sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

sexta

Treta abstrata

acordo do lado trotski da cama
trato com café com leite
o tenso destrato do pão
que amassa mais o
indestino preso
e não retrata
os trancos do barraco
do ajudante e do padeiro
do que colhe e não escolhe
poesia como casa
mas acaba
da maneira mais triste possível
nela

sexta

o temporal de bends, o resmungo impotente da descarga frente as lágrimas sem densidade, o gelado do azuleijo, o resto de beijo de aniversário encontrado no vão dos dentes, o reboco de muro servido com café requentado, o incêndio, o dilúvio, o golpe de vento que leva as cartas de amor infantis, o descompromissado papo com os mortos, o abstrato desespero, o contrato vitalício com o tempo, o mês que dura um dia, o gol perdido aos quarenta do segundo, o vivo papo com os descompromissados, o pouco de arroz que sobrou do roubo,  o risível desabafo, a garota.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

quinta

De uma das galeras aqui de Pinhal saíram muitos geógrafos. Moita, turbocooler, Cicía, Juninho e Ana.
Moita é o que mais casa assunto comigo. Cartógrafo, no momento tento sugar dele conhecimentos de mapas, que a meu ver, talvez tenham sido os primórdios da poesia concreta, representando e gerando sentido, gerando sentido e só gerando.
Academicista e científico, a conversa de linguagem acaba vingando, principalmente, por eu estar no momento do outro lado da corda, o não acadêmico e artístico.
Mas foi uma bola com o juninho que me fez perder o sono.
Ele estuda o medo como fator determinante geográfico.
Mais ou menos assim: Um sujeito em São Paulo não passa na cracolândia pois tem medo de ser assaltado, auto segrega-se num condomínio fechado, e não sai de são paulo pela marginal pois tem medo que chova e alague tudo.
O espaço desta pessoa é totalmente moldado pelo medo.
Esses dias agora estou sozinho em Pinhal, e ontem quando fui dormir pensando nisso, do medo, lembrei de quando eu era criança, e de como meu irmão merece até o fim de sua vida todas as glórias de ter aturado a luz acesa quando ainda dividíamos quarto, e de sempre responder que estava tudo bem quando eu o acordava para perguntar nas longinquas madrugadas de 12 ou mais anos atrás.
Na época, eu relacionava meu medo com alguma coisa que eu tenha visto na tv, algum filme, algum causo que me contaram, sei lá.
Mas agora, talvez anacrônicamente, percebo que era só medo, e que o que eu fazia era criar nomes e motivos para este medo, quando se pá ele justificava-se por si só.
_Ta com medo do quê?
_Medo do Jason.
_Não fica não.
_Tá com medo do quê?
_Medo do Fofão.
_Não fica não.
_Tá com medo do quê?
_É só medo.
_A vai dormir seu otário.
Percebem?
Percebo agora é que talvez este medo tenha transmutado-se em tristeza com o passar dos anos.
Esporadicamente triste, fico sempre caçando nomes e eventos para culpar, quando talvez eu só deva aceitar que é uma tristeza, e só isso.
Ou, como está soprando kierkegaard aqui no ouvido, em nível profundo isso não é tristeza isso é desespero.
Um desespero de ser humano, o sentimento que nos faz ser homens e não animais, o Desespero.
Desespero de não alcançar a infinitude, nem também não ser finito.
De querer ser-se o que se é, mas nunca ser capaz. Querer ser você mesmo, quando esse eu buscado também é uma projeção de uma relação entre consciência e, o quê mesmo? Esqueci e não importa, por hora.
É desespero.
Dar nomes aos bois talvez funcione em mapas, mas não em sentimentos.
Aceitar que alguns sentimentos são mais abrangentes do que imaginamos, talvez seja um primeiro passo.
Medo é só medo, tristeza é só tristeza, desespero é só desespero.
Um culpado talvez seja o sentido, que desde o começo fez questão de não existir.
O mundo nada tem a ver com essa história.
















quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

quarta

Pinhal tem dessas, picos de loucuras alternados com tediosos rolês desérticos. Estudos de manhã, muros pela tarde, e a noite nunca se sabe.
Reencontros com velhos amigos andam me fazendo acreditar que cada um vai construindo um próprio mundo, e vai de pouco em pouco aprofundando-se nele, até que, infelizmente e inevitavelmente, muitas vezes o ponto de contato que existia num passado perde-se e a esfera em que nos interseccionavamos torna-se todo o assunto que temos.
Uma merda.
Mas ainda assim outros amigos, como os de hoje, fazem rolês de merda serem engraçados, e mesmo sem ninguém perder a sanidade, e chegando cedo em casa, é possível não sentir que a vida é uma bosta, e ainda dormir tranquilo.
-
Hoje cedo fiz um pacto com o tempo, que aliás, é uma pessoa. Mas não dá pra explicar pra vocês.
-
Desenhei um jesus para a Maria, moça que trabalha aqui em casa e que desde que eu era criança e ensaiava uns covers do sepultura e do superjoint aqui no quintal de casa, ela vinha dizer que eu ainda ia tocar pra jesus.
Ela é evangélica, doa boa parte do seu salário pra igreja e é feliz, mesmo com centenas de poréns que a vida dela teve, e eu juro que a vida dela teve poréns.
Diz que sua alegria é uma benção de Deus por ela ir a igreja.
Amén.
-
Um dos pontos que eu discordo do Mouro, é quando penso que soluções sociais não podem desconsiderar os indivíduos.
Acho que duas grandes correntes do pensamento contemporâneo, se não forem as mais importantes, são as subsequentes e o próprio Marxismo, de um lado, e do outro, as derivadas de Schopenhauer, Nietzches e Freuds, e ela própria.
De um lado, mudanças pontuais nada alteram se o sistema em sua totalidade é falho.
Do outro, nada adianta mudar o sistema se os indivíduos que o formam são falhos.
Complicado pra caralho, muito mais profundo do que eu posso imaginar, e muito mais complexo do que as respostinhas de salão podem responder quando dizem que é preciso um equilíbrio e bla bla bla.
-
Overdose matinal de Leminski, Lewis Carrol e Douglas Adams. Foda e foda. Foda porque os caras são fodas, e foda porque esse teor de leitura indica uma tristeza das grandes tentando ser suprimida.
-


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

terça/quarta




O rapaz não entende que não dá pra entender, não é pra entender. Essas coisas de amor e essas coisas de sentido, você sabe. Até ontem danoninho, depois camisetas do kiss, garrafas pra se aparecer, convites de mudança radical e depois quando percebe tá assistindo as palavras saírem da boca das pessoas como se carregadas pela fumaça. Todo mundo fuma, todo mundo. Uns só não sabem. E quando a cabeça do fósforo muda de cor, e movimenta o tabaco e todo aqueles filtros na dança da enfizema, bem, você sabe querida, é o cigarro que está fumando agente. Respira e corre, que logo atrás vem os complexos, logo atrás deles a herança genética, e por fim um querubim sem graça, sem graça, com uma espada na mão pro caso de que o pulso comece a não querer mais ser usado de verbo. O que resta para o mundo são cartas com promessas ressentidas para garotas desconhecidas, um aceno de mão fraca de quem perdeu as forças mas não desistiu de reconquistá-las para perdê-las de vez, então num outro lugar, num outro momento e com outros cachos de cabelo. A piada da vez é a que contam no bar da esquina, a que diz que o menino não consegue se concentrar. Não sabem nada. Um último respiro, aperta o gatilho que acerta a corda que segura o cofre que cai em cima do tom, e do jerry também, porque aqui é todo mundo bandido, todo mundo tem seu rabo preso por um delito qualquer. Se o amor não fosse assim como é, seria lei. 
potássio e sódio
primeiro episódio
amor e ódio
relógio-bomba

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

segunda



das explosões das antigas máquinas fotográficas
da faixa limite de tempo 
em que é preciso encaixar 
um eu também
no curto espaço de 
um eu te amo
dos defeitos dos mapas ainda não feitos 
do chão que te caminhou para a praça 
onde a garota parecia ter sempre te esperado antiga 
como tudo lá antiga 
como o mundo de um esquizofrênico 
que ainda não o é }
e logo em consequência deixará de ser 
dos senhores de si mesmos 
dos mesmos que não se subordinam 
o preenchido sorriso
o abrigo escondido
o consumido silêncio de um telefonema mudo 
alertando um terremoto 

domingo, 25 de dezembro de 2011

a alegria de uma casa abandonada que vê estilhaçado em pedaços mais um de seus olhos
que não terá de assistir sua baldia decomposição.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Sabado cedo

pinhal é uma cidade atípica.
uma só sala de um só cinema numa praça cercada de morros.
dois bares: o do clube, que acredita ser um lugar para elite, e a cachaçaria, que acredita ser um lugar para os alternativos.
prefiro a cachaçaria por ser mais várzea, poder fumar lá dentro e pela música.
enquanto que no clube eles variam entre duplas sertanejas e djs sem limites de volumes, na cachaçaria tocam uns sambas e, mesmo não sendo os meus preferidos, lá pelo menos eu não fico conversando com uma metade do cerebro enquanto a outra manda as duplas e os djs tomarem na beira dos cus.
na cachaçaria, não só ontem, como em toda essa semana, o velho pensamento nocivo mostrou-se presente, a antiga e boa convicção de que o alcool torna tudo mais legal.
o que seria um barzinho de colocar o papo em dia tornou-se a dialética das gerações, os velhos sambistas de roda com seus violões de corda puchada, triângulo, saleirinhos, caixinhas de fósforo e velhas melodias, contra jovens alcoolizados com altíssimos bongôs, violões palhetados de blues, reggae e rap, e ridículos coros incoerentes gritados em primeiro plano, na disposição de ficar sem voz só pra incomodar a classe artística dominante.
hoje cedo pensei que os senhores e senhoras vencidos ficarão remoendo mágoas durante um bom tempo, e que talvez deveríamos tê-los respeitado ao invés de ficar cascando o bico com versões de ventania boladas com músicas de igreja e com a cara de desacreditado deles.
mas na real não. precisávamos antes de tudo nos respeitar.
respeitar que somos jovens, que não nos importamos com mitos, tabus, conveniências familiares e sociais, nem com o meio ambiente.
respeitar que o mundo é uma piada, que a seriedade é uma coisa chata, e que só através do descompromisso atingiremos camadas mais profundas de consciência.
juro que acredito nisso, do descompromisso acessando o inconsciente (coletivo).
aprendemos com seus erros, seus velhos e velhas, e se tem uma coisa que não queremos, pelo menos eu e pelo menos meus amigos, é ter uma sociedade igual a suas, que talvez seja sim culpa suas, seus rabugentos coniventes da seriedade e capitalização da vida.
feliz natal.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Sexta de novo

