmas. Genes egoístas, Deuses, Deus, não importa.
E seguimos assim, uma espécie que se constrói dia a dia de contradições.
Se isso é bom ou ruim eu não sei. Só acho meio estúpido uma espécie que existe, não aceita sua própria precariedade, e ainda por cima esqueceu-se de maravilhar-se com todo esse mundão.
Não estamos entendendo nada.

segunda-feira, 5 de março de 2012

segundona

Uma semana com a vibe de encontrar Bnegão, Isca de Polícia, Arrigo Barnabé, Rodrigo Brandão, Ogi, Elo da Corrente e Munhoz vai ser difícil de acontecer novamente.
Além dos Lambe-lambes, das idéias trocadas e pessoas conhecidas, que eu sei que serão bem mais frequentes.
O estar nas artes e não mais na filosofia é algo que ando me questionando.
Penso que, na minha trajetória, tomei um rumo que tende mais ao palpável. Uma busca por ferramentas e meios para transmitir descrições da realidade, porém não mais de forma analítica e conceitual, mas sim emocional.
Algo como estar na pegada de lidar com a imposição das coisas, e principalmente de suas imagens, e a forma como elas são assimiladas por nossos olhos em um entendimento independente, ou preexistente, ao da razão.
E ver como todos insistem, contornam e resolvem os problemas decorrentes desta forma de conhecimento baseada em experiências estéticas, tentando relacioná-los com os problemas do meu mundo.
É, to empolgado.

domingo, 4 de março de 2012



Ele entrou na cozinha e ela estava lá, e os dois ficaram parados se examinando. Depois ficaram com os olhos pregados no chão e não trocaram uma palavra. Ambos eram muito poéticos para dizer alguma coisa. O que estava rolando entre eles era uma coisa muito chata, poética e silenciosa, um vínculo místico instantâneo.

sexta-feira, 2 de março de 2012

hola

Começo três filmes, não termino nenhum. Do livro mais incrível que já me deparei na minha vida, o jogo da amarelinha, não consigo ler mais do que dois microcapítulos. Nem o Corto Maltese, que veio de barco e chapéu dar a honra da visita, eu consigo ler direito. Escrevo uma meia dúzia de palavras que nem faço questão de salvar, desenho três ou quatro zumbis pra gastar nanquin e pronto, passou mais um dia que veio provar que não consigo mais prestar atenção em nada.

Sabe, eu tô pouco me importando se o que eu tenho é um transtorno de déficit de atenção, ou um taquipsiquismo, ou é pura frescura, sei lá. Eu só queria conseguir fazer uma coisa e fazer bem feito. Conseguir ler uma página inteira sem ter a impressão de que eu não li nada.  Estar ali, naquele momento, seja ele qual for. Mas não. Maldito, estou sempre abstraindo as coisas, construindo o futuro do pretérito das orações causais e aí quando alguém grita ritalina, só o que eu consigo pensar é na ruivinha dos mutantes. Não, não, não Jean Grey, é a Rita Lee.

Ahn, falando em remédios, um dos filmes que eu tentei assistir é o ''sem limites'', um filme sobre um escritor de merda que começa a usar um fármaco clandestino que aumenta a capacidade intelectual do sujeito e, consequentemente, o faz ficar podre de rico, vender muitos livros, ser admirado por todos e amado pelas mulheres. Até a parte que eu vi, como todos sabemos, tudo tem um preço e os vilões farmacêuticos caçam o sujeito e tentam matá-lo e blá, blá, blá. Desliguei.

É que aprendi uma coisa com o Pound, que com certeza me tornou um sujeito mais chato: se conhecermos certos clássicos, depois fica fácil descobrirmos os diluidores. Saca? Esse filme, e mais um milhão de filmes e livros que tem esse enrredozinho aí, nada mais são do que fracas releituras do Fausto, do Goethe, onde o sujeito vende a alma ao diabo, curte a vida e depois se fode, porque o diabo sempre vem cobrar.

Existe uma chance do próprio Fausto ser uma releitura de alguma lenda Alemã que não me lembro. Mas não importa, tenho fé que se o Goethe também estiver tentando me enganar, o diabo irá cobrá-lo.

No Mandarim, de Eça de Queiroz, o demônio foi cobrar. O cramunhão também foi cobrar o Motoqueiro Fantasma. Até o pobre Robert Johnson, que salvou nossas vidas, o diabo veio cobrar.

Nunca aconteceu comigo, mas acredito que quando o diabo vem nos cobrar, bem, não há nada a se fazer.

E agora que o papo chegou numa encruzilhada, separamos-nos.
Até.