Hoje tenho tempo pra vocês.
É, meus amigos, vive em fim de ano um curirico cheio de coisas. Parece que foi eu sair do facebook pra minha vida virar um vórtice de coisas interessantes. Não querendo influenciar ninguém, claro.
Encontrei uns testamentos meus ontem. Desde os 15 anos eu escrevo todo fim de ano um testamento. Como eu nunca tive bens, lá eu só escrevia o que achava da minha vida atual, minhas perspectivas, etc etc.
E hoje cedo joguei todos fora, decidi também que não vou prosseguir neste rolê natalino que tem um pé de mórbido.
Não sei direito, é como se aquilo tudo não fizesse mais sentido pra mim.
Na póstuma faculdade de filosofia, quando estudamos o Hume, eu vi o sujeito dizer que uma das muitas falhas crenças humanas, é a de acreditar que existe uma unidade pessoal, no caso, acreditar que esse amálgama de emoções, memórias e planos que temos pode ser chamado de espírito, de unidade pessoal, de eu.
Neste processo lógico, a parte em falta é aquela que deveria fazer a ligação entre, turbilhão de sentimentos e lembranças repetitivas, logo, eu.
Falha agravada por uma deficiência nossa em prestar real atenção a vida, e também nossa mania de selecionar e moldar lembranças.
Se fossemos como o saudoso (realmente saudoso) Funes, personagem do Borges do conto Funes ou a Memória, e tivéssemos sua plena capacidade de atenção na realidade, e total capacidade de relembrar o que se passou, veríamos que não faz sentido chamar de cachorro, aquele ser que latiu para nós as 3 e 30, e também chamar de cachorro aquele mesmo ser das 3 e 31, que já não está latindo, que está também um pouco mais perfilado, perdeu alguns poucos pêlos e milhares de células, fede mais e mudou seu olhar.
É, o Hume seria um grande lutador de Ufc, ele era muito bom em destruir as coisas.
Ele e o Borges fariam uma das lutas do século, com toda a certeza.
Não sei o quanto é possível aceitar isso, uma não personificação do eu, e qual a expansão que tal contestação de subjetividade pode atingir em nossas vidas.
No meu caso, atingiu o de não escrever uma vez por ano em um papel específico aquilo que eu acho ser.
Aquilo que eu acho ser é isso aqui. Textos e poesias, desenhos e resmungos.
Talvez eles digam o que eu acho ser, pelo menos naquele dia específico, talvez naquelas semanas.
Agora, depois de relutar muito, aceito que sou um cara com uma doentia necessidade de expressão.
Detesto pessoas com doentias necessidades de expressão, abordando outros sujeitos nos bares e telefones com papos furados.
É por isso que escrevo aqui, num ponto fixo onde vem ler quem quiser, e quem não quiser nem volta.
Dos poucos filmes que gosto, um deles é my blueberry nights. Quando criança, sua mãe lhe dizia para, caso se perdesse, não sair do lugar para que ela pudesse encontrá-lo.
É mais ou menos isso. Faz uns anos que comecei a me perder no mundo, e por incrível que pareça ainda estou aqui, caso me procurem.
E é essa doentia necessidade de expressão, por enquanto é o que faz minhas poesias e desenhos serem fracos.
Enquanto eu não conseguir me distanciar um mínimo daquilo que faço, não serei realmente capaz de produzir algo com corpo.
Quando for possível eu não escrever, e ainda assim eu o fazer, aí sim mano, aí eu quero ver.
Feliz nidal pra vocês.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

sexta já

Linda bonita quando o sol sola e floresce
assim sossego me apetece
de desejo faço prece
por seu vestido velho de guerra
visto no chão pelo seu olho pelado
seu só sorriso sério de graça
de quem não com nem passa contato
e perpassa contrato em vez
de ser só mais desta vez  

no tempo oral que não se mistura
com alcool nem ultrapassa
60mg limite barra dia
respiro fundo e digo
é logo lego agente casa
e se encasa num pico construído
alvenaria de pau pós lua de pica
onde noitadas deitado afogo
a parcela paga do sofá é única
do esquecido resto de dinheiro
escondido atrás da garoa

que só faz com que essa garota
pra agua nem ligue mais
nem liguem mais
se a pé ninguém encontra
e de carro atolar no barro
fumano fumá flor olha meus lírios dois campos
lembrando refúgio de irmão
esquecido em vida
concreto na sua preguiça
mas constante na voz de ouvido
que me confunde noite inteira
confiar em gauche geleira
agosto mês de seca
gravidade superada
por falta de signo no céu da boca
sento no chão e
ascendo
enfim de novo a vida


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

quinta quase natal

São muitos emails e o mais digno a se fazer com eles, por hora, é diluí-los em heinekein por 3 pilas a garrafa de um litro, um achado dos achados, tesouro oculto descoberto por bandeirantes numa terra de boa vista não tão distante, mas sempre incoerente.
Um dia de começo de parede pintada, um primeiro trabalho remunerado depois de tantos e tantos, anos?
É que agora é que são elas, neste momento crucial da vida em que tudo parece tão idiota e tão digno de esforço, tudo é tão surreal e tão sério, tão necessário, tão, tão, tão sem gosto.
Não importa, e se geralmente digo para vocês não me darem ouvidos, neste momentos de ritalina diluída em cerveja, menos melhor ainda juro.
E assim, adio mais um dia o texto que pretendo escrever sobre o dia que passei no asilo de meu tio avô, relacionado com um conto foda do Borges.
Adio até que a vida torne-se menos interessante, pois, nesses momentos, a literatura parece algo sagrado, algo pelo qual podemos dedicar a vida e a morte.
Literatos, literatos, se vocês todos da academia percebessem que escrevemos num ápice de déficit de vida, bom, talvez vocês pegassem logo o carro e tocassem para o itatinga, etc etc.
Desculpem, meus pensamentos estão brigando entre eles.
Até

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

quarta já

Desde que eu me filiei aos fármacos, eu não bebia. Mas reencontros como os que estão acontecendo em pinhal são eventos de inegáveis teores alcoolicos, e agora com um sutil toque de metilfenidato em minha cabeça, vejo todas as outras idéias de poesia concreta e representação da realidade sendo facilmentes deixadas de lado, quando se trata de relembrar antigas fitas cabulosas da galera, como foram os caóticos encontros natalinos, os clássicos reveillons no coelho, as constantes guerrilhas urbanas de frutas, dentre outros eventos seteoncísticos ou não, que doravante, causaram essa consequente dificuldades presente que temos em conseguir um local qualquer, decrépito que seja, que nos aceite, e então, só então, poderemos enfim nos encontrar, com a promessa de que o jaime será contido, o chiquinho o mesmo já não é,  clayman já não enterra pessoas, e o loco, bem, talvez não seja uma boa idéia emprestar casa nenhuma mesmo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Terça



















Você que tem um skate e cansou do desenho do shape dele, se estiver afim, me mande que estou na pegada, e digo mais, sem cobrar nada. Avisem também seus amigos de joelhos destruídos.
Há, de resto, descolei um trampo.
Não trampo, trampo. Só trampo, tipo, um que faço em dois dias lá e acabou.
Mas que fiquei empolgado e se pá vou varar outras noites preparando ele, e essas coisas todas!
Depois de pronto eu mostro aqui.
A foto aí é de um domingo chuvoso no quarto. Uma garota uma vez disse que os desenhos do meu quarto são meio pré-adolescentes e nerds, o que se pá é bem verdade.
Mas foda-se, sou eu que durmo lá. Eu o Capitão Spock, Marvin o robô e o C3Po.
E é isso, força pra vocês seguirem na busca de algo que preencha os dias de vocês e não seja chato, já que a vida, em geral, não é uma das coisas mais legais que já me aconteceu na vida.
Abraço seus cuzões


ps- quem é você que entra aqui e é da russia?!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Domingo!

Alto lá! Quem vem lá?

Saí fora do facebook. Sei não, talvez eu volte daqui um tempo.
Não levem em consideração opiniões de moleques que são velhos e rabugento por dentro, como por exemplo eu.
Se a função daquele treco é aproximar as pessoas, algum logaritmo deve ter dado pau, pois eu sentia só afastamento.
Tenho, ou tinha, o custume de trocar emails com algumas pessoas. Dizendo como estão as coisas, quais são meus rolês, chorando minhas mágoas idiotas, dizendo o que ando lendo, ouvindo, e todas essas besteiras que são as únicas coisas que sei, ou não, fazer.
A fita é que depois do advento do facebook, essa troca de emails foi cessando até que, no momento, coincidência ou não, os únicos com quem mantive esse costume são os que não possuem facebook.
Os outros todos estão lá no facebook, alojoados esporadicamente na barrinha com bolinha verde no lado direito, pra quando eu quiser falar com eles, convidar pra algo, aí eu sei que estão ali.
Sei só que, por fim, eu acabava que nunca conversava nada direito com eles. Nem com ninguém.
Ficava ali vendo as pessoas postarem, ou melhor, arremessarem alguma besteira, ou mesmo alguma coisa séria, naquele poço profundo, da onde nós, quando não arremessando algo também, assistíamos essa queda livre de informações em direção a um buraco diluidor.
Em geral as coisas eram grandes besteiras, de um humor que ainda não flagrei muito qual que é. Um humor que você ri,até gargalha, mas em menos de um minuto já esqueceu a piada e já está mirando o topo pra ver qual a próxima.
Foda.
Tempos atrás estive na casa da minha mentora, a primeira de todas, dona valéria, que depois de anos, de uma vida, está abandonando o ofício de professora.
Disse ela, não com essas palavras, mas com essa essência que vou tentar lembrar pois já fazem duas semanas, é que os alunos perderam a noção da realidade.
Nada mais os interessa, nada mais os fascina, nada mais os surpreende.
Nem a bagunça continua a mesma da época em que fui aluno dela.
E aí? Qual vai ser agora?
Nem a maior máquina de propaganda da história, a nazista, imaginaria que um instrumento de alienação tão grande surgiria no mundo.
Quem diria que para tirar a noção que as pessoas tem de tudo, o meio utilizado seria exatamente um que dá uma liberdade de acesso a tudo?
Complicado, mas agora, em minhas palavras, penso que logo menos esse problema se tornará um problema público.
Pessoas cada vez mais apáticas, trancafiadas em cúbiculos imaginários que nem sequer foram criados por suas próprias imaginações.

_Mas que bela merda nos metemos agora em capitão Corto!

De resto, não posso negar que por lá, as pessoas conheciam bem este blog, já que sempre que eu postava um texto ou um desenho aqui aqui eu tacava o link lá.
Se você que lê isso aqui quiser fazer essa pra mim, fica o agradecimento. Se não quiser também, digníssimo.

De resto to no email leocuririm@gmail.com

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sexta legal














Quer saber a real? Esqueçam o que eu disse faz uns dias, quando eu disse que tinha começado um negócio, que não era nem bem nem quadrinho, nem também outra coisa. Esqueçam essa bosta que falei, e foda-se. Já entrei em crise, foda-se e tô em outra. O texto que era meu norte eu já não curto nem um pouco. Não sei se é diretamente proporcional, mas fiquei perturbado após um certo combo que se passou nestes dias.

Assisti uma peça do Jodorovsky dirigida e com atuação da Maria Alice Vergueiro, a mulher mais foda que já vi.
Assiti no cinesesc o daquele instante em diante, um documentário fodido sobre o Itamar Assumpção.
Encontrei-me com certos textos da Margem da Margem, do Augusto de Campos, e algumas correspondências do Leminski e mais um pouco do Catatau.
Escutei uma invenção do Bach com o Dan, meu camarada.
Teve também o Lourenço Mutarelli e seu último livro, o do Et.
Eu e o Pê ouvimos um som, Amiri, que regaçou com tudo o que era possível em questão de flow e de rap.
E o filhadaputa desse meu bom amigo, o Mouro, ainda me lembrou hoje diversas coisas que eu tinha esquecido sobre o meu rolê na vida.
Detesto esse cara, o mouro.

Ou seja, fudeu. Perdi o chão. Varei a noite tentando resolver o roteiro/texto/livro que era a essência do que eu ia fazer e não deu certo. Seis meses matutando uma coisa que agora não faz mais sentido nenhum! Mais uma coisa que vai acabar na gaveta de uma pasta esquecida na área de trabalho
O bom é que pelo menos tive outras idéias. Isso, isso, pelo menos isso: tô em outra. A fila das idéias anda, ou algo assim.
Eu não sei direito, nunca estive tão confuso na minha vida inteira, nunca tive que relacionar tantas coisas ao mesmo tempo e conseguir manter minha individualidade em meio a tudo isso. Se pelo menos eu conseguisse ser um budista, essa história de individualidade eu já teria superado, ou pelo menos tentado. Nam mioho rengue kio, eu repitia quando era mais novo.
As coisas eram mais fáceis antes de eu ficar buscando sarna pra me coçar , pois, além de tudo, penso ser esta busca uma busca por melhores ferramentas para eu conseguir resolver meus próprios problemas, mas a fita é que essas ferramentas exigem perícias cada vez mais específicas e mais bem adequadas, que trazem junto delas, pra minha vida, uma gama problemática cada vez maior.
Problemas que resolvem problemas com mais problemas.
E ainda existe a vida que eu quero viver porra. Tenho muitos bons amigos pra fazer, lindas garotas pra conhecer, bons shows pra ver, piadas pra viver e eu preciso relaxar, é o que dizem. Eu sei, eu sei.
Por isso a partir de amanhã, estarei em pinhal deitado com minha barriga enorme numa rede daonde só saio pra pescar e beber kaiser.
Mentira. Kaiser não dá. E também to levando milhões de livros de poesia concreta, se alguém se habilitar colar em casa pra trocar uma idéias e desenhar com eu e os três meninos do concreto, bem vindos.
É foda, nerdizinho doente eu to virando. Imbecil que já não sabe mais separar as coisas. Deve ser coisa da idade. Uma fase da vida. Uma adolescência tardia, excessivamente doente pra comunicar algo que nem sabe o que é, só que, como não viveu nada ainda, pois tem míseros 19 anos, tem que ficar preenchendo tudo com teoria, filosofia, reflexões e essas besteiras todas.
E é isso, me exponho aqui, com a condição de que vocês entendam aí. Sei que é difícil conseguir entender o além texto. Aliás, esse é um dos motivos que eu larguei meu texto guia com todas as imagens que eu já tinha feito, pois eu não conseguia entender o além texto dele.
Ah mas que bela que bosta.
E tem tudo a ver com essa inquietação. Inquietração, tudo bem. Mas ainda inquietação.

Bom, já sei como explicar. Para saber os meus exatos problemas, adeque o texto abaixo ao nosso momento histórico, transcriando-o de forma ideogrâmica:

_Vai naquela máquina e liga essa porra,
_Mas quem é esse cara porra?
_Cê não viu que esse cara é viado, porra, ele ta aqui pra, é espião esse cara aí, porra,
 _como é que pode ser de verdade uma porra dessa, quer fuder com todo mundo,
_ó o pau vai comer pra cima deste viado,
_vamos acertar ele direitinho agora em,
_o  negócio é o seguinte, o pau vai comer solto agora e vai todo mundo pra trás,
_ah vou ver se acerto esse filho da puta.
(Pooou)
_CARALHO!
 _não fiz nada, ele que começou a brincadeira, ele que começou e agora se fudeu.

Da série

Homenageio gente que eu admiro

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

quarta?

minhas tatuagens já nem mais falam tanto por mim, que já não deixo de atravessar a rua por medo de um assalto que logo mais logo menos vai levar de mim este gosto malévolo de amar as pessoas todas num abraço comprido. barril de pólvora de rastro aceso, uma prova é que neste natal já nem penso mais tanto na tradição de escrever meu testamento e esconder com as minhas cuecas dobradas e meus escassos trocados. tem também de exemplo o como eu também pra páscoa mudei meu pensar de agora e desta vez nem planejar minha viagem pra tal ilha vou. ler os sertões e contextualizar-me de vez das guerras médio-orientais, sem apelar desta vez pra quadrinhos, cartéis e comandos primeiro vermelhos, capital lã que insiste, representação e vontade eu confundo as sequelas da farroupilha com as chibatas, por que por fim ninguém pergunta e vou contado tudo em cordél dub pra download, num embolado sotaque cantado pros novatos que nem eu se perdem comigo como estrangeiros unidos em náusea.  empilho em montes de três as boas lembranças de garotas que por mim passaram, esperando que elas se lembrem e um tufão destes qualquer entregue a elas a certeza em onda de que comigo as utopias e utopias ainda me sustentam, mas que infeliz somente perdi num vão entre o armário e o colchão as grandes certezas que não cabiam em mim. meus textos, que por elas não serão lidos, deixaram de ser palco bem alto pra garotas de olheira suicidarem-se, não sem que eu não soubesse onde foi que de pouco em pouco eu morri pra isso, e cresci em paixão por discos, e por riscos. de nanquin eu penso que sou deus. deus pensa que sou só assim, o que escrevo. tomo o café ainda, e grito alto na oração pra ele saber que mas não sou, pois é que de cachorro todo mundo tem um louco escondido e fedido de chuva. poucos e poucos só, são aqueles os que aguentam e persistem atrás de gota que se esconde atrás da gota, lição seca videira de que pra molhar as angústias é preciso muito mais que água causalidade e corpo, enquanto que compromisso sei que basta. calejados sofrem mais pois são difíceis de se impressionar.  poesia intuitiva não conta saldo positivo no juízo final. e em tudo ao meio, nem preciso foi a fuga pra que dissesse ela o que eu queria ouvir, que você vive é sendo exceção,e se eu sabia, não cabia em palavras, períodos não limitavam-nos. aceito o fim do ano, o chester e o champanhe de maçã que vocês me empurram, se vocês acreditarem que eu existir é mesmo e com certeza a maior mentira que já contei.
cachorro gosta de osso porque só dão osso pra esse cachorro. bote um filé e bote um osso pra ver o que ele prefere.

disse ariano suassuna, escritor e dramaturgo,  na seção do catraca livre em que o alexandre de maio jornalisma entrevistas e notícias em quadrinhos.
o mesmo alexandre de maio que ilustrou um clipe novo do mv bill.
jornalismo em quadrinhos iguais aos do joe sacco.
quadrinhos iguais aos do will eisner, em exposição no centro cultural de vergueiro.
Sujeitos todos que admiro.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Terça feira






