(texto publicado em novembro. pouco tempo depois envolvi-me com a ritalina e por enquanto ninguém veio me cobrar nada. A não ser que as recentes tatuagens, cigarros e a vontade compulsiva de tirar com a cara das pessoas sejam o preço do foco)

quinta-feira, 1 de março de 2012

Sentindo o quanto é possível o não, e se sim, então começar lentamente a tentar descobrir os limites seguros a serem respeitados antes de que todos presenciem outra tragicomédia, assistam mais um amor incondicional tornar-se indiferença azul, de uma espaçonave sozinho ele escuta aquela risada de chaves no fundo da própria boca, será pela leve impressão de que nem tarde, mas cedo é que já vou, antes de mais um daqueles tiros não letais, antes de mais um dejavu daqueles em que, de cima do telhado, o personagem aponta pra deus e, antes de mais um dilúvio, grita que já sabia de tudo, isso mesmo, e seria tão pedante que nem Ele desconfiaria, pois viagens no tempo nunca foram de seu departamento, e a própria idéia foi a única que até então lhe fugiu do controle, o que foi um pequeno tempo pro espaço, acabou sendo um grande passo para a eternidade tentar se entender.

salve, salve


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

quarta

Nunca gostei de indivíduos que se deixam dissolver num coletivo, seja ele qual for, um time de futebol, uma chapa de grêmio estudantil, um partido político, uma seita, enfim, uma instituição.
Acho estúpida essa transferência de responsabilidades, esse ridículo agir em nome de.
Se é que somos livres mesmos, o eterno preço a ser pago por essa liberdade é a necessidade de, a todo momento, tomar decisões e fazer escolhas, que atualizam nossa existência.
Os constantes abusos dos policias através da força são um problemas e responsabilidades equânimes para todas as partes, sejam os generais, que ordenam distantes, os policiais que obedecem, e nós, que sabemos o que se passa e não nos mobilizamos, de forma a não cumprirmos em nada nossa cidadania.
Sou otimista a ponto de acreditar que, tanto por parte dos policias estúpidos, quanto por parte da nossa vegetabilidade mórbida, o que se passa é também um problema de formação, e não só um problema de caráter, como o dos engravatados.
Só não consigo entender essa abdicação de valores pessoais, que todos tanto se orgulham em ter, em favor de leis que não favorecem o coletivo, pelo simples fato de serem leis.
Essa obediência civil está chegando a níveis preocupantes e não está sendo uma via de mão dupla, já que a população em geral vive num terror cada vez maior. Hoje eu subi no sol das duas um puta morro del carajo, e o dedão levantado não me arranjou nenhuma carona, e olha que a maioria das pessoas estava sozinha no carro, e todos estavam indo para um destino em comum, que era o fim deste morro-rua-sem-saída.
Desconfiança que, creio eu, as pessoas estão tentando remediar ao fingirem não ver os cacetetes em vão.
E é isso. Façamos nós o contrapeso.
Hoje a noite, lá pras 10, show protesto na USP, com Benegão, Arrigo Barnabé, Isca de Polícia, Tulipa Ruiz e Patife band.
Foquemos o olhar para refletir que a coisa ta feia. A repressão de lá é a mesma repressão daqui, talvez mais explicíta, mas tão vergonhosa quanto.
Falou feios.
_Alo, pedro, aqui é o curirim, lembra, isso, isso, daquela viagem lá que fizemos juntos, filosofia, isso, isso, que viagem em mano,  não?
Mas e agora voltei pra vida unicamponesa e estou me reestruturando de casa comida e roupas nunca dantes lavadas.
Deixei um pé no ifch, parti com a cabeça pro ia, mas deixei um outro pé no iel, e é foda porque no fim das contas eu curto estar perdido, tentando olhar pra todo lado, consciência feito cachorro de apartamento no fim da tarde,  e o dia em que eu me achar vai ser chato, pois vai estar fixo.
To animado pro curso de artes e pras pessoas.
Sei não se tem cara de que tudo antes foi um preparo, por pensar que entrar na faculdade com 17 anos é besteira das maiores, ou por acreditar de fato em evolução. O que foi já foi e forá.
Estou matriculado numa porrada de disciplinas e meu plano inicial é tentar ir escrevendo e mostrando aqui no blog bastante as fitas que eu estiver estudando, produzindo e rolezeando. Posso mudar de idéia, mas até isso, pretendo comunicar.
Comunicar, comunicar. Tudo seria mais fácil se não existisse essa necessidade de comunicação. 
Não que as coisas estejam difíceis. Digo, sei lá. Acho que as coisas estão feias na Unicamp, politicamente falando. Não só lá, mas em Barão Geraldo, e em Campinas, e no Brasil.
Mas como sempre, o bom é ir tentando conciliar esse problemas gerais com os problemas de ordens existenciais, mais os amorosos, os familiares e os de produção de conhecimento, sem esquecer do essencial e mais difícil, que é um treinamento integral do olhar, pra ver que, os problemas existem, mas, acima de tudo, sou privilegiado pra caralho quanto ao acesso ao mundo.
Gostei de uma fita que um brother falou hoje sobre o Eduardo Galeano, que, ao ser chamado de intelectual, rebateu dizendo que intelectual é só uma cabeça, e ele gostava de estar de cabeça e sentimentos, em tudo.
Por aqui, eu só vejo a guerra: uma cabeça que sente muito pelos meus sentimentos, que só querem pensar, mas não sabem.
Ainda há tempo. Os maias nem eram assim tão sábios. Espero.



domingo, 26 de fevereiro de 2012

Domingueira cortazariana e caranguejeira

Tinham construído a casa no limite da selva, orientada para o sul evitando assim que a umidade dos ventos de março se somasse ao calor que a sombra das árvores atenuava um pouco.
Quando Winnie chegava
Deixou o parágrafo no meio, empurrou a máquina de escrever e acendeu o cachimbo. Winnie. O problema, como sempre, era Winnie. Quando tratava dela a fluidez se coagulava numa espécie de
Suspirando, apagou numa espécie de, porque detestava as facilidades do idioma, e pensou que não poderia continuar trabalhando até depois do jantar; as crianças logo iam chegar da escola e ele teria que preparar o banho, fazer a comida e ajudá-las nos seus
Por que no meio de uma enumeração tão simples havia como um buraco, uma impossibilidade de continuar? Era incompreensível, pois tinha passagens muito mais árduas que se construíam sem nenhum esforço, como se de algum modo já estivessem prontas para incidir na linguagem. Obviamente, nesses casos o melhor era
Largando o lápis, pensou que tudo se tornava abstrato demais; os obviamente os nesses casos, a velha tendência a fugir de situações definidas. Tinha a impressão de estar se afastando cada vez mais das fontes, de organizar quebra-cabeças de palavras que por sua vez
Fechou abruptamente o caderno e saiu para a varanda.
Impossível deixar essa palavra, varanda.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

sábado

Desde que eu era mais moleque do que sou, quando comecei a escrever, já estavam lá os fumantes interagindo nos contos que cheiravam urina do arouche com blues da praça roosevelt. Até em meus cadernos do ensino fundamental, meu desenho mais clássico, famoso e famigerado, o capitão novolin, o super herói mais bunda mole da história, lá estava ele fumando cigarro como um cretino ao invés de sentar a porrada em algum porra de criminoso, que provavelmente estaria fumando também.  Não sei se é influência, ou algum fator genético, mas desde que me lembro como gente apoiei o caubói marlboro nos momentos em que ele está no cavalo empinando e vendo o sol se pôr. E foda-se o resto de sua vida, não me importa. Como aquela vez em que a fumaça transfigurou-se num corpo, sentou-se na janela e me soprou no lustre até que eu me dissipasse. Eu quero parar de fumar, mas é o cigarro que me fuma, e sinto que ele está já para morrer de enfizema. Eu fumo pouquíssimo comparado com as pessoas que fumam, mas aprendi a fumar com uma pessoa foda. Me ensinou que aquilo tem a ver com momento, com o estar ali. E se tem uma coisa na vida que sou um bosta, é estar nos lugares que estou. Então meio que, inconscientemente, quando eu acendo um cigarro, eu dedico ao Bergson. Aos Mutarellianos: Diomedes, Agente, Paulo, Miguel, e Júnior, principalmente. E gosto de ir em lugares que as pessoas não se importam que fumem em seus estabelecimentos, como a cachaçaria, como o estúdio do Amilton. Lugares frequentados por pessoas que respeitam isso e não vão fazer uma denúncia anônima ao Kassab, e inconscientemente, ao ver um fumante, estão dedicando o copo de cerveja ao Thoreau. O cigarro, que junto do esqueiro, é o maior organizador de encontros inesperados, unificando brasa a brasa aqueles que pertencem a esta seita, a escória dos excluídos pelos politicamentes corretos, a corja dos mal quistos na sociedade da saúde e do ecologicamente correto. E se pela manhã, sozinho em casa, você encontra um cigarro avulso no bolso da bermuda, ao pensar que horas atrás a garota mais bonita da cidade pediu-lhe um cigarro no bar, e vocês não conversaram por ela ter seguido sua saga por tabaco, você nem chega a se entristecer, pois sabe que o deus cigarro é sábio e escreve certo por linhas de pólvora tortas.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Estar e já não estar.
Travado em muitos projetos. Nenhum de fato acabado, muitos pensados, planejados e prometidos.
Mas nunca terminados.
Ainda que a desesperança das pessoas que esperam algo de mim pareça ser menor, pois certamente sempre conheceram-me melhor do que me conheço, e desde o começo entusiasmaram menos do que eu.
Sabiam ver que incêndio quando é grande demais apaga rápido, já que atrai ou vira a própria chuva.
O ridículo é que meu maior medo em vida é o tédio.
Imbecil.
Se ele existe, bem deve ser um tédio em conviver eternamente com um sujeito incoerente e preguiçoso.
Escrevi agora que um espelho não é capaz de reconhecer o rosto de um cego.
Não entendi porque, mas vou ver se entendo.
Já que hoje mesmo não vou fazer nada do que pretendo, em matéria de desenho, de escrever, de quadrinho, de grafitty, de estudos...
Nesta altura do campeonato, ainda tenho a cara filhadaputa de acreditar que amanhã terei mais ânimo, iniciativa, ou sei lá o nome que posso dar para uma vegetabilidade da alma.
Ou talvez nem é pra tanto, é só pra quase, que já é um bom tanto.