Estou fazendo uma parada.
Essa aí de cima, que o scanner zuou o preto.
Não sei se vou postar sempre todos os desenhos, mas de tempos em tempos atualizo vocês de algo.
Não sei não, não é bem uma HQ.
Não sei direito ainda o que é.
A idéia central do texto eu tive na última semana que eu estava em Dublin.
Seis meses de um semestre bom e escroto ao mesmo tempo, fizeram essa fita ir tomando forma.
Ou não, sei lá também.
Algumas fatalidades, umas alegres coincidências e novas convivências também fizeram eu saber melhor o que eu queria fazer.
Não, não, não.
Fizeram eu saber melhor o que eu não queria fazer.
E então comecei logo esse bang.
É, na real eu to aqui cantando, mas só comecei.
As mesmas chances de eu tocar em frente são as chances de eu chutar tudo, pegar minhas roupas, passar bem rápido numa cidade aqui do interior pra pegar uma pessoa e fugir logo pra fronteira de foz do iguaçu com ela.
Ah única certeza é que eu fugindo ou não pra lá, vou passar pelo Rio Grande do Sul pra pagar uma breja pro meu amigo Bandido.
Vou pagar porque eu quero.
E não porque eu sei que estou ramelando na cena com ele.
Bom é que eu sei que ele entende que logo menos vamos fazer nossa HQ juntos, que eu também sei que vai ser do caralho por ter o roteiro daquele cuzão.
É que quando surgiram as nossas idéias de mutretas, eu nem sabia nada de desenho.
Não que agora eu saiba. Mas eu sabia menos ainda.
E foda-se se parecer puxasaquismo, mas eu tava afim de estar desenhando bem pra fazer os corres com ele.
Até lá sigo ouvindo uns raps por aqui, desenhando o que tenho que desenhar, terminando o que tenho que terminar.
Está sendo gostoso. De verdade.
Sempre achei pose de escritor que quer pagar de humilde, dizer que o interessante é o processo e não o produto final.
Não concordo plenamente pois nunca cheguei no produto final pra saber.
Aliás, nunca cheguei no final de nada na minha vida, pra saber.
A não ser do Donkey Kong 3, e do Metal Slug usando continue infinito.
Mas isso na época que eu tinha video game.
Isso na época que eu tinha Tv.
Não sinto falta nenhuma de televisão, a não ser pra ver Tom e Jerry.
Sempre curti muito Tom e Jerry, mas sem flagrar as músicas.
Agora mais velho eu assisto prestando atenção nas músicas e curto por bosta.
O que talvez melhore muito, ou piore muito, com os novos e lentos estudos de música erudita com danilo, pedrenrique e plinião.
Que aliás, estão me fazendo pensar melhor o silêncio.
Tipo esse

segunda


pronto. minha cabeça virou a quermesse do monsenhor augusto, com dezenas de várias prendas estragadas. leonardo, o cão que mora aqui dentro, está rodando em volta da volta, bem perto do cerebelo, abaixo da linha da auto estima. silêncio que ficou pra trás com as muitas pinturas que não dizem nada de mim. esse é o meu fim, acabar sem graça num café no centro de São Paulo, escrevendo notas sobre um fim do mundo que nem são minhas, são de desconhecidos gravuristas a dizerem que violência é a valvula de escape pra criação. concordo. as vezes. por fim enfim é bom saber que as pessoas ainda valem a pena, quando vejo ogi regassando num show que teve shawlin por lá, mais os meninos do elo da corrente, brandão, e só faltou minha lurdez. lurdez, lurdez?? durmo bem, acordo e repito o ovo com batatas pros trutas que me ensinam o bach que consequenta em mais uma inconsequência de dinheiro quer vira pincel e papel novamente, no crédito por favor. ah, e quase que deixo a bela ilustradora por fim, mas não quero que nesse texto seja como foi na vida, como foi no show. não quero mais perder  coisas e não quero mais segurá-las. buda me ajuda, o contraponto não funciona e sei que a culpa é minha, minha voz tá suja. a outra voz me liga e pergunta se gosto do emicida. Pelo menos digo de jeito que não chateie sua felicidade  lembrando que o raimundos ganhou o vmb e não rezou, não achou que aquilo era algo. o método de trabalho, perguntam, um traz o outro aperta o outro acende, respondem. descompromisso acessa inconscientes coletivos, e toda essa besteira produzida fenomenologicamente livre, inevitavelmente torna-se algo maior. digo pro Lourenço no café sem pensar que com isso ele passaria a gosta de mim. depois segui, e se eu disser que escuto o que me dizem não estarei mentindo, talvez blefando. e juro que a culpa é da idéias  que me incitaram mas fazem questão de não sair do papel. que cor seriam fora ?  a tv me mostra o  cúmulo do mundo overdose de laxante tomado pra emagrecer. o meu peso? meu peso é pouco, bem pouco. se caminho pro mar nem me afogo por causa dele, só por minha. e ainda assim está tudo bem, é estranho mas o avô que não conheci não disse diretamente que cavalos sem nome não deixam de remeter a mantras que desconheço. quem sou eu pra lutar contra tudo? sigo em movimento de negação da negação da negação da afirmação.

domingo, 11 de dezembro de 2011

REFORÇO

É sério o bagulho da medusa.
Acabou o blog, as postagens, a ciência, a arte, a cultura, e tudo que esteja relacionado a mortalidade.
Passem bem suas eternidades

sábado, 10 de dezembro de 2011

ERRATA

ESQUEÇAM TUDO O QUE EU FALEI. NADA MAIS IMPORTA.
CIENTISTAS DESCOBRIRAM UMA MEDUSA IMORTAL. ISSO, MESMO IMORTAL.
DEUS EXISTE, E ELE É UMA MEDUSA.
ELA ESTÁ SENDO ESTUDADA, E PROVAVELMENTE CURARÁ TODOS OS NOSSOS MALES.
FODA-SE A ARTE E A CULTURA!
IMORTAIS, SEREMOS IMORTAIS!!!!

http://www.wikistrike.com/article-une-meduse-immortelle-seme-la-panique-dans-le-monde-scientifique-91780694.html

Sabático

Hola amigos e amigas, todos pouco bonitos, mas todos ainda muito legais. Quer dizer, quase todos. Hê.





















Manos e minas, uma coisa anda incomodando essa cabeça ruiva de dreads aqui, e digo já o que é:  É esse descontentamento da população, principalmente da classe média, com a corrupção e os políticos ladrões.

Sei, eu sei. É digno, é digno. Bem melhor do que a massa inerte de coco mole que em geral somos todos.

Mas é que isso está me lembrando muito a vez quando eu, o Francisco, o Tomás e o Rafa, todos moleques de joelho ralado e estilingues pendurados no pescoço, tacamos fogo na casinha da árvore da turma da rua de baixo, por eles terem roubado a escada da nossa.

Olho por olho de criança é diferente de olho por olho de adulto. Qualquer mudança que venha a ocorrer, se não for estruturada por uma reflexão lúcida e neutra, só será uma mudança, nunca uma revolução.

Mudança estão cheias por aí. O sistema em que vivemos dá brecha pros times se revezarem, para os exploradores virarem explorados, para os violentadores serem violentados. Certo Bernardo?

Já a revolução, penso eu, se dá quando toda a cultura de uma vida, ou toda a vida de uma cultura, é modificada de forma permanente, de forma que para voltar atrás, outra revolução será necessária.

E decisões desse âmbito, decisivas, não podem e não são tomadas sem reflexão.  Decisões assim não são combinadas via facebook, sem um prévio armamento ideológico, seja ele qual for, debates e discussões.

Está na hora das pessoas começarem a discutir, a se informar e se unir, para descobrirem o que é que realmente importa para cada um, como indivíduo, e como membro de uma sociedade.

A decadência da educação escolar e a supervalorização das ciências exatas, não são mera coincidências. Todo mundo sabe que pensar incomoda os que estão no auge da cadeia alimentar, pois não é preciso muito para perceber o quão injusto é a própria cadeia.

E mesmo que alguns bons professores lutem para ensinar, desconsiderando o sálario ridículo que ganham, o desgaste de tentar ser mais interessante que um celular e um ipod, e a desconsideração de toda uma comunidade, bom, mesmo tudo aquilo que esse professor ensina não faz sentido na vida de um aluno.

Não faz sentido pois nas outras 20 horas do dia, bombardeando todas as cabeças existem  programas de televisão fúteis com músicas cada vez mais vazias, entrecortados por comerciais estúpidos vendendo artigos banais e conversas que não conseguem trespassar em nada o senso comum.

Foda, mas é isso. Investir em educação consiste também em investir em arte e cultura. É tudo a porra de uma coisa só.

Ir a shows, comprar e alugar livros e filmes, recusar a merda que transmitem diariamente nas rádios e tvs, frequentar eventos culturais e estudar e debater todas coisas que estão acontecendo, não pode ser visto como um luxo para poucos.

É uma necessidade e uma obrigação. Força motriz essencial para mudanças realmente estruturadas e firmes.

Independente da ajuda um governo e de uma classe dominante, que não virá, pois não desejam que isso aconteça, precisamos nos informar. A informação e o debate é nossa melhor arma contra a corrupção.

E não só porque essa onda de protestos está com cara de conversa de Alice com o Gato, que não sabe aonde quer chegar, então tanto faz o caminho.

Mas, principalmente, pois preocupa-me o momento em que essa galera descontente venha a perceber sua fraqueza perante o gigante opositor, e acabem dando uma abertura para uma nova ditadura militar, que bem sabemos é oportunista e não vai medir esforços para destruir nossa cultura por no mínimo mais três gerações.

Sério, pode parecer que estou fora de mim, que estou falando falas esquizofrênicas e perseguidas, mas o caso da PM na USP que aconteceu este semestre, a forma como tudo foi mostrado pela mídia e a reação da maioria das pessoas em relação aquilo, são coisas que precisamos considerar e ficarmos bem atentos.

Por enquanto só acho que estamos, infelizmente, obrigados a ver a arte e a cultura (NÃO EM SEU CONTEÚDO) como meios, para quem sabe, futuramente, chegarmos a um ponto onde elas possam ser finalmente aquilo que são, coisa em si, prazeres que desnecessitam de justificação.

A velha história da dignidade só ser digna se estivermos preparados pra ela. E essas coisas.

Pensemos, pensemos. Como podemos nos unir e nos fortalecer? Esperar é que não dá mais. A mudança é nossa. Sério.