ou seus cus,

quarta feira dia 29, as 21 e 40
vai passar my blueberry nights na cultura..
é meu filme preferido
digo, é meu blues preferido

falow manos e minas

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Em uma cadência uniforme e constante, a garota foi retirando, em forma de fatias retangulares, algumas densas camadas de cimento de um grande triângulo maciço: construiu sua primeira escada. Por não ainda conhecer a função de uma escada, e não conseguir pensar em nada melhor, subiu. Pensou em todo o amor que deixou pra trás, e por não saber outras funções que pudesse ter sua escada, entristeceu de solidão. Passo após passo foi sendo esquecida por nós. 


É meu amigo, chegou o seu chegará o dia em que tudo o que eu disser, será poesia.



o que a pé tece
o que apetece
o que parece prece
o que não perece

padece

o que
o que
o que
o que
E já acorda sem ar. Sentado na cama, pés deitados na cadeira.  Do banheiro, cantando uma música estúpida, vem forte a voz da garota que não fuma, mas aventurou-se para impressionar, em uma noite que não fluiu no tempo, nem se deu no espaço. Ela vestida apenas com a camiseta de banda que não é sua, pelada de qualquer resquício da cara de profeta do dia anterior. Repetia tanto que hoje tudo estaria diferente que ele até deixou de acreditar. Nem sabe que, além de tudo, está pra perder o hábito de duvidar das coisas.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

fico feliz. se isso me faz ser feito de algo, e mais feliz de estar sem troco pra essa que você me fez,
esse seus nãos planejados, essa carochice que ando escutando de que o firme do tronco é o prático, a idéia é a porca apática e só o sorriso é um só. isso somado e misturado em jejum com doses cavalares de remédios que lembrem a vida que ela não tem mais jeito que não curtir, volto a todas as rememoranças, por exemplo, de quando teus bends faziam minha bad, e que por fim eu só faria tudo aquilo de novo por tudo o que não fizémos. sei que será por um acaso ter avistado meu alvo, assim como também o sol do sertão ser quente feito deste jeito, e os fundos das horas acesas, e os fumos deixados nas quartas de que me esquivo diariamente com o que quer que eu tenha guardado no bolso. fico tão feliz que nem isso me faz querer estar por perto quando isso acontecer, nem fantasiado de consciente.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

pequenos bonecos feitos de pão, escolhi. e então de vez absurdo, isso. lembra de quando eu era criança, e corria até afundar na piscina. a vida. e todas aquelas gravuras do volpi, e todos aqueles cds sem capas, ou seja, tudo riscando jogado nas gavetas, e é como se eu tivesse uma faca e furasse a pele da bateria e depois cortasse os cabos e tomadas de toda aquela gente boa e honesta, e por deus, é como se eu esganasse Ella fitzgerald de pouco em pouco, e desrespeitasse as poucas coisas que acredito e ainda não se perderam na minha mochila, pendurada por uma só alça e toda manchada de tinta, roubada, assim como essa necessidade de, em um país tropical, ter de rebocar uma galáxia de coisas que desimportam pra todas as pessoas que amo e mesmo assim caminhar atrás de água pra fazer a coisa e não usar lágrimas, ou também motivos e não areia, ouve só, essa faixa não pulou nada.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sábado

Há um ano atrás eu estava melando as tangas de ansiedade para minha viagem à Irlanda.
Porra, passou-se um ano já, voltei e sou outra pessoa totalmente diferente, e todos perguntam se valeu a pena, e eu digo que sim, mas não tem muito a ver com valer ou não. Não sei bem.
Na mesma proporção, cresce de um lado minha maturidade em saber que sou moleque, e do outro lado uma inquietude do caralho. Mas isso me alegra, pois cada vez mais sinto-me mais preparado, ou, ao menos, buscando ferramentas pra saber o que fazer com essa inquietude, fazer disso um inquietração.
E se sou triste e desesperançoso em grande parte do tempo que estou sozinho, desta vez estou feliz. Acordei com uma sensação de fim de ciclo, ou começo. Não sei quanto vai durar essa fase de ser meio cronopio, meio fama, acordar e querer sair logo da cama.
E que essa nota sirva como uma oração, de agradecimento. Porque rezar mesmo eu nunca soube, nem agora com Ritalina.
Encontrarei a maga?

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

quarta é quinta

véspera de carnaval, pinhal, êo
Acabei de falar com o Plinião, e agora sinto um sentido depois de uma semana de muito papo com o Italo Calvino, os Concretistas, o Black alien, o Galeano.
É, não dá pra explicar. Até porque to bêbado. Eita porra.
Alias, êta porra, do Amiri. Escuta ae que você vai ver o que é fita cabulosa.
Falando em, também digo que fita cabulosa tá é minha vida.
Acho que é porque ontem eu vi Donnie Darko de novo.
Na primeira vez que eu vi Donnie Darko, há mais ou menos um mês, eu fiquei em choque durante dias. Não só tocou profundamente meu mais profundo medo, como também disse e muito sobre minhas questões de viagens temporais.
(Sério, não dá pra me levar a sério. )
Passou, passou.
Ontem foi mais sussa. O filme apenas reimplantou em minha cabeça aquela idéia de que tudo está conspirando, está construindo um destino, de que cada coisa é essencial e que nosso caminho foi pré-determinado de forma tão forte e firme que até uma tentativa de saída dos eixos já era premeditada.
Foda em.
Tão foda que é melhor deixarmos pra lá.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Um documentário que curto é o Palavra (en)cantada. É sobre muitas coisas, mas principalmente sobre o casamento da música com essa outra besteira, a palavra, e de como essa união se dá na música popular brasileira, nossa herança dos trovadores hibéricos, poesia etc etc.
Neste momento, a poesia pra mim é uma linguagem, ou seja, um jeito específico para se dizer as coisas que se quer dizer.
É, a primeira vista, uma linguagem que parece ser infinita, mas que tem limites muito sutis, que quando percebidos, revelam um grande poeta que, sem saber, os buscava há décadas.

João Cabral, Augusto de Campos, Paulo Mendes Campos e Manoel de Barros, a meu ver, cada um de seu jeito, encontrou com as limitações da linguagem e resolveu este problema foi na forma gráfica da coisa. Mestres do desenho mental, eu gosto pra caralho de sempre me perder em suas poesias, não sei se por não conseguir distinguir os contornos do que é palavra do que é imagem, ou se é por ainda querer pensar tudo de forma racional e de forma lógica.
Por um outro caminho eu vejo o Vinícius, Baden, Luis Gonzaga, Chico, Itamar Assumpção, Lenine e todo um movimento do rap, usando a música como estrutura interna da poesia.
Sei que essa discussão é velha, poesia e letra de música e bla bla bla.
Não sei se essa divisão que fiz em minha cabeça é justa, principalmente, pois, todos eles, hora ou outra, transitam pelos chãos que não são os seus, já que aquela infinitude poética que anima qualquer poeta amador, nunca é de fato superada.
Sem falar que meus preferidos encontraram de cada lado um limite diferente, e acabaram encontrando um outro caminho, sei lá, se pá pra cima. Cortázar, Leminski, Guimarães, Mutarelli, Oswald, etc.
Até.
Logo em breve vocês descobrem porque to falando tanta coisa desconexa e usando esse título.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

domingo

só sujeira nos meus cultos
sou pra ser sujeito oculto
sou tumulto de certezas
pó que n'água vira suco