Psdbistas, não me furem os olhos com seus bicos, marxistas, não me batam com suas foices e martelos. Um beijo do semi gordo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sexta

Olá, ela diz, olá ela digo e já vou-lhe lascando um beijo de bochecha na minha boca, como quem não quer depois trocar a bochecha por outra boca, firme de convicto, noto pouco seu vestido, como é lindo quer que eu pense, como vai indo sua faculdade, bem bem, ah sim que bom, é bom, sorriso de dentes omissos, alma por trás meio apagada meia ligada que uma vez colocada na caixa, nem vontade de nenem vai conseguir depois lutar e em lua de mel vai ainda estar bem feliz e o problema é exatamente este, sabe que feliz por feliz nao vale, e nem porque não é o bem, o bem, também, só por bem, não vale, o que fita-se é que não chega a nada, não é caminho, é meio que um fim, mas ainda pelo meio e por isso lá atrás os dentes omissos e de retaguarda a alma, e eu sei, eu sei mesmo de tudo, pois quando que se ama de de repende sempre se sente o sentido do outro, o amor por ela é nada mais que uma extensão de um amor por mim e pensado bem assim o mundo, essa história de egoísta nada tem, nada. errada, resposta primeira  e depois na pergunta o erro da primeira reflete e cresce a tensão, no jogo mais acirrado do ano, o da conquista sem poder, pois o poder vem lá na frente, ainda agora é uma conquista sem poder que não seja um poder estar mais perto daqueles olhos que olham os meus olhos olhando sua boca, cheia de sorrisos e gemidos pra me dar de presente nas comemorações do ano, que serão todo dia e todo eles cada minuto, de estar com essas duas pernas que apoiam um mundo maior que os traduzível para mapas e para as latas de palmito me chamam pra abri-las, as pernas que estão no mundo que estão nos mapas que estão no mundo, o cheiro dela deve ser igual a ela, ela mesma deve ser igual igual a ela mesma, e isso é uma coisa que só de sentir eu sinto, e essas coisas não se explico, só refiro que as outras todas garotas são diferentes e tanto de quando de começo você as conhece, e nem precisa ser no fim, no meio que de nicho ela não chama, já dá sinais de mudança e depois reclama que acaba, e acaba mesmo, mas essa aqui não, essa acabou de começar e imaginoquando vou vê-la se acordar pelada, ou mesmo de pijama, e tentar prever o dia que vai preencher seu dia até que esteja de novo de noite com meu umbigo, com aquele seu corpo o mesmo que transpira enquanto fechamos as janelas e cortinas dos olhos dos vizinhos, esperando que depois bolos nos tragam e as reuniões não estraguem com bolos, e isso eu penso, ou melhor nem penso, enquanto ela conta já de tempo outra coisa que não é sobre a faculdade, não são seus sonhos, seus só desejos, de agora, pra próxima semana, e respira, e eu respiro e então entorna seu copo, e torna minha noite quand ela diz-me um até, e por dentro eu rezo bem alto,faço encostro e trabalho de dedos cruzados pra que o até ela não complete com a próxima, reclamar não posso, descaso nesse caso nem deve, eu sei já passei e perpassei que quem só me conhece me escreve, me canta, mas não me encanta, não me deixa encantambém, me planta em terra infértil mas mesmo assim eu cresço, desapareço da floresta e depois apareço, pra pensar e falar baixinho pra outra, como essa aqui, e o ciclo morde o próprio rabo, não precisamos lutar, eu entendo que você não se interessou, nem empolgou e eu nem sou lá essas coisas e por aí devem, tava afim de ir com você pra sua casa, isso, foi isso mesmo, eu ouvi, foi bem depois do até, nem deu tempo de pensar o que pensei ter dito em mente, até que enfim um fim não deprimente, é meu amigo, ouvir de som que até que tava afim de ir pra sua casa, eu não esperava, sabemos que não, até repito que até que vamos, respondo e vamos.

sexta

a poesia
quando um poquinho que foi
abriu mão de
usar rimas
não deve ter sequer imaginado
que o rap iria tomá-las
e bem tomado
ainda por cima
com flow

a poesia
quando deixou de lado,
uma vez só e já bastou,
sua velha mania de usar as palavras
pra sugerir e descrever imagens
certamente nem imaginou
que esta sua primeira eficiência
pelos quadrinhos
seria tomado
e enquadrado logo em sequência

a poesia certamente notou
que os dois meninos
desde o início
possuem essas suas perícias
acopladas em suas formas
de uma forma vitalícia

o que torna impossível
para eles dois
de se absterem
de seus ofícios

o que torna o seu ofício
poesia, duvidoso,
invalidado pelo princípio

de que o melhor jeito de se contar algo
é o jeito que só pode ser contado desse jeito
o algo

e assim a coitada
sem beats, e sem desenhos
pra chamar de seus,
segue com todas as suas palavras
fracas
e com os que as escrevem
fracos
fingindo que nada ainda aconteceu


sexxxta

























Ainda,
homenageio gente que eu admiro

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Quinta feira

De cara já aviso, ou já lembro, que, como vocês sabem, esse é um blog meu. E eu falo muita coisa, e principalmente coisas totalmente infundadas, partindo do ponto de que isso aqui não é publicado com o viés de ser formador de opiniões, nem tampouco é visto por mim como produção de conhecimento. São coisas que eu estou lendo, desenhando, trocando e idéias, e pra me organizar melhor escrevo aqui.

Sério, não to querendo ser amargo e chatão. É que ouvi criticazinha acadêmica ontem e tive vontade de vomitar. Crítica de quem só quer dar pitaco, ser do contra, e não tá ligado que existem outros caminhos.









Sei lá. É foda.



Mas e ae, beleza?




Tô em Pinhal pintando umas paradas. Comprei umas tintas acrílicas, e estou aqui ralando para desvendar algumas sutilezas, dessa mina que não tem nada de sutil, como tinha a aquarela, minha ex, de uma leveza que beirava o efêmero. Pelo contrário: ela é densa, emburrada, ranzinza, apática e convicta de que não quer nada comigo.
E esse é bem o tipo de mina que ando curtindo ultimamente.

Mas, voltando a mesma tecla, teclando de volta o tema da arte que desconsidera movimentos passados, a irresponsabilidade, ou a ascensão de uma sociedade conivente com entretenimento sem reflexão, as consequencias diretas disso em vida pública, política, pessoal, etc etc.

É que acordei hoje com um gosto ruim na boca, e decidi que é porque há um ano atrás eu achava que ia entender o Joyce com 18 anos de idade.
Sério, beira o ridículo, falae. Eu queria voltar no tempo, me encontrar sentado nesta mesma cadeira comprando uns livros do Joyce na Internet, e dar um tapa, daqueles com as costas da mão, na minha cara de lazarento.

A experimentação de Joyce é de uma coragem venerável. No começo do Séc XX, mais do que um lampejo de excentricidade, Joyce ao lado de Pound, Cummings e Malarmee, dariam as bases vanguardistas, que culminaram, nos anos 50, na poesia Concretista.
Os Concretistas, Augusto, Haroldo e Décio, pegaram a nata das experimentações literárias, contextuaram ao momento histórico que viviam, e, com uma provável invisível mão Cabralina por trás, produziram uma poesia tão forte quanto a teoria que a sustenta.

Eu trombei um camarada esses dias, e vomitei nele minha vontade de aplicar a teoria concreta nas imagens, talvez em quadrinhos, ou, provavelmente não, disse que ainda não sabia,
Além de dicas objetivas sobre o tema, o que mais importante ele me falou foi que essa teoria toda que eu estudo, vai estar lá no que eu produzir, e que talvez esteja na hora de eu produzir mesmo, que as coisas, já internalizadas em mim, lá fluirão por trás do que quer que seja.

Foi do caralho. Eu realmente comecei a produzir muita coisa que eu já estava postergando faz um bom tempo, e as questões que eu achava ter, já mudaram.

Mas por outro lado, pensei nos escritores que desconsideram movimentos artísticos e intelectuais que já aconteceram, e seguem produzindo romances. Não vou ofendê-los, dizendo que desconhecem os movimentos mais importantes, pois se isso realmente acontece, acredito que já são escritores cegos e de menor calibre. Me convenço a acreditar que não se ateram ao fato, acharam pouco importante, e resolveram deixar de lado.
E é isso, não flagram que ao desconsiderarem problemas essenciais de linguagem já apontados, é impossível que sua obra não reflita essa renúncia, e essa covardia.

Claro isso aqui é uma opinião do momento em que vivo, e, principalmente, não posso me esquecer que o momento em que vivo está nitidamente insuflado por uma atmosfera de vontade de mudança, revolucionários radicales, essas coisas de jovem.

Bem ou mal, meu norte anda sendo o de uma revolução que vá de dentro pra fora, implosiva. Talvez por uma incapacidade de mobilizar-me em ações e atos, e contextualizar-me tanto em estudos quanto em reflexões que atentem para os problemas do sistema. Em outras palavras, preguiça maldita.

Revolucionário preguiçoso, ridículo.

Mas independente dessa preguiça, o foco numa mudança interna é um caminho a ser bem pensado. Mudança interna que perpasse emoções, sentimentos e caráter. Uma mudança interna que ataque o cerne dos problemas, lá, ela mesma, mademoseille linguagem, essa puta velha e chata.

É complicado, pois se pensarmos politicamente, é hermeticamente filhadaputa e elitista, num Brasil estupidamente precário em educação básica, colocar na mesa experimentações medulares, embasadas por teorias complexas que implicam tempo, dedicação, base social, etc.

O pensamento, óbvio, é de que seria melhor partirmos do ponto de que a arte já está em altos nível de discussão e que a educação deveria ser elevada ao mesmo patamar.

Tá, tá, eu sei que falar é fácil. Mas é melhor falar do que não falar.

Mas a fica a crítica do dia, mais do que aos que não experimentam, aos outros todos que repulsam experimentos.