etc etc

Investigações negras 1

Nestas semanas, muitas coisas aconteceram. Desde um retorno meu a faculdade, até uma mudança de foco quanto a levada da vida.
Coisas que pra mim são muito claras, mas que para explicar escrevendo é bem difícil.
Essa própria dificuldade é algo novo pra mim.
Percebi que eu penso principalmente através de imagens. Não sei se posso expandir esse pensamento dizendo que todos nós fazemos isso, raciocinamos através de imagens. Sei só que funciona para mim.
São associações que faço entre pensamento e imagens: idéias ligadas a momentos, momentos que nunca sinto em forma de sentimentos, mas sim relembro através de imagens.
Músicas que escuto, e inevitávelmente relembro de um exato lugar. Idéias que, para relembrá-las, evoco imagens do lugar em que as pensei pela primeira vez.
Como por exemplo estas idéias que estou escrevendo agora: Dei-me conta disso pela primeira vez em dublin, ao ouvir o áudio de uma palestra sobre imagens, enquanto eu desenhava na mesa do quarto que dividia com a Mari.
Não tem a ver memória fotográfica. Eu nem sei o que é memória fotográfica direito.
Acontece é que não me lembro de detalhe algum do momento, apenas de um resumo imagético geral, uma rápida cena em que lembro apenas a posição geral do quarto , na terceira e última arrumação que fizémos, a cama ao lado da janela, a mesa na parte que tinha o carpete e não o azuleijo, e eu sentado nela.
Essa memória, agora já sei, tem a ver com meu interesse por aquele momento. Como o assunto me animou, meu cérebro achou modos de associá-lo a uma imagem para que depois eu pudesse usá-la de chão e então resgatar o raciocínio.
Foi como quando vi o Danilo tocando piano pela primeira vez. Aquele momento esteve tão presente naquele momento, que vez ou outra quando escuto algum pianista no fone de ouvido, imagino por imagens aquele momento, aquele piano preto, o banquinho, a mesa de professor que usei de banco para assistir, e o angulo mais ou menos exato em que eu via.
Acho que nosso intelecto apoia-se muito mais em imagens do que imaginamos. Mais até do que em palavras.
É isso: se pá que a experiência visual prescinde muitas vezes o pensamento.
Profundo?
Não sei. Só sei que eu só consigo pensar o conceito profundo, por já ter visto um poço, ou um penhasco, ou um buraco, sei lá.
E só sei que ando gostando da idéia de tentar fazer poesia com palavras que não remetem a imagens, palavras que não fiquem desenhando coisas em nossa cabeça.
Eu já desenho de lápis e nanquin, se pá que quero usar palavra pra outras coisas. Outras coisas daqui que não consigo desenhar. Sei lá. Usá-las para me referir as coisas que conheço de nome, mas não de imagem.
Como o Zimbábue por exemplo. Não me lembro de ter alguma imagem formada sobre o Zimbábue.
O Zimbabue é uma das coisas do mundo que ainda está livre dos meus preconceitos. Imagísticos que sejam.
Depois continuo. Estou gostando do assunto e já o devo ter registrado nas gavetas ocultas da cabeça: na mesa sentado de costas pra janela, bagunça de ressaca de formatura, vários colchões na sala e vários corpos babando e roncando em sono profundo.
Como um poço.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

sábado

um código
disserto com convicção sobre coisas que não sei, bebo um de virada para não acordar de vez

nos ombros
converso ao pé da orelha para encobrir o resto de sons e olhares, dizem todos que o que era pra ser não foi e não sabem do futuro um passo

chegarei a te conhecer
assim como os discos não escolhidos pela vitrola, com seus ainda bens, que assim descansam. Numa caixa.

se deixar de me conhecer
saberei dos carinhos que chegam, e dos que também se amargam

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

segunda

cê liga cedo, que a madrugada é clichê, cê pensa e penso, que o que suficiente era e dançava rumo ao centro da terra, agora é isto, tensa, agora é isto; pornochanchada tensa existencialista isso é um parto de emergência, recordo-me apenas dos planos da nossa vida, quando entre os dedos meus eu via sós os dedos dela, vontades abatidas no ritmo da banda, e o trompete não casava com a guitarra, e a bateria era tão limpa, cada nota ocupando o seu momento, de forma ímpar, mas erámos nós que os colocávamos em nosso próprio ritmo, pura precisão, minhas preces são assim, em forma de vida vivida cavalos correndo sem pastos, menos os meus te amos que já não são os mesmos depois de tantos anos, mas ainda assim um desses eu faço questão de responder, já que figuram tão cedo e sem medo, já que depois se transfiguram em passos,  passos que a nação diz mas não diz, aquele passo que a ciência não entende sem os chicos, fiz o que fiz só pra dizer que ter te conhecido é ter me reconhecido, você chora, e eu desligo sem saber também.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Domingo

Não gosto de pensar que existam livros de ouro da humanidade, as ditas ''grandes obras do espírito'', livros perfeitos a espera da necessidade da raça humana.
Dizem que tudo, ou quase, está em Homero. Eu não sei, pois nunca li. Mas incomoda-me pensar isso, que li em Pound, pois essa história de descobrir os clássicos para saber os diluidores, me parece bem fascista, elitista e nem um pouco incentivadora.
Sei lá, eu gostaria de saber melhor conciliar as coisas, pelo menos em meu entendimento, em relação a essas brechas imensas entre ações poéticas e políticas, eruditas e populares.
Acho que atitudes intelectuais restritivas, como essa de Pound, talvez sejam boas para um desenvolvimento de idéias, uma das características intrinsicas da arte. Porém, como acho que a comunicação é tão importante quanto a evolução, vou pegando birrinha de coisas extremamente conceituais, obras de arte que comunicam-se apenas com uma meia dúzia disposta, e com tempo, para estudar e entender o que se passa.
Mais um dilema, anotem aí.
Sei lá, tudo isso ainda é muito confuso para mim. Pois essas problemáticas só surgem mesmo quando penso nelas, ou quando penso a obra de alguém com esse pensamento.
Já quando eu produzo algo, um desenho, um texto, um poema, geralmente as questões são outras. Primeiro, pois, acredito que nada meu é complexo ao nível de se pensar que as pessoas não entenderão. Segundo, minhas necessidades ainda são de inquietação e divulgação, e como encontrar maneiras que me agradem e que consigam exprimir uma coisa que as pessoas não precisam de fato em suas vidas.
Gosto de pensar, leminskianamente, que a poesia está dentro da vida, e não o contrário. E se em horas eu hesito, e trepido para o lado negro da força, colcando a vida dentro da poesia, depois eu escuto um Itamar, ou um Raimundos, um Chico Science, e volta meu pensamento sóbrio, ou pelo menos o que eu julgo sóbrio e lúcido, de que não vai valer a pena. A vida é uma só, enquanto as poesias são várias.
Depois quero falar de um conto do Borges que trata exatamente disto: vida, poesia, eternidade e Homero. Mas não agora.
Enfim, a princípio, quando me sentei aqui, o mote principal do texto seria dizer que não acredito em livros fundamentais, para depois me contradizer e abrir uma exceção para as veias abertas da America Latina. Me perdi no meio e falei as mesmas coisas de sempre.
Então: As veias abertas da America Latina. Na boa, é essencial, e principalmente para nós, Latino Americanos.
Pensando-o seriamente como um livro que desenvolve idéias, estrutura conteúdos, aponta desgraças e caminhos, e principalmente mostra que não aprendemos nada.
(Blackalien: _Quando a situação é grave se organizar concentração é a palavra chave.)
Na boa, e o Galeano comunica. Conversa como se estivesse aqui, tomando essa bosta de café que estou requentando já faz dois dias, olho no olho, sinceramente dizendo que esse silêncio que temos guardado é bastante parecido com a estupidez.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

direito ao contorno do eterno retorno
o andar de terno e de coice
rostos marcado por inexpressão
a distração do atirador de facas
revolições de casa copiadas em sala
súbito trote interrompe sequestro
um poço de fundo falso
um som pra ginga das gangas
na solidão
o revólver que resolve funcionar
na solidão
o mundo que resolve não colaborar
nasce mais um dia
para quem tem mais um dia

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Quando se tem que ver sentido
em algo que foi perdido
e a própria necessidade
tem a face de um convívio
que do próprio aniversário
se esqueceu
da sensação de ter perdido
os melhores anos da idade
do velho cachorro
envenenado pelo vizinho
e que nem por isso
foi que morreu

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

quarta feiga 2

ainda a respeito daquilo.
acho bom estar neste meio do caminho, principalmente,
pois agora aceitei estar neste meio do caminho,
e sendo assim,
não estando em lugar nenhum
tenho suficiente distância
para não estar em nenhum lugar
e isso me agrada
já que lido melhor com problemas que não são meus
por não os considerar problemas
mas sim poesia