Ou melhor, quero evidenciar meus sinceros votos e desejos natalinos de que neste ano novo que está nascendo, possamos todos juntos, numa corrente fraterna de paz, abandonar o pensamento silogístico-discursivo, parar pularmos juntos as ondas de um ano novo sintético-ideogrâmico.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

quarta

Situar-se em esferas políticas e existenciais, equacionar razão com sentimentos, firmar-se indivíduo e membro de uma sociedade, atuante nesta até quando não, inevitável condição de encaixar numa caixa de fundo solto uma produção de capital que garanta a sobrevivência e uma produção cultural e de conhecimento que, talvez, garanta a vivência, desconsiderando que as coisas podres só tendem a piorar, que o buraco é bem maior e mais embaixo, cavado em pás feitas de gente, progresso espiritual retrocedente, culpa coletivamente dissolvida, faz do inimigo oculto, do amigo nem sempre, e nos apegamos a eles todos, na condição de que se apeguem a nós também, confluência de carências em que vivenciamos descobertas e tentamos nos manter focados em soluções nem sempre compartilhadas, incentivadas, valorizadas, diariamente lidando com demônios e encostos das mais diversas origens e camadas do inconsciente, consciente, matéria opaca e fim deprimente a frente, preguiça explícita, respostas compostas de verdades insóbrias, ditas em tom confuso num show em que virar de lado é consentir que tomem nosso lugar, tendo que engolir a raiva pois tanto faz mesmo, só veríamos no fundo o pano de fundo, a leve camada de pensamento cor de bosta que diz que isso tudo ainda é nossa vida, que é uma só, e acaba, tenha sido bem utilizada ou não.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Segunda

Eu não esperava voltar pra pinhal tão cedo.
Mas voltei, e assim fico lá comigo mesmo um pouco.
Quer dizer, aqui.
Em São Paulo vi a caixa de areia da caixa de areia. Foi foda. E em Campinas entreguei os documentos, pra ter minha própria caixa de areia, quem sabe com uma caixa de areia também.
Ter outros gatos que não os gatos que mijaram em todas as minhas coisas na minha mochila que servia de casa enquanto eu morava em casa provisórias.
Deve ter sido um sinal.
Ando acreditando em sinais.
Por exemplo, fui capaz de traduzir os sinais em ordem assim: transmutação, depois aceitação, aquele de desapego, o da paz ao contrário, agora o do serviço e o discernimento a desvendar.
Não dá pra explicar. Nem quero.
Outro dá: que acredito em anjos.
Anjos viciados em crack, dopados de halopáticos, perdidamente perdidos.
Difícil lição que quero aprender, e que provavelmente vou gastar uma bela de uma vida inteira: Saber discernir e separar as palavras, de um lado a palavra anjo, do outro lado, a palavra humano.
É fácil amar os que são só anjos.
Porra, cabei de encontrar o André na Rodoviária. Ele me lava a alma.
E os outros? Não posso simplesmente me abster, dizer não obrigado já jantei, e depois virar o meu rosto e ficar com medo.
Isso disgnifica todo o resto que acredito. Esse resto entrelaçado que só me complica.
Entrei no meu ônibus e decidi que, tal qual Fabiano, eu quero viver.
Até então eu estava indo por inércia, tudo bem, tamo aí, vamo vivendo.
Mas agora não, agora é decisão.
E quem escolhe algo, aceita as consequências de.
Aceita as repetições e repetições.
Hora eu estou aqui com uma pessoa, hora passaram anos, e estou com ela de novo. Repetições, repetições.
De nomes, apenas. O resto mudou. Cabelo mudou. Humor negrejou. O plano mudou.
O mundo mudou.
O mundo mudou, Plinião, seu bosta.
E eu queria o novo.
De novo, o novo.
E ovo.
Reunir os anjos que gosto na minha casa nova e alimentá-los com ovos.
Usar a receita de tortilla que aprendi com a Sara, que já me empanturrou com a Mari, aliviou-me com o Joby, fortaleceu com o Pedrin, ensinei já pro Rafa, e assim por adiante, em diante.
Parece piada que o meu mundo eu estruturo com ovos, batatas, cebolas e uma frigideira grande e boa pra não grudar.
É tudo o que posso oferecer no momento.
That's all folks.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Sábado neurástico.




Não tenho nenhuma foto que tenha o cabeça de mamão, nosso vocalista. Mas ta essa aí, com os amigos zangão e bonza, só pra marcar que hoje tem reunião da Neurose. A banda que em breve lançará um Dvd chamado dez anos de reuniões.

Há. Oi.

Em São Paulo, numa oficina semana passada, calhou de uma discussão sobre propriedade tomar propriedade no recinto.

A grande maioria lá era de artistas, ou aspirantes à, e uma busca que flagrei comum a todos era a de estilo e de um econômico lugar ao sol.

A idéia que rodeava as bocas é a de que você faz alguma coisa, e é quase impossível, nos dias atuais, dessa coisa não ser feita igualmente por uma outra pessoa.

Considerando a fita de que agora o ser humano é contado aos bilhões no mundo, e que a comunicação e exposição foi extremamente encurtada pelo advento da internet, é ofensivo que essa discussão não alcance a esfera da forma.

Por sorte alcançou, e uma conclusão que eu senti ter sido compartida pelas pessoas naquele momento foi a de que não importa o que você faz, mas a forma como você o faz.

Parece clichê de auto-ajuda, mas é mais sério do que isso.

Pensei um pouco melhor essa semana, e percebi que esse pensamento é perigoso, pois de pouco em pouco a própria forma pode ir tomando jeito de conteúdo, pois começa a ser pensada como.

Não sei se no momento vou ser capaz de explicar isso que pensei, aliás, vim escrever esse texto pra ver se conseguia organizar melhor minhas idéias.

É só que, por mais inovador que seja algo, ou a forma como você o está contando, se certas profundidades não forem atingidas, o mesmo objeto ainda está sendo exposto, mas de formas disfarçadas, maquiadas, transmutadas.

A profundida da linguagem é uma profundidade bem obscura, e que apesar de bem vaga, deveria a todo tempo ser considerada.

Comecei a prestar atenção em algumas coisas, e vi que vigoram absolutos, os reinos da prosa, mesmo que poética, e de uma poesia lírica, distante da sintética proposta pelos concretistas. Não sei se é uma desconsideração refletida, desconhecimento, ou até mesmo preconceito, mas a partir do momento em que certos problemas e soluções foram deflagrados, dissecados, e até resolvidos por propostas fortemente estruturadas, é irresponsável da parte do artista, seguir fingindo que nada aconteceu.

Achei que eu nunca diria isso que eu disse. Talvez eu tenha virado adulto. Talvez eu tenha amargado. Talvez o doce da felicidade de minha vida tenha desandado.

Só que pensando bem, tanto faz se alguém contar a mesma história que você conta, e inclusive da mesma forma que você conta. Por fim, é a mesma coisa. As bases onde a mudança pode, ou não, ser feita, já são muito mais embaixo, no underground da linguagem.

Claro, superficialmente, a discussão bem parecia estar neste andar intermediário. Mas não vou mentir pra vocês: Senti que no fundo a discussão estava bem mais em cima.

Senti que a discussão era na verdade uma discussão sobre propriedade e possibilidade de lucro.
Uma idéia que eu tive, só pode dar lucro a mim.

E é isso. Lucro, lucro, lucro.

Não é uma reclamação, mas uma constatação. O lucro é o gênio maligno que englobou a tudo.
Inclusive aquilo que nunca deveria ter sido tocada por ele, a arte.

O início dessa história? A necessidade de comer aliada a proposta de uma classe burguesa querendo se firmar socialmente no mundo.

Classe que de fato se firmou, e muito bem firmada aliás.

O preço deste firmamento é que é muito alto: é o preço de quantificar as coisas e de querer que tenham uma necessidade, querer que elas não valham por elas mesmas, não se justifiquem pela sua própria existência.

Por hora é isto. Desculpem se falei muito e num tom sério demais sobre assuntos que não tenho propriedade nenhuma.

Falou!

Po, seus cuzões, hoje a noite tem Black Alien no Inferno. Vamo colá, vamo colá. Gustavão é o meu preferido no rap. E o seu?

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O desenho aí de baixo eu fiz pro blog de um irmão, o plinião.
É nóis!!

www.pliselonplinio.blogspot.com

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Terça feira

Acordar de manhã sem que meu corpo me acompanhe virou minha rotina. Cabeça a mil, começo a estudar as paradas tentando ignorar que estou carregando comigo um corpo semi vegetativo. Melhor assim, nos momentos ruins que tive, a cabeça acompanhava-me na sofreguidão.
Quem sabe eu não faço um esporte essas férias, e viro um cara saudável e no fim do ano que vem eu aviso aqui pra vocês irem me assistir na São Silvestre?

Há. Tá. São silvestre sempre vai ser pra mim uma corridinha de merda, principalmente por usar em vão o nome de São Silvestre, que é uma versão tupiniquim de St. Silvester, o santo das batalhas de boxe e guerras quiçá impossíveis, aquele que consegue sintetizar sabedoria pura em pequeninas frases de efeito como ''Ora, Micky dizia que a luta só acabava ao soar do gongo. Ainda não ouvimos o gongo, certo?” Ah, mano, dia após dia eu acredito, tenho fé e oro para Micky, pois sei que ele representa Deus.


Ainda em São Paulo, percebi que não vi muita gente que eu queria ter visto por aqui. Mas que vi muita coisa que não queria ter visto. Briga de garrafas num bar, ratos passando em mendigos que dormem, nóias com seus cachimbos e etc etc.

Puta que merda. Eu queria não ter visto, e o mais foda é isso. Não consigo formular um juízo a respeito da minha vontade de não querer ver. Foda, esse virar de rosto se desdobra em diversas consequências, que condizem as diversas decisões de aceitar ou não minhas responsabilidades como cidadão e as minhas impotências como ser humano.