quarta feiga


ontem saí com o plínio e o danilo, o que comprova o fato de que eu sou o maior ladrão de amigos do mouro que o mundo já viu.
o plínio acabou de voltar da frança e me trouxe de presente um estojo de aquarela, dois pincéis e um nanquin, classe a, dezenas de vezes superior ao meu desenho, o que me empenha e me dá gás pra perder mais noites de sono.
espero que isso não pareça pedante, mas das semanas que fiquei em pinhal, difícilmente existiam conversas sobre idéias.
não é uma crítica, é uma constatação.
eu mesmo, se não tivesse fugido aos 15 com o circo do broa e do peido pra morar em campinas e estudar por lá, atualmente, nunca estaria sentado na cachaçaria notando que as conversas, filhadaputamente engraçadas, em geral não são baseadas em cultura e arte, além de que, provavelmente, estaria junto deles de fato na conversa.
já em são paulo, ontem com plínio e danilo, e sempre também com primão, mouro e mari, as conversas conceituais são muito mais frequentes, e nelas, percebo de minha parte, uma menor fluência, que não chega a ser falsidade, mas talvez uma tentativa fálida de adequação.
Isso porque a cultura popular e erudita esteve ao redor deles muito mais do que de mim, seja em suas famílias, ou simplesmente por morarem em são paulo.
e queira ou não, todo pensamento e hábito, precisa de tempo para desenvolver-se e internalizar-se nas pessoas.
minha família, e provavelmente, grande parte de pinhal, não preocupa-se com cultura.
o que, e só agora percebi, não é culpa deles.
é que simplesmente não faz sentido em suas vidas.
não tiveram uma mínima formação crítica para ouvirem
um luiz gonzaga, um chico science, um itamar assumpção,
ao invés de um michel teló, uma tailor swift.
nem para ler um cortázar, um rubem braga, ou uma alice ruiz
junto de tanta auto ajuda e best sellers.
a própria reflexão e discussão virou algo que repudiam.
e é por essas e por outras, que fiquei no meio do muro.
não tive uma formação crítica minimamente suficiente para ouvir
bach, stravinsky e debussy
junto do sonny boy willianson II, raimundos e planet hemp.
nem para ler malarmeé, joyce e haroldo de campos
junto do mutarelli, do mirisola e do manara.
e por fim nunca estou onde estou, se é que me entendem.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

domingo, 29 de janeiro de 2012

domingueira na bahia



Arroz e feijão do entretenimento contemporâneo, presente em filmes, jogos, músicas e livros, a guerra é um tema que parece não esgotar.
Talvez isso ocorra pelo próprio conceito de guerra ter perdido seu valor, ter tornado-se um lugar comum da linguagem usado para indicar desconforto entre duas partes, uma intriga besta qualquer.
É que não foi só a Guerra, mas a própria morte foi banalizada.
Nos noticiários, a morte é mais falada do que a vida, e nosso entendimento, queiramos ou não, vai calejando-se dela.
Assim, numa guerra civil como a de Pinheirinhos, ao compactuarmos num silêncio conivente, além de outros tantos fatores políticos e culturais, estamos afirmando, principalmente, uma escassez e uma renúncia de humanidade perante convicções acerca de ordens e contratos sociais, as leis, em uma submissão a idéias das quais sem nem sequer refletirmos acerca de suas validades, obedecemos.
Mesmo que todo a nossa esfera ética de entendimento esteja ao lado das pessoas que ocuparam o local, ainda assim, prevalece em nosso veredicto a lei, pois o que vale para um, deve valer para todos, e se é proibido ocupar, é proibido ocupar, não importa quais sejam as variáveis envolvidas.
Como pode um sujeito que acredita ser do bem, acatar um método tão racional e irredutível como esfera maior de decisões pessoais, mesmo que ela vá contra aquilo que acredita?
Uma mesma generalização de direitos e deveres, tão sagradamente intocável quando diz respeito ao cidadão comum, mas que não atinge em nada o topo da cadeia social, que segue sempre impune.
É como a própria democracia, sob a qual maldizemos e desacreditamos diariamente os políticos, mas mesmo assim nos dirigimos de quatro em quatro anos para validar não só o que fazem, como também o próprio sistema que dá brecha para atuarem assim, e, conseqüentemente, um sistema de leis feito artesanalmente por eles, e para os interesses deles.
Dizem aqui no almoço: E se todo os que não têm o que comer resolverem roubar os supermercados, que fim isso vai ter?
Utopias, utopias, eu gostaria que o fim fosse um em que repensássemos a dinâmica geral das relações de troca.
Mas realidade seja dita, o fim será baseado em opressão, pois a própria polícia, materialização urbana da força, é uma entidade treinada não para questionar, jamais, mas para apenas cumprir.
Partindo do pressuposto que todos nós sabemos tudo isso, acho que as coisas continuam na mesma, pois o medo ainda é maior do que qualquer boa intenção.
Fator antropológico, biológico e psicológico, através do medo construímos nossas vidas, sempre guardando alimentos para um inverno que ainda não sabemos qual será.
(E se já eram raras as cigarras nesta história de mundo, agora ainda são terceirizadas pelas formigas.)
E nesse guardar comida, nesse certificar-se de que haverá dinheiro, nessa garantia de propriedade, as leis são bem camaradas: quando obedecidas, garantem nossos direitos e nossas coisas como sendo nossas.
Somos essencialmente egoístas e é difícil mudar. To falando porque to tentando, mas é difícil, porra.

Até!