Esses assuntos e posturas são sempre mais fáceis de serem deixados de lado, e quando são colocados em pauta, são dificílimos de serem domados para que não se pareçam com engajamento vazio, adequação revolucionária a uma fase de firmação de caráter, e, principalmente, discursinho de miss universo.

Apesar de muita gente vir me dizer que o dualismo ''capitalismo versus comunismo'' já não existe mais, que o muro de berlim caiu, o capital venceu e eu estou aqui  de chapéu atolado falando sobre coisas que desimportam no momento, bem, eu acho que essa discussão ainda é atualíssima e válida, principalmente se pensarmos que essa nunca foi uma batalha do ''casos de família com a Márcia Goldshimit''. Existem sim os ataques, mas sempre estruturados por soluções e propostas bem fundadas.

Eu sou um chato. E isso é tudo que sei a priori. Eu sinto muita, MUITA, preguiça de muito papinho engajado que escuto por aí. Mas decidi que vou lutar para deixar de senti-lá. O centro, como disse o Abu, sempre tende a cair para a direita. E a direita, a meu ver, é a que luta para manter a ordem das coisas, ou simplesmente não mexe um dedo para mudá-las.

Sinceramente, eu não concordo com a ordem em que as coisas estão, e isso é uma certeza que tenho, pela definitiva falência de quase todas as capacidades e relações humanas, sejam elas artísticas, interpessoais e trabalhísticas, ou até com o próprio meio em que habitam, sua relação com o tempo, etc etc etc.

Minha predileção e aproximação com a esquerda condiz muito mais com suas vontades de mudança, do que necessáriamente com sua ideologia. Principalmente pois, por enquanto, e espero que seja por enquanto, ainda sou um analfabeto político, que desconhece quaisquer leituras de esquerda, sejam elas marxistas, stalinistas, maoístas, bakuninistas, e etc e etc, assim como por outro lado, também desconheço as leituras da direita.

Percebem como minha posição política é falha, trepidante e apesar de não ser destrutiva, tampouco é construtiva, para ambos os lados? Por isso que decidi me munir de informações válidas e reflexões para que eu possa me posicionar perante o momento histórico que vivo. Mesmo que seja para, em determinado momento, dizer que não concordo, não assino em baixo e estou caindo fora para um mundo só meu. Como, se pá, fez Baudelaire com as drogas, e Bilac com a punheta.



Ah, estive lendo um pouco de Beckett ontem, e o menino conseguiu tocar algumas feridas mais de baixo, impossíveis de serem desconsideradas. Feridas não, ferida. A ferida chamada ser humano e sua essência podre. A visão dele, ou a visão que tenho da visão dele, é a de pessimista pra caralho. E não pensando o pessimismo como negação de esperança, mas sim como constatação reflexiva de incapacidade de mudança.

Nos meus tempos na Irlanda, descobri e li muito mais ele do que o Joyce, que é o sujeito que eu saí do Brasil achando que ia desvendar. Haha, moleque imbecil.

A linguagem usada pelo Beckett em seus livros, era, para o meu inglês, uma linguagem que pelo menos eu acreditava estar entendendo. O Joyce, com excepção dos dublinenses, eu tinha a cruel impressão de estar lendo outra língua, que não as minhas, não os meus chãos. Não rolou.

Só que aí é que está. O Beckett apesar de parecer mais simples, é um labirinto metafísico do desespero. Não sei a de vocês, mas a minha imagem de um labirinto metafísico do desespero é bem ruim. E é exatamente neste espaço que Beckett coloca seus personagens, a meu ver, asqueirosos, decrépitos, precários e carentes.

Pelo que compreendi, esse desespero de uma condição humana essencialmente podre , para Beckett, não pode ser resolvida com soluções sociais, ou políticas. No que li dele, não encontrei traço algum de qualquer ideologia social, principalmente marxista, o que seria bem provável de ser encontrada, visto que tanto ele quanto sua obra figuram na Europa do séc XX.

Essa crítica pode parecer estar direcionada ao contéudo da sociedade, o Homem, e não a sua forma, o sistema político.

Mas eu, Léo, enxergo essa crítica como uma constatação de um ser humano vazio por consequencia do viver em um universo sem sentido, logo, uma crítica a uma forma muito mais abrangente, se não for a forma mais abrangente de todas. O universo, essa besteira.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Segundona


Coincidências ou confluências, o mundo é feito de. Só sei que foi assim, e agora estou aqui, com a cabeça cheia de idéias centradas num objetivo só. Objetivo que se desdobra em muitos, e que me obriga a pensar nele mais do que viver, por uns dias. Refletir em algo tão insólito, que só poderia ser tão insólito. Não consigo ser claro com vocês hoje.



E ae amigos.

Tomei um café e voltei mais calmo. To com alguns desenhos que quero colocar aqui, só que como estou em são paulo e minha câmera está em campinas e o scanner em Pinhal, bem, bem. Depois vou tentar usar o do escritório do meu irmão e pai, mas vou esperar o fim do expediente deles, quando já são bem poucas pessoas lá. Sinto que quando vou lá minha presença atrapalha o bom andamento da construção civil paulista. É só um sentimento.

Comecei a usar umas cores. É doido, eu nunca gostei, nunca tentei. Desde criança eu tenho uma certa aversão a lápis de cor. Esses dias encontrei alguns desenhos de quando eu era um pequeno bambino, e mesmo quando eu usava os lápis de cor, ou giz de cera, eu usava para desenhar, digo, sempre só de contornos.

Analiso que desde de criança eu já pressentia um vazio existencial no ser humano. Ou melhor, analiso que desde criança eu sabia que a revolução não se daria nos conteúdos, mas sim nas formas. Quer dizer, desde criança eu era um obcecado pelos limites das relações humanas, independentes de sentimentos internos e inconscietes.

Esse é o bom do passado. É possível significá-lo como bem quisermos. Claro que talvez não seja tão simples. Mas agora é tarde e já são duas as classes que me odeiam. Jornalistas e psicólogos.

E agora vou lá desenhar. Vou ouvir um Valete brow, que nunca quis ser regicida....
_Olá valete, HÃ, meu nome é Vanessa..

domingo, 27 de novembro de 2011

fim de fim de semana

quando estou aqui,


 essa não sai da orelha

doMINGo














Ainda é cedo. Não tão cedo, já que a legião da boa vontade não se incomodou de ligar para pedir uma doação. Clarice Lispector escrevia de manhã, penso quando desligo o telefone. Escrevia de manhã, mas vivia o resto do dia submersa em instrospectivos pensamentos que ainda nem tenho as moral, nem nunca vou ter. O telefone me desliga.

Acordo novamente, e ainda é cedo. Via mensagem, o celular me chama de puto e diz que minha amiga bebeu esta noite sozinha e escreveu uma carta. Me sinto mesmo um puto, e um puto inexpressivo. Tento lembrar a última carta que escrevi, e só o que consigo é lembrar de uma franja, de um cabelo encaracolado, e depois de um bem curto. Não curto o que sinto, mas já é tarde, porque ainda é cedo e o dia ainda é longo daqui pra frente. Bem longo.

Procurar coisas na casa do meu Irmão e do meu Pai, inclui sempre encontrar muita poeira, as velhas alergias e o olhar sanguinário do vigia no espelho. Mas as vezes gratifica e vale a pena. Como ontem, quando procurei a toalha mas achei uma caixa cheia de livros. Desde que voltei da Irlanda, ainda não encontrei nem metade dos meus livros, e, principalmente, pois não encontrei nem metade das pessoas que pegaram meus livros.

Lá, muito Jorge Amado. Uns 5. Grande Jorge Amado, como diziam lá em Portugal. No momento o Inspirador do Berro d'agua não caminha comigo. Desafinidades acontecem. Mas ainda não cheguei ao ponto de chamá-lo de Jorge Odiado. Hê. Jorge Indiferenteado, talvez. Indiferença é ruim?

Na caixa há também algum Drummond. Gosto dele. E há também o Braguinha. Ah Rubem, você sabe que eu não te procuro de verdade, nunca te procurei em livraria nenhuma, mas sempre acabamos por nos trombar. E é sempre do caralho trocar prosa contigo mano. Digo, crônicas.

Aliás, esses dias lembrei de você e do Sinezando. É que eu e o Mouro, apesar de estarmos sempre tentando abraçar a porra do mundo, ainda somos os reis do chororô, malditos cotovelos gastos, Lupcinio rodrigues e Reginaldo rossi de Barão Geraldo. E é inevitável não sintonizar as ondas de rádio com as suas e as do Sinezando.

Aê Sinezando, aquele salve em esperanto! A vida ainda é triste meu velho.

Ler Rubem Braga me faz ter vontade de conversar com meus avós. Me sinto mais a par do que aconteceu na época deles. Pra falar a verdade, eu sinto que realmente vivi na época deles. E eu devo ter vivido mesmo. Esses lances de reencarnação e pá. E eu era um cachorro. Sempre gostei de pensar que eu era um cachorro. E não é qualquer cachorro não, desses que ficam por aí latindo. Eu era o Deserto, cachorro da minha avó.

Antes de minha avó adoecer, ela me disse que queria voltar pra escola pra estudar. Semi analfabeta, ela conseguia escrever o próprio nome, e outras bem poucas coisas sabia ler. Foi se esquecendo paulatinamente do mundo, e o último nome que esquecera foi o meu. É o meu maior orgulho nesta vida. Fico pensando as vezes qual vai ser o último nome que vou me esquecer.

Ah, hoje pela tarde eu vejo o Mutarelli e o Rafa Coutinho de novo, desta vez com o Fábio Moon e o Gabriel Bá. Terminei o Daytripper dos meninos, mas depois falo melhor o que achei. O Lourenço vai estar lançando um álbum, depois de anos.

Tinha abandonado os quadrinhos faz uns 10 anos, pois além de estar descontente com um traço já formado, disse que estava incomodado em ditar todas as imagens de uma história. A literatura é um campo mais sugestivo e mais livre, da parte do leitor.

Porra, dez anos atrás eu tava assistindo pokemon.

Não tem nem o que falar. Como quadrinista, ele é de longe, tanto em forma quanto em conteúdo, meu preferido. Como escritor, tornou-se também, disparadamente, meu preferido. Pra mim, aquilo tudo é muito visceral e perigoso, ainda sendo muito sutil, uma espécie de loucura elegante, sei lá.

Só essa semana que percebi o porque de eu curtir tanto os trampos dele. Ao me mostrar possíveis maneira de se confluenciar média erudição literária e músical, literatura de rua, filosofia, humor negro e experimentalismos, ele me mostra caminhos que busco, ou que eu acho que busco.

Mas cansei de ficar puxando o saco desse careca feio. Tenta aparecer lá hoje, no centro cultural o barco. Momentos como esse não se perde. Fica ali na Teodoro e Sampaio, numa daquelas ruas que corta ela por baixo. Rá, Rua Jack Estripador.  E se me ver, me pague um café. E se tiver algum livro meu com você, devolve que agora eu tenho casa.

É porra, tenho uma casa agora. Por isso que eu to feliz. Por isso que até a velha discadora legionária da boa vontade me pareceu ser alguém legal e simpática. Claro, vocês me conhecem e sabem que vai passar. Essa velha, por exemplo, logo logo vai cair minha ficha de que ela é na verdade uma cuzona.

Bom, pelo menos vou conseguir assitir o Senhor Brasil tomando um café e comendo sucrilhos com argamassa quartzolit.





sábado, 26 de novembro de 2011

Um salve sabatino

Comecei este texto quando trombei o Armando e a Ana ontem na goma deles, aqui mesmo, em L.A, Largo do Arouche, região abissal paulista localizada entre a boca do lixo e a cracolândia, espaço prova empírica do refrão que diz que o homem é o lobo do homem.
Desde que eu voltei da Irlanda, ainda não tínhamos os três colocado o papo em dia e a água de nossas privadas mentais ainda estava em descompasso de hemisférios, sentido horário e anti horário, ativamente.

Ativamente, as pessoas que estão no rolê são pessoas que fazem com que tenhamos mais vontade de seguir no rolê.

Rolê. Isso, rolê. O abstrato conceito que engloba as esferas mais diversas, mas que inevitávelmente interseccionam-se em pontos base indefinidos, mas sempre sentidos pelos que nelas atuam.

Mano, depois de um bom tempo, é do caralho encontrar os dois e ver que transubstanciaram um cúbiculo no centro de São Paulo em um lar digníssimo, e ver que andam de long pelas caóticas ruas do centro, que a música boa é o pão de cada dia, e que o assunto sociológico e geográfico, do Cabeça e da Ana, respectivamente, perpassam e transcendem o ralo e fraco limite acadêmico.

Digo isso, pois saí de lá com um livro deles, As veias abertas da América Latina, do Eduardo Galeano. Disse Herman, o monstro, ontem, que esse é um livro que todos mundo tem a obrigação de ler. E agora pela manhã, depois de escovar os dentes com mais café ainda, já tenho essa certeza.

Além de não ter terminado o livro, e com a certeza da incapacidade de uma análise, mesmo que fraca, da obra, digo apenas que senti com o Galeano o sentimento que mais gosto e prezo de sentir nessa minha vida.

O Galeano me fez sentir o mesmo sentimento que senti com os dois ontem, que é o mesmo sentimento que sinto sempre com os meus grandes Mouro e Mari,  e sinto também com minha tríade preferida Dara, Lele e Mi, também com os notáveis Andread e Liniker, o saudoso Moita, também o eixo paulista Primão, Danilo e Plinião, e mais algumas outras poucas pessoas especiais e raras que conheço.

Nesta madrugada, o Galeano me fez sentir o sentimento de que quando eu o escuto, estou escutando coisas que possuem um corpo, certamente insuflado por uma voz de quem vive o que estuda. E é esse corpo (ou essa alma) que faz com que os dados e pesquisas, romances e poesias, letras e mais letras, lidas ou discutidas, não se tornem, como disse Bilac, esplendor e sepultura.

E além de muitos outros problemas, é por isso que, assim como toda a educação, a universidade precisa urgentemente ser repensada.

Essa incomunicabilidade reinante entre a Universidade e a sociedade, talvez não resida nos objetos de estudos, por mais metafísico que eles sejam, mas sim nos que estudam estes objetos.

Uma provável tangibilidade de idéias virá quando as pessoas começarem a se interessar também pelas pessoas, e não só com prazeres pessoais e benefícios vinculados a uma ascenção acadêmica. Os que carregam a vida acadêmica, como quem carrega um serviço num escritório, são pessoas que me fazem ter vontade de vomitar.

Poder-se-á formar um verdadeiro diálogo construtivo, no momento em que a produção de conhecimento deixar de ser uma produção, fugindo do que o que seu próprio nome intrinsicamente define, e desvinculando totalmente a noção de evolução e progresso de uma outra noção distinta, a de prosperidade econômica.

Essa distância de cabeça e coração precisa ser encurtada, estradas precisam urgentemente serem criadas. Estudo sem vida é a coisa mais desnecessária que já existiu no mundo. E não estou falando da incrível desnecessariedade poética de um Manoel de Barros, de um Paulo Leminski. Estou falando sim de uma imensa estúpidez egoísta e cega dos que, num país como sabemos ser o nosso, tem o privilégio de acesso ao estudo, mas insistem em não dar nem um ínfimo retorno a sociedade.

O processo de deixar que as coisas se manifestem por elas mesmas, é um processo que Heidegger define como fenomenologia, e depois complicadamente desenvolve e eu nada entendo. Mas, como aqui é um blog, e eu tenho a liberdade de dizer o que diabos eu quizer, bem, acredito que os sujeitos que não se divertem e não possuem um rolê de prazeres culturais, são exatamente os que não deixam que as coisas com que se ocupam se manifestem por elas mesmas. Ou seja, não deixam que o que estudam tenha vida.

E isso é tristíssimo. E mais triste é pensar que a culpa não é só deles. A culpa é principalmente de uma reitoria imbecil que proíbe festas e eventos culturais nos campus das universidades , que não entende que o diálogo deve perpassar cadeiras, salas de aula, professores e alunos. Reitoria que,não contente com isso, ainda apoia a militarização do campus e a terceirização dos serviços internos.

Claro, isso é reflexo de uma sociedade onde as politicagens apagam a alma das cidades e das pessoas, pensando cultura, arte e educação como meios eleitorais, e não como fins por si só, atividades existenciais.

Essa forma amarga como as coisas estão se dando nas universidades é um reflexo de um mundo cada vez mais chato e sem graça, um mundo que quando joga bola com outros mundos, leva a bola embora quando a mãe chama. Um mundo cuzão, eu diria. Um mundo que, não fosse a busca pelo sentimento que eu disse ter sentido com o Galeano, seria um mundo que cada vez menos eu faria questão.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

sexta chata, domingo legal


A prefeitura de São Paulo prepara-se para varrer os viciados em crack em direção a suas cidades de origem.
''Existe um princípio de que cada comunidade é responsável pelo produto social que cria'', diz a nota do jornal.
Isso, isso, isso. Diz isso no meio da notícia e segue informando o que vai ser feito. Folha, Mônica Bergamo.
Irresponsável como quase sempre, o jornal cita isso sem apresentar fonte alguma, como se fosse um quote, como se fosse essas pré-adolescentes que citam o Caião, e minha Clarice no Facebook.
Essa ridícula lógica interna de colocar um pilar ornamentado e fálido para ofuscar a total falta de estrutura de um texto, um elefantezão branco usado pra esconder falácias e nos fazer abstrair a incoerência do que está sendo dito, que é uma frequente total falta de reflexão que já se tornou inerente aos textos jornalísticos, informando e não formando porra nenhuma de cidadãos.
Os claros textos são expressões de uma vontade de sempre aparentar neutralidade, objetividade, ética e clareza de idéias, quando na verdade, todos sabemos, tudo não passa de um jogo de interesses, em que o que é informado é o que é benéfico a quem patrocina, e a notícia é o conveniente aos coniventes com a situação.
Desacredito que exista uma reprodução textual fiel a realidade. Desacredito até que exista  uma realidade. Caso exista, é preciso que aceitemos como pressuposto a qualquer informação, ou melhor, a qualquer comunicação, a noção de que tudo o que possa ser redigido é uma leitura pessoal, evidentemente influenciada pelo momento histórico do indivíduo que comunica, sua formação, seu caráter, a camisa de sua empresa, religião, time, momento emocional, propina e saúde mental.
Eu mesmo, neste momento, por estar vivendo um momento de atos e greves ao meu redor, ando bastante pensando em atuações políticas, e esse texto é reflexo puro disto. Desde o começo estou deste lado daqui injetando intenções. É inevitável.
É como quando eu leio muito Kafka e começo a escrever textos desconfiados e ansiosos, ou Dostoievski, e fico asqueroso e simpático. Clarice, se pá, introspectivo e de olhar atento, Mutarelli, inconsequentemente doente e sóbrio, etc etc. Escrever é ser palco para diferentes grupos de teatro atuarem sobre você.
E deste repentino início de debate político,  sinto de leve a imensidão disto tudo, e a complexidade das ligações que existem neste sistema de governantes e governados.
Não sei até quando vou seguindo, na boa vontade, provavelmente utópica, de conseguir perceber e saber a partir de qual momento meus gestos são gestos políticos, e se são, qual o alcance, as consequências e responsabilidades disto.
Os crackeiros não perceberem que o que são e o que fazem é uma resposta a tudo o que está acontecendo nas cidades, eu ainda entendo. O que me preocupa é a forte impressão que tenho dos jornais, e dos políticos, também não perceberem isto. Nem isso nem muitas outras coisas.  Ou saberem e apenas empurrarem pra longe.
Gilberto Kassab com o quadro de volta para minha terra versão chupa lata compulsivo. Que domingo legal.